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Globo de Ouro tenta se reinventar após a pandemia e denúncias de corrupção

Entre os favoritos da cerimônia estão "Os Sete de Chicago", da Netflix, Chadwick Boseman, Glenn Close e as séries "The Crown", "Schitt's Creek" e "O Gambito da Rainha"

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/02/2021 às 09h01
Filme
"Os 7 de Chicago": Globo de Ouro pode ser a confirmação do favoritismo rumo ao Oscar 2021. Crédito: Niko Tavernise/NETFLIX

Se 2020 foi um ano atípico para a indústria do audiovisual - com salas de exibições fechadas, crescimento do streaming e estreias canceladas, por conta do avanço do Novo Coronavírus -, a situação entre as premiações do cinema e da televisão não poderia ser diferente. O lema continua sendo a necessidade de adaptação à nova realidade do mercado e as diferentes formas de consumir entretenimento.

Com transmissão marcada para este domingo (28), a partir das 22 horas, na TNT, o Globo de Ouro, que dá início à temporada de prêmios, ainda precisa resolver uma (complexa) crise interna: o crescente descrédito.  A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood, que conta com cerca de 90 membros e coordena a premiação, foi acusada, em reportagem publicada pelo Los Angeles Times há poucas semanas, de corrupção e conduta pouco ética para decidir seus indicados e vencedores (veja detalhes abaixo)

Polêmicas à parte, o Globo de Ouro perdeu em importância, deixando de ser considerado o termômetro do Oscar, posto que ficou a cargo do Screen Actors Guild, premiação do Sindicato dos Atores de Hollywood, que acontece nas próximas semanas. O SAG conta com mais de nove mil membros, a maioria também presente na Academia de Hollywood, que define quem vai levar a cobiçada estatueta dourada. 

Mesmo assim, o Globo de Ouro continua sendo uma festa que atrai holofotes e grandes astros, servindo como uma espécie de marketing pessoal, ou seja: quem leva o prêmio, faz seu discurso e mostra que está "firme e forte" na disputa do Oscar.  "Cartão de visitas" melhor, impossível. 

Lembrando que, como Oscar, o Globo de Ouro - por conta da pandemia - também aceitou que seus concorrentes de cinema estreassem apenas nos serviços de streaming e VOD, o que abre a porta para a Netflix ser a grande vencedora da noite.

DISTANTES PORÉM JUNTOS

Por conta da crise sanitária, a festa do Globo de Ouro, em 2021, promete não ter o glamour de anos anteriores, pois não haverá plateia. As apresentadoras Amy Poehler e Tina Fey estarão distantes. Uma ficará em Los Angeles, no Beverly Hilton Hotel (onde normalmente acontece a premiação) e outra em Nova York, mais precisamente em um Rainbow Room, localizado no topo do Rockefeller Plaza, sede da emissora NBC, que transmite o evento. 

Amy Poehler e Tina Fey, em ação no filme
Amy Poehler e Tina Fey, em ação no filme "Irmãs": juntas no Globo de Ouro novamente. Crédito: Universal Pictures

Os indicados ficarão em suas casas e farão seus discursos através de plataformas digitais, como o Zoom. Alguns apresentadores das categorias em disputa vão estar nos palcos, mas se dividindo entre NY e LA. Entre os convidados, estão os atores AwkwafinaJoaquin Phoenix, vencedores do ano passado. 

FAVORITOS

O Globo de Ouro pode ser a plataforma de arrancada de "Os Sete de Chicago" (Netflix) rumo ao Oscar de Melhor Filme. Sucesso de crítica, o drama de Aaron Sorkin (que se passa durante o processo que julgou um grupo de pessoas que protestava contra a Guerra do Vietnã, nos anos 1960) ultrapassou o belíssimo "Nomadland", de Chloé Zhao, na mesa de apostas. 

