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Chuva no ES

Enchente em Muniz Freire: relatos para entrar na história

O cenário piora quando se analisa o histórico recente de Muniz Freire, há anos mergulhado em graves problemas econômicos e políticos

Publicado em 11 de Fevereiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

11 fev 2020 às 04:00
Herbert Soares

Colunista

Herbert Soares

Muniz Freire registra prejuízos com chuva do fim de semana Crédito: Divulgação | Defesa Civil Muniz Freire
“Alerta de enxurradas para Muniz Freire (ES). Evite áreas de risco e procure abrigos em locais seguros. Proteja-se!”. O aviso, enviado pela Defesa Civil do Espírito Santo no dia 24 de janeiro de 2020, antecedeu momentos de terror, numa noite que transformou-se na maior tragédia da história do município.
Este colunista, orgulhosamente nascido e criado em Muniz Freire, embora longe, também sofreu com as consequências ocasionadas pelas fortes chuvas. Aliás, direta ou indiretamente, todos os muniz-freirenses foram impactados, mesmo aqueles com origem no município e atualmente residindo fora.
A internet, aliada na busca por informação, dessa vez despertou aflição e tristeza. Primeiro, a preocupação por não saber da condição dos familiares e amigos e, logo depois, a profunda tristeza ao ver imagens desesperadoras de todo o território, afinal, diferente de casos anteriores, os estragos causados pela chuva de 2020 atingiram a sede e os distritos ao mesmo tempo.
Passados quatro dias, observei pessoalmente trechos de estrada em meia pista e muita lama na rodovia Muniz Freire x BR 262. Na sede do município, ainda amarela e suja, duas cenas distintas: parte da população retornando suas atividades profissionais enquanto os valorosos voluntários e funcionários da prefeitura lotavam um carro com colchões para serem encaminhados aos desabrigados.
Em cada conversa, as situações que imaginamos ocorrer somente com anônimos, vão ganhando nome e sobrenome. Conhecidos da infância perderam literalmente tudo, um primo viu as águas devastarem sua pizzaria e um irmão saiu de casa na madrugada por risco de queda de barreira.
Da professora aposentada Ercília Pastore, testemunha de enchentes do passado, ouvi: “Agora sei o que é estar num campo de batalha, foi horrível”. De uma amiga da minha mãe, a frase mais tocante: “Minha cunhada, que é viúva, perdeu tudo e não tem boa condição financeira, como vai começar tudo do zero de novo?”.
Apenas em Muniz Freire, segundo relatório da Defesa Civil do Estado, os danos contabilizados superam os R$ 14 milhões de reais. Outros dados impressionam: entre 24 e 25 de janeiro choveu 150 milímetros e mais de 500 pessoas foram obrigadas a sair de casa. Distritos ficaram isolados, a rodovia ES 379, na direção de Iúna, foi parcialmente destruída e a ES 482, que liga a Alegre, inundou.
Para dificultar, algumas secretarias municipais foram afetadas, bem como máquinas da prefeitura e a unidade de saúde da sede, que foi interditada. Além disso, o deslizamento de terra arruinou inúmeras moradias, o abastecimento de água foi interrompido, várias ruas ficaram sem energia elétrica, o início do ano letivo foi adiado e só na sede foram recolhidos mais de 100 toneladas de entulho.
Da mesma forma, a agricultura, motor da economia local, amargou prejuízo e certamente impactará negativamente na frágil conjuntura financeira do município. Assim, perante o quadro desolador, o governo do Estado decretou Situação de Emergência no dia 28 de janeiro, medida igualmente instituída pelo governo federal, em ato publicado no Diário Oficial da União no dia 30, abrangendo 16 cidades capixabas.
O cenário piora quando se analisa o histórico recente de Muniz Freire, há anos mergulhado em graves problemas econômicos e políticos, inclusive com atraso no salário dos servidores da prefeitura. Sua reconstrução, portanto, é um imenso desafio, mas o motivo para crer em dias melhores e fortalecer a luta dos moradores, já existe: mesmo diante de tanta destruição, nenhuma vida foi perdida.

Herbert Soares

É mestre em História pela Ufes. Neste espaço, a história capixaba é a protagonista, sem deixar de lado as atualidades. Escreve às terças.

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