Publicado em 29 de janeiro de 2018 às 23:53
Talvez você, leitor, já tenha visto um outdoor sobre Altered Carbon, a nova série da Netflix, espalhado pela sua cidade nunca antes na história deste serviço de streaming uma série foi tão alardeada, e isso se justifica. A série baseada no livro de Richard K. Morgan é a mais cara já produzida pelo serviço e arrisca ao apostar na ficção científica, um gênero de nicho. Por isso, despertar a curiosidade do público é o mínimo que pode ser feito para recuperar o investimento.>
A trama se passa mais de 300 anos no futuro. Graças a uma nova tecnologia, a consciência humana pode ser digitalizada e arquivada em um cartucho. Isso faz com que os corpos humanos ou as capas, como são chamados sejam intercambiáveis; ninguém morre a não ser que o cartucho seja destruído.>
A ideia, que inicialmente oferece infinitas possibilidades, acabou se tornando quase uma exclusividade dos matusas, os ultramilionários que vivem em cidades nas nuvens. Eles criaram verdadeiros impérios, com corpos e até cartuchos reservas. A imortalidade, para eles, é praticamente certa.>
A história se desenrola quando um deles, Laurens Bancroft (James Purefoy), é assassinado e tem seu cartucho destruído antes do backup seu clone, assim, não tem as lembranças dos últimos momentos. Para descobrir o responsável, ele descongela Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman), um rebelde que lutava pelo fim da imortalidade, mas que acabou preso por séculos após confrontar os poderosos. Cabe a ele desvendar o que aconteceu com Bancroft e descobrir porque vários bandidos estão atrás de sua nova capa.>
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Ambientação>
O melhor aspecto de Altered Carbon está no mundo criado para a série. Bay City é escura, fria, perigosa e cheia de neon, algo bem próximo do mundo visto em Blade Runner. Logo no primeiro episódio a série já coloca o espectador diretamente dentro da história; o funcionamento das tecnologias, as possibilidades e os problemas proporcionados por ela são apresentados no decorrer dos 10 episódios da primeira temporada (a série já está renovada para uma segunda). Vários assuntos são abordados apenas superficialmente, o que não chega a ser um defeito, mas desperta a curiosidade. Vemos, por exemplo, as discussões religiosas da família de Kristin Ortega (Martha Higareda), mas isso nunca é aprofundado no mundo de Altered Carbon, há os que escolhem a mortalidade por questões filosóficas.>
Claro que um ambiente bem construído nada seria se a série não tivesse uma boa história. Mesmo que se>
perca um pouco na condução da investigação e no surgimento de novos personagens, o roteiro, ao final, satisfaz o suficiente para não comprometer. Quando a série finalmente revela sua trama central, ela engrena em uma crescente até os três episódios finais, que trazem um arco mais particular.>
Vale ressaltar também as violentas sequências de ação. Além dos ótimos efeitos visuais, a série traz boas cenas de luta Joel Kinnaman se sai bem tanto em momentos de mão livre quanto em sequência de combates com armas.>
Altered Carbon cria um universo de infinitas possibilidades narrativas, mas nem sempre as aproveita justamente pela obrigação de entregar um produto pop. Apesar disso, a série da Netflix é uma boa história de ação noir com pitadas sexy ambientada num futuro cyberpunk. Ao fim da primeira temporada (disponibilizada na íntegra para a imprensa), a vontade é de continuar mergulhado naquele universo. Vida longa a Altered Carbon... com trocadilho intencional.>
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