O longa-metragem tem a seu favor o fato de ter se destacado entre os votantes do SAG (um dos recordistas de indicações), tornando-se o favorito ao prêmio de Melhor Filme de Drama, o mais importante da noite. "Nomadland", porém, não deve ser descartado, especialmente por ter vencido os festivais de Veneza e Toronto e ser abraçado pela crítica estrangeira.

"Os Sete de Chicago" deve dar o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para um excelente Sacha Baron Cohen. O filme de Aaron Sorkin também é o favorito na categoria de Melhor Roteiro

Um ponto, porém, precisa ser destacado: para levar o Oscar, "Os Sete de Chicago" precisa vencer uma rixa histórica da Netflix ("lê-se" streaming) com a indústria de Hollywood - que coordena a festa via Academia Norte-Americana de Cinema. "Nomadland", ao contrário, conta com a simpatia dos executivos por ser um projeto "gestado" para o cinema, via estúdio Searchlight Pictures, da Disney

Filme
Chadwick Boseman vem ganhando elogios por sua atuação em "A Voz Suprema do Blues", da Netflix. Crédito: David Lee/Netflix

Chloé Zhao ("Nomadland") continua firme e forte, despontando como favorita ao prêmio de Melhor Diretor. A cineasta tem tudo para ser a segunda mulher na história a vencer o Oscar da categoria, feito conseguido apenas por Kathryn Bigelow ("Guerra ao Terror").

Mesmo sendo limitado dramaticamente, Chadwick Boseman (morto no ano passado) continua como favorito na categoria de Ator de Drama por sua participação em "A Voz Suprema do Blues". Há uma forte campanha da Netflix para que Boseman vença um Oscar póstumo. Carey Mulligan brilha na surpresa "Bela Vingança" e tem tudo para sair vencedora como Melhor Atriz de Drama. Suas maiores adversárias devem ser Viola Davis ("A Voz Suprema do Blues") e Frances McDormand ("Nomadland").

Para Atriz CoadjuvanteAmanda Seyfried ("Mank") e Glenn Close ("Era uma Vez um Sonho"), disputam voto a voto, com Close - que foi indicada ao Oscar sete vezes sem levar - tendo leve vantagem. 

Glenn Close, em
Glenn Close, em "Era uma Vez um Sonho": mais uma grande atuação da estrela de "Atração Fatal". Crédito: Netflix/Divulgação

O polêmico "Borat: Fita de Cinema Seguinte" desponta como Melhor Filme de Comédia e Musical, com Maria Bakalova, "búlgara-sensação" das temporadas de premiação da crítica americana, tendo chances de levar o troféu de Atriz de Comédia e Musical.  Lin-Manuel Miranda ("Hamilton") e o vencedor de Sundance 2020, "Minari", devem ganhar nas categorias de Ator de Musical e Comédia e Filme Estrangeiro

Na seara da televisão, a disputa parece estar bem mais definida. "The Crown" (Netflix) deve ser a série dramática mais premiada da noite (e um dos recordistas da festa). Melhor programa televisivo do ano, e vencedor de vários Emmys em 2020, "Schitt's Creek" tem tudo para "fazer a limpa" na categoria de Série de Comédia e Musical, com "O Gambito da Rainha", sensação da temporada passada na Netflix, despontando entre Melhor Minissérie ou Filme para a TV.  

DENÚNCIAS DE CORRUPÇÃO 

Nem tudo é festa para a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Uma jornalista norueguesa, que tentou entrar no seleto grupo de votantes do Globo de Ouro, afirmou que membros aceitam viagens, presentes caros, estadias em hotéis cinco estrelas e jantares, em troca de indicações e prêmios. 

Desta vez, acusaram "membros do clube exclusivo" da HFPA (sigla da entidade em inglês) de aceitar uma viagem à França em troca de apoio à série "Emily em Paris", da Netflix. A denúncia acabou em investigação da justiça norte-americana. 

Curiosamente, o programa televisivo, mesmo dividindo opiniões em relação a sua qualidade, conseguiu indicações nas categorias de Série de Comédia e Musical e Melhor Atriz de Comédia e Musical, para Lily Collins. Muitos jornalistas, inclusive, deixaram claro a sua insatisfação. 

