Publicado em 24 de agosto de 2025 às 06:00
Digitalização avançada, inteligência artificial, envelhecimento populacional e novas dinâmicas sociais. Essas são algumas das temáticas que têm redesenhado profissões e gerado uma transformação sem precedentes no mercado de trabalho ao redor do mundo. O cenário suscita questionamentos e a necessidade de encontrar soluções. E essa busca, apontam especialistas, passa por uma preparação contínua dos profissionais. >
Neste contexto, estudiosos afirmam que a complexidade e o dinamismo do mercado atual exigem uma articulação estreita entre formação técnica e superior para que os trabalhadores – e empresas – estejam prontos para os desafios desse mercado, que requer profissionais cada vez mais versáteis, com habilidades práticas, visão ampla dos processos e orientados a resultados.>
Miriam Rodrigues, professora de Administração na Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional, explica essa articulação: >
"Enquanto a formação técnica oferece uma capacitação prática e específica que habilita o profissional a atuar rapidamente em setores produtivos, a formação superior amplia o repertório teórico, o pensamento crítico e as competências transversais, promovendo a adaptabilidade e a inovação.”>
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A combinação, segundo Miriam, potencializa a empregabilidade ao alinhar habilidades operacionais com conhecimentos estratégicos, algo essencial em áreas intrinsecamente ligadas à Tecnologia da Informação (TI), por exemplo. Áreas como Saúde e Engenharia também devem estar no foco das ações para capacitação e modernização dos processos.>
"Políticas públicas e programas de ensino dual, como adotados na Alemanha, por exemplo, demonstram o sucesso da articulação entre ensino técnico e superior em consonância com o setor produtivo, apresentando como resultados taxas menores de desemprego juvenil e maior alinhamento com as necessidades do mercado", defende a especialista.>
O argumento da professora é reforçado por Richardson Schmittel, diretor regional do Senac Espírito Santo.>
"Se analisarmos países considerados mais bem desenvolvidos economicamente, vamos perceber que há um alto percentual de pessoas qualificadas tecnicamente para suprir as principais demandas do mercado, principalmente quando esses países identificam e investem em suas potencialidades", pontua.>
Para Richardson, nessa identificação, deve haver um equilíbrio entre as competências técnicas e emocionais.>
“Há algum tempo, as habilidades técnicas predominavam sobre as emocionais e comportamentais. Havia uma necessidade maior de preencher lacunas do ponto de vista da produção, o que envolvia a contratação de profissionais com formação específicas, ou seja, o conhecimento e a qualificação. No entanto, as dinâmicas do mundo do trabalho estão passando por intensas transformações. O desenvolvimento de tecnologias e a incorporação de novas ferramentas exigem não só habilidades técnicas, mas também comportamentais”, avalia.>
Carla Letícia Alvarenga Leite, pró-reitora do Centro Universitário Faesa, sustenta que a formação técnica e a superior são pontos primordiais para atender às demandas do mercado, já que desenvolvem tanto as competências específicas quanto as habilidades socioemocionais e de liderança, como as pontuadas pelo diretor regional do Senac-ES. >
"A capacidade de aprender continuamente se tornou essencial, já que o conhecimento se renova em ritmo acelerado. E não podemos esquecer que o respeito entre as pessoas, seja nas relações entre as equipes de trabalho, seja com parceiros de mercado, seja com clientes, sempre será o elemento principal que nunca estará ultrapassado, não importa a área de atuação", defende Carla Letícia.>
A pró-reitora da Faesa ainda avalia que, para setores que demandam qualificação permanente como TI, áreas da Saúde e da Engenharia, as soluções para evolução estão na atuação conjunta de instituições de ensino, empresas e governos.>
"Como exemplo, o recém-lançado Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo ES 500 Anos apresenta como uma de suas visões o Polo de Competências, com foco na preparação da força de trabalho para os desafios do futuro, com ênfase em educação, capacitação, requalificação e adaptação às novas demandas do mercado", cita Carla Letícia.>
Richardson Schmittel avalia que lidar com novas dinâmicas, engajar, envolver, identificar e propor soluções para desafios tornou-se tão importante quanto ter profissionais qualificados. >
“Profissionais relacionam-se com outras pessoas e empresas. Por isso, devem ter competências para desenvolver ideias inovadoras, solucionar problemas, ter pensamento sistêmico e criativo. Acredito que esse conjunto de fatores que podem ser desenvolvidos nos profissionais das mais diversas áreas são as habilidades mais buscadas por empresas neste momento.”>
Para Bruno Lamas, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Educação Profissional, a resposta é clara: o Espírito Santo está no caminho certo. >
"O nosso Estado é o que, proporcionalmente, mais investe no ensino profissionalizante e superior. Temos programas como o ‘Qualificar ES’ e o ‘Nossa Bolsa’, este que já beneficiou mais de 30 mil capixabas com bolsas de estudo. Os últimos editais têm priorizado áreas como TI, Saúde e Engenharia porque são profissionais estratégicos para o desenvolvimento do Estado", diz.>
O secretário defende que, com essas e outras frentes, o Espírito Santo tem acompanhado as tendências e a flexibilização do trabalho global para que as novas gerações alimentem propósitos e invistam no empreendedorismo conectadas às principais demandas do mercado.>
Para atender a essasdemandas, profissões também podem surgir com a capacitação dos trabalhadores, abrindo espaço para novas atividades que podem ser tocadas tanto por quem está chegando ao mercado quanto por pessoas mais experientes que buscam reinvenção profissional. É o que aposta Luiz Vagner Raghi, professor do curso de Administração da Universidade Mackenzie.>
Ele explica que a maioria das profissões surgidas nos últimos anos está, de alguma forma, ligada à tecnologia e são atividades consideradas “do futuro”, em um contexto de transformação digital, sustentabilidade, saúde e avanço da inteligência artificial, por exemplo, fatores que colaboram com a formação técnica e a ocupação de novos espaços.>
“A previsão para o futuro aponta duas direções: digitalização e humanização. Todos os profissionais que incorporarem conhecimentos relacionados terão alto potencial de empregabilidade. Quando falamos de novas profissões, estamos falando de especialistas em cibersegurança, profissionais de saúde digital, gestores de sustentabilidade e bioinformacionistas, por exemplo”, exemplifica Luiz Vagner.>
O professor ainda ressalta que, diante das mudanças, algumas competências serão indispensáveis em qualquer contexto.>
“As chamadas soft skills, como inteligência emocional, empatia e resiliência, são habilidades à prova do tempo. Elas ocupam papel central no mercado”, frisa.>
Entre os especialistas, há unanimidade quando o assunto são as habilidades requisitadas pelo mercado: busca por comunicação eficaz, pensamento crítico, adaptabilidade, criatividade e inteligência emocional são o cerne para profissionais cada vez mais capacitados.>
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