Publicado em 30 de agosto de 2025 às 06:00
Em um cenário corporativo cada vez mais consciente da importância do bem-estar, muitas empresas têm direcionado olhares e recursos para a saúde mental de seus colaboradores. >
Longe de ser apenas um benefício assistencial, esse movimento não só ajuda a promover ambientes de trabalho mais saudáveis, mas também resulta em equipes mais engajadas e produtivas.>
A valorização do equilíbrio psicológico no universo corporativo se tornou, nos últimos anos, um diferencial competitivo e base de sustentação para o sucesso empresarial.>
Para a psicóloga Cynthia Perovano Camargo, da Diretoria de Atenção à Saúde da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a valorização da saúde emocional no contexto corporativo tem se tornando um pilar essencial, porque o cenário de trabalho contemporâneo exige mais do que meras competências técnicas; demanda habilidades interpessoais como inteligência emocional, resolução de problemas, adaptabilidade e boa comunicação. >
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“Empresas que cultivam a saúde emocional de seus colaboradores tendem a ser mais inovadoras, sustentáveis e humanas”, afirma.>
Ela acrescenta que, ao investir em saúde emocional, as empresas almejam desenvolver equipes mais equilibradas e colaborativas. >
“A inteligência emocional, considerada uma soft skill crucial, impulsiona o desempenho, fortalece a colaboração e estimula a inovação, contribuindo para um clima organizacional mais saudável e para maior adaptabilidade. Funcionários emocionalmente saudáveis tomam decisões mais conscientes, lidam melhor com o estresse e impactam diretamente na produtividade e a retenção de talentos”, explica.>
Segundo Cynthia Perovano, estes são alguns reflexos da saúde emocional na produtividade:
A psicóloga também lista métricas para avaliação do ambiente corporativo:
Cynthia acredita que o investimento em saúde emocional se tornará um padrão. "O futuro do trabalho é humano e relacional", ressalta.
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Para a competitividade, as empresas precisarão fortalecer soft skills como comunicação, cooperação e regulação emocional, que serão o “novo mínimo esperado" para profissionais e líderes. >
Na sua avaliação, o bem-estar emocional, longe de ser um luxo, é um componente estratégico da saúde organizacional, especialmente em uma era de inteligência artificial, em que a inteligência emocional fará a diferença.>
Um exemplo de iniciativa que a psicóloga cita é o projeto "Pausa Consciente" da Ufes, iniciado em 2020, durante a pandemia. Com encontros semanais (e agora mensais) sobre autocuidado e práticas de saúde física e mental, o projeto oferece um importante espaço de troca, apoio e conexão, sendo avaliado positivamente pelos participantes.>
Outra iniciativa de atividades voltadas para o bem-estar é desenvolvida pela Suzano. A indústria de celulose tem um programa voltado à promoção da saúde emocional e bem-estar de seus colaboradores. O objetivo da empresa é criar um ambiente seguro e saudável. >
Para isso, atua em frentes que contemplam saúde física, mental, social, preventiva e ergonômica, sempre com foco no desenvolvimento integral do indivíduo e na construção de relações mais empáticas e produtivas, com o programa “Faz Bem”.>
Entre as iniciativas estão um canal 0800 de apoio psicológico, nutricional, jurídico e social para os colaboradores e dependentes; uma plataforma com jornada personalizada de autocuidado e sessões terapêuticas e ainda um programa com promoção de práticas de mindfulness (atenção plena) e acompanhamento de saúde mental. >
Na Viação Águia Branca o cuidado com a saúde mental também ganhou atenção especial nos últimos anos, principalmente após a pandemia da Covid-19. Fernanda Sabino, executiva de gestão de pessoas da empresa, falou sobre as iniciativas e os resultados positivos obtidos, destacando o impacto direto na produtividade e na retenção de talentos.>
Fernanda conta que desde o período pós-pandemia, a Águia Branca instituiu uma área dedicada à segurança psicológica. Esse setor conta com um profissional exclusivo para atendimento clínico e psicológico. O suporte é oferecido não apenas aos funcionários, mas também aos seus familiares, partindo do entendimento de que uma família adoecida pode interferir diretamente na vida e na produtividade do profissional. >
“Esse apoio é crucial, especialmente para o maior público da empresa, os motoristas, que precisam de presença plena na execução de suas atividades”, afirma.>
A empresa também desenvolveu o programa "Movimento de Águia", focado em atividades físicas e em iniciativas com objetivo de serem uma válvula de escape para a tensão. São promovidas semanalmente atividades de vivência, incluindo meditação, aulas de ioga e atividades dançantes, como aulas de forró durante o expediente, que permitem que as pessoas extravasem e encontrem métodos alternativos para lidar com o estresse.>
A executiva aponta que entre os impactos com as medidas estão a redução dos índices de afastamento por saúde mental, o aumento na produtividade e a retenção e atração de talentos. >
Outra empresa que tem investido em saúde mental é a Vixpar. Débora Abade, gerente-executiva de pessoas, explica que a empresa percebeu a crescente necessidade de abordar o tema num contexto de aceleração tecnológica e após a pandemia ter evidenciado o desafio de conciliar produtividade e bem-estar.>
As ações da Vixpar, segundo ela, incluem rodas de conversa, diagnósticos de equipes, terapia para profissionais-chave, canal de acolhimento 24h e treinamento de líderes para observar a saúde mental dos liderados. O foco é um clima interno que promova equilíbrio emocional e segurança.>
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