Publicado em 7 de setembro de 2025 às 06:00
Em um mercado de trabalho em constante transformação, a capacidade de se adaptar e o desenvolvimento contínuo têm sido peças-chave para os profissionais se destacarem e se manterem atualizados. >
Para ir além e se consolidar como uma referência no mercado de trabalho ou na empresa onde atua, não basta apenas dominar sua área: é preciso cultivar um conjunto específico de habilidades. >
E não são apenas os profissionais que estão atentos a essas demandas. O tema tem ganhado a atenção das empresas, que vêm redesenhando suas estratégias internas para capacitar suas equipes e impulsionar o desenvolvimento profissional.>
Nesse caminho, o investimento em hard skills e soft skills tem sido fundamental para que profissionais se tornem referências em suas áreas e para o fortalecimento das organizações, avalia a professora Priscilla Martins-Silva, do Departamento de Administração da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).>
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Ela aponta as diferenças entre as duas categorias de habilidades. As hard skills, ou habilidades técnicas, são aquelas que podem ser aprendidas e, em geral, verificadas, como as certificações, os cursos técnicos ou as graduações. >
Já as soft skills, também chamadas de habilidades socioemocionais, são aprendidas ao longo da vida, desde a infância, por meio da vivência com colegas, família e na escola. São competências desenvolvidas continuamente, a exemplo da criatividade, resistência à frustração, liderança, agilidade, capacidade de negociação, orientação a resultados, comunicação e escuta ativa.>
Um ponto destacado por Priscilla é que o processo de desenvolvimento dessas habilidades é contínuo e não tem restrição de idade. >
Priscilla Martins-Silva
Professora do Departamento de Administração da UfesA especialista enfatiza que uma organização voltada para esse desenvolvimento beneficia a todos: tanto a empresa quanto o trabalhador. Além disso, quando o profissional percebe esse apoio, demonstra maior interesse em crescer e permanecer na empresa. O objetivo final é que ele possa se tornar uma referência em sua área ao longo de sua trajetória.>
A Suzano, por exemplo, aposta no desenvolvimento de habilidades para a construção de uma cultura colaborativa, inovadora e de alta performance. >
A consultora de Recursos Humanos da empresa, Cecília Villanova, afirma que a companhia adota trilhas de desenvolvimento que incluem temas como inteligência emocional, comunicação assertiva, escuta ativa, feedback, gestão de conflitos e liderança humanizada. >
“Essas competências são trabalhadas por meio de programas, formações internas, workshops e diálogos com especialistas. Também utilizamos ferramentas de avaliação de desempenho e feedbacks estruturados para identificar oportunidades de desenvolvimento comportamental”, detalha.>
Já no caso das hard skills, Cecília pontua que a Suzano apoia o desenvolvimento técnico dos colaboradores com iniciativas que vão desde capacitações internas e treinamentos, até o incentivo à participação em cursos externos, certificações e eventos técnicos. >
Para ela, os principais desafios para desenvolver e reter profissionais que se destacam estão relacionados à alta competitividade do mercado, à velocidade das transformações tecnológicas e à necessidade de alinhar propósito pessoal com o organizacional.>
“Por isso, buscamos oferecer um ambiente que valorize a diversidade, o protagonismo e o desenvolvimento contínuo, criando condições para que os talentos cresçam conosco”, ressalta.>
Hugo Arouca, gerente-geral de Talentos e Marca Empregadora da Vale, também valoriza o desenvolvimento de soft skills na mineradora. >
“Na Vale, entendemos que um bom posicionamento no mercado de trabalho é aquele que alia excelência técnica a habilidades humanas. Para se destacar no mercado e se tornar referência em sua área, é fundamental desenvolver competências como comunicação empática, colaboração, adaptabilidade, pensamento crítico e protagonismo”, afirma. >
Ele ressalta que essas soft skills são especialmente relevantes em um setor em transformação como o da mineração, que tem caminhado para ser mais seguro, sustentável, diverso e digital e, segundo Arouca, isso exige profissionais capazes de atuar em ambientes colaborativos, com abertura ao novo e foco em soluções inovadoras.>
“Além disso, a capacidade de aprender e se reinventar é cada vez mais importante. A tecnologia está evoluindo rapidamente, mas são as habilidades humanas que garantem que ela seja usada com ética, empatia e impacto positivo”, pontua.>
O desenvolvimento das habilidades comportamentais e técnicas pode ser conduzido mesmo antes da faculdade ou da chegada ao mercado de trabalho, ainda na escola. E o projeto Stem Racing é um exemplo. >
Integrante do projeto Pocadores e apoiado pela ArcelorMittal, o Stem Racing simula uma escuderia de Fórmula 1 para desenvolver habilidades em jovens de 13 a 19 anos. Com apoio da F1 e 20 anos de história internacional, o projeto desenvolvido no Sesi já soma seis títulos estaduais e quatro participações em finais mundiais, sendo a equipe brasileira mais premiada.>
Os alunos atuam em funções como engenharia, finanças e marketing, elaborando miniaturas de carros, conduzindo projetos e fabricando peças. Desenvolvem portfólios, gerenciam uma loja de produtos e aprimoram o inglês, explica o professor Bruno de Castro, técnico do time. >
“A equipe busca mentoria de especialistas do mercado, como engenheiros e profissionais de design gráfico, que compartilham seus processos reais. Há também um constante processo de benchmarking com outras equipes para troca de conhecimentos e dicas”, detalha.>
Além de habilidades técnicas, o projeto cultiva trabalho em equipe, comunicação, oratória e protagonismo, combatendo a inibição. Fomenta também a resolução de problemas e a sustentabilidade com projetos sociais.>
O professor conta ainda que a experiência no Stem Racing é um diferencial no mercado, com ex-integrantes sendo empregados por patrocinadores no decorrer da vida estudantil ou profissional.>
Entre os setores que exigem mais que formação técnica está o de saúde. Seguir uma carreira nessa área vai muito além de escolher uma profissão. É preciso assumir a responsabilidade de cuidar da vida do outro com preparo, ética e sensibilidade, aponta Gláucia Motta, gestora acadêmica da Emescam. >
"Por isso, quando falamos em qualificação, não se trata apenas de oferecer conhecimento técnico-científico, ainda que ele seja essencial. Formar um profissional da saúde exige também o desenvolvimento de habilidades humanas, como escuta, empatia, responsabilidade e sensibilidade. São essas competências que, somadas ao domínio técnico, fazem toda a diferença na atuação real do profissional", ressalta.>
Gláucia afirma que essa visão integra cada etapa da formação na Emescam. Com mais de cinco décadas de história, um dos pilares que sustenta essa trajetória, segundo ela, é o compromisso em formar profissionais completos, preparados para atuar com excelência, mas também com humanidade.>
A gestora da instituição acrescenta que o aluno não precisa esperar os últimos períodos para colocar a mão na massa. Desde o início do curso, ele vivencia a prática em espaços reais como o Hospital Santa Casa, a Maternidade Pró-Matre, a Clínica de Fisioterapia da instituição e o Centro de Simulação Vitória Grand Tech, um dos mais modernos do Estado.>
"Essa vivência precoce fortalece não só a segurança técnica, mas também o senso de acolhimento e responsabilidade diante do outro. A formação é completa porque integra conhecimento científico, ética e cuidado", conclui. >
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