Vitória deixou de ser a cidade mais rica do ES, mas tem como ampliar relevância

Capital deve buscar formas de conter esse empobrecimento registrado pelo IBGE, aproveitando o status metropolitano recém-adquirido para atrair mais investimentos privados e diversificar suas receitas

Publicado em 27/12/2021 às 02h00
Vitória
Ponte da Passagem, em Vitória:  município deixou de ser o mais rico do ES. Crédito: Fernando Madeira

A cidade de Vitória vive neste fim de ano um paradoxo: ao mesmo tempo que perdeu relevância regional para a Serra, que se tornou a maior economia do Espírito Santo, de acordo com dados do IBGE de 2019, a Capital também foi alçada ao posto de metrópole brasileira. Há uma tensão entre essas duas informações, divulgadas neste mês de dezembro, que precisa provocar reações bem direcionadas da administração pública, nas esferas municipal e estadual.

A Serra tem méritos inequívocos: o município subiu três posições no ranking das cidades mais ricas do país, tendo passado da 42ª para a 39ª colocação nacional. Mas não tomou o lugar de Vitória como o município que mais gera riquezas no Estado (um feito inédito na história capixaba) em uma briga acirrada. A ultrapassagem se deu porque a Capital despencou da 34ª para a 47ª posição entre as cidades brasileiras com maior PIB, a segunda maior queda do país.

O impacto da perda de arrecadação das indústria extrativa, após a tragédia de Brumadinho, é a justificativa mais expressiva para a perda de posições de Vitória, que em 2018 tinha 0,38% participação no PIB nacional e, com os dados mais recentes de 2019, passou a ser responsável por 0,29% das riquezas brasileiras. Um sinal de alerta para a necessidade de diversificação econômica, que também produza riquezas para o município.

Essa Vitória com menos riquezas é a mesma Capital que conseguiu abocanhar do Rio de Janeiro a influência sobre o Espírito Santo. Até 2013, o Rio englobava todas as regiões intermediárias capixabas, atingindo até a região intermediária de Teixeira de Freitas, no extremo-sul da Bahia. Ao se sobrepor regionalmente, Vitória conseguiu sua ascensão à categoria de metrópole, de acordo com estudo da Divisão Urbano-Regional de 2021, do IBGE. É um posicionamento estratégico diante das demais cidades brasileiras que relega oficialmente ao passado as características provincianas que marcavam a Capital do Espírito Santo. Vitória é uma metrópole!

É importante a consideração de que há um protagonismo, mas por sua própria extensão territorial limitada a força de Vitória está também em seus vizinhos. O êxito da Serra é o melhor exemplo. Vila Velha também avançou no ranking das cidades mais ricas, passando da 88ª para a 86ª colocação. E os desafios também são compartilhados, por se tratar de uma massa urbana contínua, com fluxo constante de moradores. Mobilidade urbana, segurança pública, meio ambiente... os problemas e as soluções nunca estão restritos aos limites das cidades, que na prática nem existem.

Antes de tudo, Vitória deve buscar formas de conter esse empobrecimento registrado pelo IBGE, aproveitando o status metropolitano recém-adquirido para atrair mais investimentos privados e diversificar suas receitas. 

As duas informações sobre Vitória divulgadas em um intervalo tão curto acabam se complementando,  e o município não pode deixar escapar a oportunidade de se recuperar financeiramente para que não acumule os problemas comuns às grandes metrópoles, com seus disparados déficits sociais. O mais importante, afinal, é Vitória  ser cada  vez mais relevante para os seus moradores.

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