O ano é 2007. A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) implantou a política de cotas para 40% dos alunos. Essa reforma ajudou na distribuição de cadeiras na universidade, colaborando com a representatividade dos estudantes matriculados. Mais de 10 anos se passaram e esse assunto nunca esteve tão atual, tanto que o livro “Melanie”, de Maxwell Santos, lançado em 2013, ganhou uma nova versão em 2019, revisada, ampliada e com prefácio da doutora pesquisadora Andréia Delmaschio.
Nascido em Vitória, jornalista, designer gráfico e autor de mais de cinco livros – entre eles “24 horas de Anna Beatriz” e “Ilha Noiada” –, Maxwell narra a história de uma jovem moradora do Bairro da Penha, que sonha em cursar Medicina. Após alguns infortúnios, Melanie (que dá o nome ao livro) consegue uma bolsa de estudos no cursinho mais caro de sua cidade.
Maxwell teve a ideia para o livro acompanhando a história de diversas pessoas que tinham um sonho de seguir no ensino superior, mas tinham como obstáculo a baixa renda. “Em 2007, eu acompanhei uma colega de cursinho que veio do interior e tinha o sonho de ser médica. Vinha de uma escola pública e tinha bolsa integral. Um ano depois ela foi uma das poucas alunas que passou em Medicina, e foi de histórias como essa que eu criei a Melanie”, comenta.
O autor também coloca no livro todo o impacto que a implantação de cotas causou nos alunos, nas faculdades, nos cursinhos e em todos que pertencem ao meio universitário. “No livro eu falo do sonho da Melanie, dos seus desejos, dificuldades, do que existe por trás do vestibular, da tensão e ansiedade, como era a prova antes de ser integrada ao Enem, a pressão de estudar para Medicina e Direito, que eram considerados os cursos privilegiados, e como que as cotas foram mudando esse cenário”, afirma o escritor.

A primeira versão do livro foi publicada em 2013. Desde então, muita coisa mudou no cenário universitário, as cotas ficaram mais presentes no dia a dia das faculdades e universidades, tornando-se uma parte fundamental dos processos seletivos. Com todas essas mudanças de cenário, veio a necessidade de atualização do material.
“Eu rediagramei e reescrevi alguns diálogos, principalmente na parte dos confrontos favoráveis e contrários às cotas. Quero que essa atualização repercuta o debate sobre os temas presentes no livro”, pontuar.
O material é destinado ao público infantojuvenil e foi lançado na web no início do ano. Agora, a obra acaba de ganhar uma edição impressa. “Eu gosto de escrever textos com temática social, algo com o objetivo de fazer as pessoas pensarem”, completa Maxwell.