Tradicional prêmio de Hollywood, o Globo de Ouro precisa vencer mais uma denúncia de corrupção. Crédito: HFPA
Tradicional prêmio de Hollywood, o Globo de Ouro precisa vencer mais uma denúncia de corrupção. Crédito: HFPA

As denúncias de corrupção sempre marcaram o Globo de Ouro. Em 1993, por exemplo, membros da HFPA foram encontrados jantando com executivos da Universal, em uma conversa "ao pé do ouvido" para promover "Perfume de Mulher". O resultado? O longa estrelado por Al Pacino venceu como Melhor Filme de Drama, Roteiro e Ator. No Oscar, Pacino foi o único vencedor do projeto, deixando as maiores vitórias para o faroeste "Os Imperdoáveis".  

INDICADOS AO GLOBO DE OURO 2021

  • Cinema

  • Melhor Filme - Drama
  • “Meu Pai”
  • “Mank”
  • “Nomadland”
  • “Bela vingança”
  • “Os 7 de Chicago”

  • Melhor Filme - Musical ou comédia
  • “Borat: fita de cinema seguinte”
  • “Hamilton”
  • “Palm Springs”
  • “Music”
  • “A Festa de Formatura”

  • Melhor Diretor
  • Emerald Fennell — "Bela Vingança"
  • David Fincher — "Mank"
  • Regina King — "Uma noite em Miami..."
  • Aaron Sorkin — "Os 7 de Chicago"
  • Chloé Zhao — "Nomadland"

  • Melhor Atriz de Filme - Drama
  • Viola Davis ("A voz suprema do blues")
  • Andra Day ("Estados Unidos Vs Billie Holiday")
  • Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman")
  • Frances McDormand ("Nomadland")
  • Carey Mulligan ("Bela vingança")

  • Melhor Ator de Filme - Drama
  • Riz Ahmed (“O som do silêncio”)
  • Chadwick Boseman (“A voz suprema do blues”)
  • Anthony Hopkins (“Meu pai”)
  • Gary Oldman (“Mank”)
  • Tahar Rahim (“The Mauritanian”)

  • Melhor Atriz de Filme - Musical ou Comédia
  • Maria Bakalova (“Borat: Fita de cinema seguinte”)
  • Michelle Pfeiffer (“French Exit”)
  • Anya Taylor-Joy (“Emma”)
  • Kate Hudson (“Music”)
  • Rosamund Pike (“I Care a Lot”)

  • Melhor Ator em Filme - Musical ou Comédia
  • Sacha Baron Cohen (“Borat: fita de cinema seguinte”)
  • James Corden (“A Festa de Formatura”)
  • Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”)
  • Dev Patel (“The Personal History of David Copperfield”)
  • Andy Samberg (“Palm Springs”)

  • Melhor Ator Coadjuvante
  • Sacha Baron Cohen (“Os sete de Chicago”)
  • Daniel Kaluuya (“Judas e o messias negro”)
  • Jared Leto (“Os pequenos vestígios”)
  • Bill Murray (“On the Rocks”)
  • Leslie Odom, Jr. (“Uma noite em Miami...”)

  • Melhor Atriz Coadjuvante
  • Glenn Close (“Era uma vez um sonho”)
  • Olivia Colman (“Meu pai”)
  • Jodie Foster (“The Mauritanian”)
  • Amanda Seyfried (“Mank”)
  • Helena Zengel (“News of the World”)

  • Melhor Roteiro
  • “Bela vingança"
  • “Mank”
  • “Os 7 de Chicago"
  • “Meu pai"
  • “Nomadland”

  • Melhor Filme em Língua Estrangeira
  • “Another Round” ("Druk") - Dinamarca
  • “La Llorona” - Guatemala / França
  • "Rosa e Momo (“The Life Ahead” ou "La vita davanti a sé") - Itália
  • "Minari - Em Busca da Felicidade" - EUA
  • "Nós duas" (“Two of Us” ou "Deux") - França e EUA

