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LITERATURA

Ignácio de Loyola Brandão deve ser eleito para a ABL

Escritor não tem concorrentes de peso na disputa pela vaga; eleição ocorre nesta quinta (14)

Publicado em 13 de Março de 2019 às 16:14

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13 mar 2019 às 16:14
Ignácio de Loyola Brandão preenche a última vaga de 2018 para a Academia Brasileira de Letras Crédito: André Brandão/Divulgação

A ABL (Academia Brasileira de Letras) vai preencher na tarde desta quinta-feira (14) a última de uma série de vagas abertas ao longo de 2018. A instituição elege o sucessor do sociólogo e cientista político Hélio Jaguaribe, morto em setembro do ano passado, aos 95 anos.

O eleito para a cadeira 11 deve ser Ignácio de Loyola Brandão, autor de "Zero" e um dos principais nomes da geração de escritores brasileiros surgida nos anos 1960 e 1970 --dois deles, Antônio Torres e Nélida Piñon, já compõem o quadro de imortais da casa.

Na prática, Brandão concorre como candidato único. O anúncio de que apresentaria sua candidatura afastou eventuais interessados de peso -com ele, disputa uma série de autores desconhecidos que sempre surgem quando há uma vaga na instituição fundada por Machado de Assis.

O nome do autor uniu alas da casa que, se não chegam a ser exatamente antagônicas, costumam se interessar por candidaturas diferentes -é o caso da dos escritores e a chamada "ala dos notáveis", formada por políticos, juristas, médicos e egressos de outros ofícios que não a literatura.

A candidatura também congrega apoiadores no Rio de Janeiro, onde vive a maior parte dos imortais, e de São Paulo, onde o autor teria apoio de nomes como Celso Lafer e Lygia Fagundes Telles. O candidato também escreveu a biografia da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é imortal.

Além disso, os últimos dois eleitos -o cineasta Cacá Diegues e o jurista Joaquim Falcão- não eram escritores, o que abriu espaço para o novo escolhido ser alguém que viesse da literatura.

Nascido em Araraquara, Brandão foi jornalista, começando sua carreira no Última Hora. Para o romance "Zero", o autor se inspirou em histórias que não puderam ser publicadas no jornal, por conta da censura. O livro se tornou uma das principais obras brasileiras sobre a ditadura militar -foi lançado antes na Itália, em 1974, e só um ano depois no Brasil, onde foi logo censurado.

O autor, que é cronista no jornal O Estado de S. Paulo, publicou também obras como "Não Verás País Nenhum", "Cabeças de Segunda-feira" e "O Anjo do Adeus", entre outras.

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