Qualquer retaliação comercial que se baseie em uma inovação que vem transformando as relações bancárias no Brasil será desproporcional e injusta. Simplesmente por incomodar os interesses das big techs e das grandes bandeiras de cartão de crédito sediadas nos Estados Unidos.
Com a conclusão da robusta investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos se volta nominalmente contra o Pix, o sistema de pagamento digital criado pelo Banco Central em 2020, citando a ferramenta como uma das razões para a recomendação de taxação das importações brasileiras em 25%, o que ainda será definido em julho.
O Pix está incomodando, como fica explícito no documento produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês): "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix".
O Pix é uma infraestrutura que modernizou o pagamento instantâneo e é responsável pela inclusão de uma parcela considerável da população ao sistema bancário. Isso sem competir de forma desleal com os cartões e outras ferramentas de transferência. Mas, pelas vantagens e facilidades, virou preferência nacional: no ano passado, se tornou o meio de pagamento mais usado no comércio do país.
Governo federal, Banco Central e autoridades brasileiras devem continuar agindo com diplomacia na defesa do Pix. O Brasil deve se fortalecer e se preparar para não ficar refém de retaliações a depender do humor da Casa Branca.
Não deixa de ser interessante ver o Brasil como pivô de uma disputa tecnológica, o que demonstra a relevância do Pix como inovação, algo a que ainda não estamos acostumados.
O Pix mostra, portanto, um Brasil competitivo, capaz de incomodar quem detém a vanguarda da tecnologia. Qual será o resultado dessa investigação comercial para o Brasil ainda é preciso esperar para ver. Mas já há um aprendizado: o Brasil precisa de mais inovação para se fortalecer.
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