  • Melhor Animação
  • “Os Croods 2: Uma Nova Era”
  • “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”
  • “A caminho da Lua"
  • “Soul”
  • “Wolfwalkers”

  • Melhor Trilha Sonora
  • “O céu da meia-noite” – Alexandre Desplat
  • “Tenet” – Ludwig Göransson
  • “News of the World” – James Newton Howard
  • “Mank” – Trent Reznor, Atticus Ross
  • “Soul” – Trent Reznor, Atticus Ross, Jon Batiste

  • Melhor Canção Original
  • “Fight for You” de "Judas e o messias negro" – H.E.R., Dernst Emile II, Tiara Thomas
  • “Hear My Voice” de “Os 7 de Chicago” – Daniel Pemberton, Celeste
  • “Io Si (Seen)” de “Rosa e Momo” – Diane Warren, Laura Pausini, Niccolò Agliardi
  • “Speak Now” de “Uma noite em Miami...” – Leslie Odom Jr, Sam Ashworth
  • “Tigress & Tweed” de "Estados Unidos Vs Billie Holiday" – Andra Day, Raphael Saadiq

  • TV

  • Melhor Série - Drama
  • “The Crown”
  • “Lovecraft Country”
  • “The Mandalorian”
  • “Ozark”
  • “Ratched”

  • Melhor Série - Musical ou Comédia
  • "Emily In Paris"
  • "The Flight Attendant"
  • "The Great"
  • "Schitts Creek "
  • "Ted Lasso"

  • Melhor Série Limitada ou Filme para TV
  • “Normal People”
  • “The Queen’s Gambit”
  • “Small Axe”
  • “The Undoing”
  • “Unorthodox”

  • Melhor Atriz em Série - Drama
  • Emma Corrin (“The Crown”)
  • Olivia Colman (“The Crown”)
  • Jodie Comer (“Killing Eve”)
  • Laura Linney (“Ozark”)
  • Sarah Paulson (“Ratched”)

  • Melhor Ator em Série - Drama
  • Jason Bateman (“Ozark”)
  • Josh O’Connor (“The Crown”)
  • Bob Odenkirk (“Better Call Saul”)
  • Al Pacino (“Hunters”)
  • Matthew Rhys (“Perry Mason”)

  • Melhor Atriz em Série - Musical ou Comédia
  • Lily Collins (“Emily in Paris”)
  • Kaley Cuoco (“The Flight Attendant”)
  • Elle Fanning (“The Great”)
  • Jane Levy (“Zoey’s Extraordinary Playlist”)
  • Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”)

  • Melhor Ator em Série - Musical ou Comédia
  • Don Cheadle (“Black Monday”)
  • Nicholas Hoult (“The Great”)
  • Eugene Levy (“Schitt’s Creek”)
  • Jason Sudeikis (“Ted Lasso”)
  • Ramy Youssef (“Ramy”)

  • Melhor Atriz em Série Limitada ou Filme para TV
  • Cate Blanchett (“Mrs. America”)
  • Daisy Edgar-Jones ("Normal People")
  • Shira Haas (“Unorthodox”)
  • Nicole Kidman (“The Undoing”)
  • Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”)

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série
  • Gillian Anderson - "The crown"
  • Helena Boham Carter - "The crown"
  • Julia Garner - "Ozark"
  • Annie Murphy - "Schitt's creek"
  • Cynthia Nixon - "Ratched"

  • Melhor Ator Coadjuvante em Série
  • John Boyega (“Small Axe”)
  • Brendan Gleeson (“The Comey Rule”)
  • Dan Levy (“Schitt’s Creek”)
  • Jim Parsons (“Hollywood”)
  • Donald Sutherland (“The Undoing”)

  • Melhor Ator em Série Limitada ou Filme para TV
  • Bryan Cranston (“Your Honor”)
  • Jeff Daniels (“The Comey Rule”)
  • Hugh Grant (“The Undoing”)
  • Ethan Hawke (“The Good Lord Bird”)
  • Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”)

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