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Crítica: "Ad Astra" tem Brad Pitt em busca de um sentido na vida

Filme do diretor James Gray tem seus momentos de aventura, mas foca mais no aspecto psicológico da trama

Publicado em 25/09/2019 às 10h34
Atualizado em 26/09/2019 às 07h14

"Ad Astra", que no Brasil ganhou o desnecessário subtítulo "Rumo às Estrelas", não é nem de longe o filme que os trailers quiseram vender. O filme que chega hoje aos cinemas é um drama existencial com cenário de aventura de ficção científica (vendido no trailer), uma ousada mistura de "2001 – Uma Odisseia no Espaço" (1968) e "Apocalypse Now" (1979) – ou o livro em que a obra de Francis Ford Coppola se baseou, "Coração das Trevas", de Joseph Conrad.

Ad Astra - Rumo às Estrelas. Crédito: Fox Films/Divulgação
Ad Astra - Rumo às Estrelas. Crédito: Fox Films/Divulgação

Em "Ad Astra", Roy (Brad Pitt) embarca em uma jornada espacial para Netuno a fim de encontrar seu pai, Cliff (Tommy Lee Jones), desaparecido em uma expedição há 30 anos que pode ser a responsável pelo artefato que ameaça destruir o sistema solar. Durante toda a longa viagem, Roy se depara com adversidades que o fazem questionar a existência e talvez contemplar seu fim.

A trama tem início com uma incrível sequência de ação que poderia fazer parte de "Gravidade" (2013), de Alfonso Cuarón. Essa energia permanece por algum tempo, mas logo é substituída pela calmaria do espaço. É quando “Ad Astra” deixa claro o fato de não ser um longa sobre viagens e aventuras espaciais, mas sobre autoconhecimento, descobertas, perdas e, principalmente traumas do passado.

NARRATIVA

O diretor e roteirista James Gray (dos ótimos "A Cidade Perdida de Z" e "Donos da Noite") opta por uma narração que ajuda a entender as dúvidas existenciais que permeiam a mente de Roy – outra semelhança com "Apocalypse Now". A jornada, tal qual a vivida pelo Capitão Benjamin Willard (Martin Sheen) no clássico setentista, não tem um final definido. É justamente onde se encaixa outro aspecto forte de "Ad Astra": a religiosidade.

"Eu não sei se minha esperança é encontrá-lo ou me ver livre dele", diz Roy, em determinado momento – os problemas familiares no texto de Gray servem como metáforas para a busca por uma força maior que pode ou não significar um sentido. Seria melhor tê-la ou não?

"Ad Astra" é tecnicamente impressionante. A trilha sonora do alemão Max Ritcher e a fotografia de Hoyte van Hoytema (o mesmo de “Interestelar”) conferem ao filme a grandiosidade que uma grande aventura espacial deve ter. Ao mesmo tempo, Brad Pitt sai de sua zona de conforto com uma atuação que mesmo não sendo brilhante, consegue transmitir ao espectador as angústias e o sofrimento (físico, inclusive) de seu personagem.

Enquanto os mais aficionados por ficção científica devem se deliciar com "Ad Astra", o público que espera um novo blockbuster como "Interestelar", de Christopher Nolan, pode se decepcionar; o filme de James Gray faz tudo a seu tempo, com calma, sem recorrer às saídas mais fáceis. O ritmo, que cai vertiginosamente no terceiro ato, também pode incomodar. Há ação, há conflitos, mas há, sobretudo, contemplação e dúvidas sobre a natureza humana.

Ad Astra - Rumo Às Estrelas

Ficção científica. (Ad Astra, China/Brasil/EUA, 2019, 123min.)

Direção: James Gray.

Elenco: Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Donald Sutherland.

NOTA: 8

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