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Netflix: "Confissões de uma Garota Excluída" discute bullying com bom humor

Filme baseado no livro de Thalita Rebouças agrada graças ao bom elenco adolescente, encabeçado por Klara Castanho, e por coadjuvantes em excelente timing de comédia, como Júlia Rabello e Rosane Gofman

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 22/09/2021 às 08h50
Netflix lança a comédia brasileira
Netflix lança a comédia brasileira "Confissões de Uma Garota Excluída" nesta quarta-feira (22). Crédito: Laura Campanella/Netflix

Tetê (Klara Castanho) é uma adolescente normal das grandes cidades, tão comum que poderia ser sua vizinha ou até mesmo você. Tímida, nerd, sonhadora, CDF (nem sei se a galera usa mais esse adjetivo para rotular o melhor aluno da classe) e que estuda em um colégio com arquétipos que parecem ter saído de um filme de John Hughes ("Clube dos Cinco"), com o aluno gostosão e pegador (Lucca Picon), o gay companheiro (Marcus Bessa), o rapaz tímido e sonhador (Gabriel Lima) e a bonitona esnobe e mais desejada do pedaço (Júlia Gomes). Entre eles, claro, rola muita tensão, pegação e atritos.

Essa é a premissa de "Confissões de uma Garota Excluída", que estreia nesta quarta-feira (22), na Netflix, fugindo dos clichês comuns das comédias adolescentes. Baseado no livro de Thalita Rebouças - "Confissões de uma Garota Excluída, Mal-Amada e (Um Pouco) Dramática - o longa-metragem traz frescor à produção nacional voltada ao público jovem, falando abertamente de temas necessários, como bullying e insegurança afetiva, assuntos inerentes à geração, com uma bem-vinda leveza e descontração.

Além do carisma de Klara Castanho como protagonista - sua Tetê, com manias e frustrações, cativa pela espontaneidade -, o filme também se destaca pela força dos coadjuvantes, em especial Júlia Rabello e Rosane Gofman, respectivamente mãe e avó da nossa anti-heroína, ambas à vontade e se divertindo em cena. Quem disse que comédias adolescentes não podem ser inteligentes e bem humoradas, além de passarem mensagens socialmente engajadas sem didatismos ou caretices?

"Confissões" poderia ser um filme recheado de conflitos mais sérios, especialmente por conta dos embates entre as personagens de Klara Castanho e Júlia Gomes, em constante confronto pela atenção dos colegas e com suas eternas buscas por autoaceitação. Mas Thalita Rebouças, em entrevista coletiva da qual o "Divirta-se" foi um dos convidados, logo tratou de afirmar que sempre pensou em apresentar o projeto como uma história solar e tipicamente carioca.

"Não sei escrever sem fazer graça (risos). Em meus livros e suas adaptações, se não tiver graça, não é uma história minha. Por mais dramática que seja a trama, o bom humor sempre impera", adiantou a escritora, que também ajudou na transposição da narrativa para as telonas.

Sobre a escolha do elenco, Thalita confessou que nunca teve dúvida em relação à protagonista. "A Klara Castanho foi minha primeira e única opção para viver Tetê. Trabalhamos juntas desde 'Tudo por Um Popstar', como também repito a parceria como diretor Bruno Garotti (que também dirigiu "Popostar"). Nossa sintonia foi fundamental para contarmos essa história universal, mas que conta com um DNA bem brasileiro. Tipo uma crise de adolescentes em Copacabana, sabe?", brinca a escritora.

Galera reunida para a aula: cena do filme
Galera reunida para a aula: cena do filme "Confissões de uma Garota Excluída", filme que estreia na Netflix. Crédito: Netflix/Divulgação

Também presente na coletiva, Garotti assumiu que dirigir filmes abordando os dilemas do público teen sempre o fascinou. "Contar história de jovens flui mais naturalmente. Desde 'Confissões de Adolescente', o assunto foi se expandindo e atualizando, criando várias possibilidades dramáticas. Sempre admirei diretores que contam o cotidiano dos jovens com naturalidade, como John Hughes, Steven Spielberg ("ET") ou mesmo o jeito intelectualizado de François Truffaut", enumera.

Por falar no mestre francês, talvez seja dele o melhor projeto que abordou as dores e as delícias do rito de passagem entre a juventude e a idade adulta, com o clássico "Os Incompreendidos" (1959). Tomando as devidas proporções, Tetê também busca seu lugar no mundo e não saber dialogar com os pais, como o protagonista do longa clássico, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud).

CRISES

Sempre é preciso ressaltar que "Confissões de uma Garota Excluída", mesmo com todo seu bom humor, aborda um tema sério, o bullying, capaz de desconstruir afetiva e socialmente qualquer pessoa, principalmente os jovens e sua personalidade em formação.

"É um tema urgente e que precisa ser debatido. Para isso, usamos a linguagem do jovem, assim optamos por comunicação direta. Em nenhum momento a gente quis usar uma abordagem panfletária. Optamos pela leveza, pois, em alguns casos, o adolescente costuma se levar muito a sério. Por que encucar ainda mais?", pontua Thalita Rebouças.

Klara Castanho, uma das mais assediadas durante o bate-papo, afirmou ter usado memórias afetivas do tempo de escola para compor Tetê. "A maioria dos adolescentes não gosta do que vê quando se olha no espelho. Eu era muito assim (risos). Também não sabemos trabalhar bem com as críticas e nos cobramos muito. Eu tive um agravante: cresci sendo pública, desde criança trabalhando na TV. Por isso, sempre esperei por críticas muito fortes vindas do mundo exterior", reflete.

Tetê (Klara Castanho) em busca do primeiro beijo em
Tetê (Klara Castanho) em busca do primeiro beijo em "Confissões de uma Garota Excluída". Crédito: Netflix/Divulgação

Como todo jovem conectado, Tetê adora "stalkear", mesmo que de leve, aquela pessoa "especial" pelas redes sociais. Sempre bem-humorada, Klara diz que não é muito diferente da personagem.

"Sou 'stalker', sim. Vou atrás de todos que quero conhecer e adoro descobrir coisas na internet. Se for feito com respeito e carinho, e de leve, não vejo problema algum", complementa, sempre com um sorriso maroto, como se estivesse preparando mais alguma travessura. 

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