Sair
Assine
Entrar

Cinema

Crítica: "Midsommar" faz terror com ruína psicológica

Filme do diretor de "Hereditário" leva jovens americanos a uma ensolarada e estranha aldeia sueca

Publicado em 19 de Setembro de 2019 às 11:20

Rafael Braz

Publicado em 

19 set 2019 às 11:20
O que torna um filme assustador para você? O que te gera medo? São sustos com fantasmas no espelho e monstros assustadores ou a criação de tensão, a identificação da dor e das angústias dos personagens com o público? Resumindo com exemplos recentes: é “Annabelle” (2014) ou “A Bruxa” (2015)?
Midsommar - O Mal Não Espera a Noite Crédito: Imagem Filmes/Divulgação
Existe também vida entre as duas linhas – os dois capítulos de “It” (2017 e 2019) e a série “Maldição da Residência Hill” são exemplos – e existe Ari Aster.
O cineasta americano de 33 anos pegou todo mundo de surpresa com o excelente “Hereditário”, lançado no ano passado. O filme, que entrou no burburinho do Oscar deste ano, era um drama familiar que se transformava em algo mais – caso ainda não tenha assistido, o filme está disponível no Amazon Prime Vídeo.
MIDSOMMAR
Pouco mais de um ano depois, Aster está de volta em “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite”, filme no qual novamente abusa da identificação e da tensão para, a seu modo, fazer terror.
“Midsommar” conta a história de Dani (Florence Pugh), uma jovem cujo relacionamento com o namorado está claramente chegando ao fim, mas ganha uma sobrevida após uma tragédia. É quando Cristian (Jack Reynor), o tal namorado, acaba convidando Dani para uma viagem programada ao lado de amigos; eles iriam para Harga, um vilarejo praticamente medieval no interior da Suécia, e lá realizariam estudos antropológicos sobre os festejos de verão da comunidade (e tentariam conquistar algumas suecas no caminho). Quando as festividades têm início, porém, as coisas ficam meio... estranhas.
O MEDO
Enquanto “Hereditário” era um drama familiar, “Midsommar” é um mergulho ao psicológico de sua protagonista. Aos poucos, os rituais e os costumes dos habitantes do vilarejo vão mexendo com a cabeça de Dani, que ainda tenta lidar com as perdas – a iminente e as que já aconteceram.
O roteiro, também de autoria de Aster, é rico em detalhes e abusa da mitologia. A tensão não é criada com sustos fáceis, mas o filme encontra o terror “normal” com cenas de causam repulsa ao espectador. Essa agonia, no entanto, prepara na construção de um cenário maior, para que o espectador possa entender aquela comunidade e, assim, temê-la.
Midsommar - O mal não espera a noite Crédito: Imagem Filmes/Divulgação
O filme tem estrutura similar à do trabalho anterior do diretor, tanto nas qualidades quanto em seus defeitos. Há, de início, o choque que leva Dani à Suécia (como a decapitação em “Hereditário”); da mesma forma, em seu terceiro ato, o filme se transforma e abraça alguns clichês desnecessários, tornando explícito algo que era melhor deixar na subjetividade, uma escolha provavelmente para agradar o grande público.
“Midsommar” prende desde seus primeiros acontecimentos porque deixa claro: ninguém está seguro. Talvez Ari Aster não faça o terror com que o público está acostumado, mas com certeza abre novos horizontes para o cinema pop do gênero.
NOTA: 8,5

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Alemão do Forró faz desabafo após ônibus da produção ser alvo de tentativa de roubo
Alemão do Forró faz desabafo após ônibus de sua equipe ser alvo de tentativa de furto
Imagem de destaque
Objetos flutuantes e luzes piscantes: o que revelam documentos sobre óvnis divulgados pelo Pentágono
Real Noroeste
Real Noroeste conquista primeira vitória e segue vivo na Série D

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados