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Opinião da Gazera

Suspensão da vacina do Butantan não é munição para negacionistas

Não há espaço para oportunismo, essa é uma munição que, se for usada, perde a força contra os argumentos da ciência assim que é disparada

Publicado em 12 de Junho de 2026 às 05:00

Públicado em 

12 jun 2026 às 05:00
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta

Vacina da dengue do Butantan
Vacina da dengue do Butantan Governo de São Paulo/Divulgação

Não, negacionistas não estão certos sobre suas teorias da conspiração agora que a imunização com a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi suspensa pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa. Não há espaço para oportunismo, essa é uma munição que, se for usada, perde a força contra os argumentos da ciência assim que é disparada. 


O procedimento de suspender a aplicação de uma nova vacina diante do registro de reações adversas inesperadas é mais que uma decisão pautada pela sensatez: é fundamentada em protocolos científicos. Reveses como esse são da própria natureza da ciência e, para serem investigados com segurança, precisam motivar uma interrupção no processo. 


Após 42 casos de reações adversas inesperadas e duas mortes — em um universo de 501 mil doses aplicadas —, foi determinada a suspensão da imunização no país. A orientação do Ministério da Saúde é que os municípios devem guardar as vacinas até uma nova decisão.


Bastou que isso ocorresse para a decisão se tornar um novo combustível para o negacionismo e a desinformação entre aqueles que levantam dúvidas sobre a eficácia das vacinas e disseminam falsas informações sobre seus riscos. Contudo, a suspensão só comprova a responsabilidade de quem desenvolve essas vacinas.


Como informou a epidemiologista Ethel Maciel em sua coluna publicada nesta quinta-feira (11) neste jornalessa interrupção não determina uma relação causal comprovada entre a vacina e os casos observados. "Significa que o sistema está funcionando como deveria: detectando sinais, investigando hipóteses e tomando decisões baseadas em evidências".


"A história de introdução de novos medicamentos e vacinas demonstra que a aprovação regulatória não representa o fim da avaliação de segurança de um produto, mas o início de uma nova fase de aprendizado."


O monitoramento dos resultados da imunização quando ela chega às ruas deve ter continuidade, portanto. É nessa etapa que o aumento da amostragem de pessoas vacinadas pode apontar novas reações. A situação não pode ser sequestrada por quem ainda continua negando a eficácia das vacinas na imunização da população. 


Assim, a saúde pública está sendo praticada diariamente. O Ministério da Saúde também orienta as pessoas que receberam a vacina nos últimos dias a ficarem atentos a uma lista de sintomas e reações. As demonstrações, até aqui, têm sido de prontidão e agilidade por parte das autoridades sanitárias.


O governo federal ainda não divulgou um prazo com os resultados da apuração, que vão determinar se a vacina foi responsável ou não pelas mortes. Essa informação será crucial para o futuro do imunizante, com a devida transparência. 


Mas, independentemente do resultado, o que precisa ficar evidente é que há rigor científico nas decisões, diante de uma incerteza que precisa ser sanada. A proteção da população é, sempre, a maior responsabilidade da saúde pública. Isso é o que ninguém pode negar.

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