As prisões de quatro empresários e dois profissionais de unidades de saúde dentro da Operação Efeito Colateral da Polícia Civil, nesta quinta-feira (28), mostram que as autoridades policiais estão tratando com atenção e rigor essa onda de comercialização e uso ilegal das canetas emagrecedoras, medicamentos que têm alta procura e custo elevado pelos meios oficiais.
O crime notoriamente segue estratégias de mercado: qualquer produto que se torne uma febre de consumo entra na mira de oportunistas, pela potencial lucratividade. Não seria diferente com as canetas emagrecedoras que, ao mostrarem resutados no combate à obesidade, estão passando por um crescimento de demanda a passos largos.
E a comercialização dessses medicamentos irregulares, sem qualquer tipo de garantia, é feita abertamente nas redes sociais, movimentando um mercado paralelo que coloca em risco a saúde das pessoas. Entre as substâncias vendidas está até a retratutida, em fase de estudos clínicos e ainda proibida.
Em abril, esse comércio ilegal já havia sido alvo da Operação Heavy Pen, da Polícia Federal, com apoio da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Espírito Santo e em outros dez estados. A cadeia criminosa, como se vê, se espalha pelo país, indo da importação irregular das substâncias injetáveis, principalmente vindas do Paraguai, até o consumidor final.
Vale mencionar também o registro em todo o país de furtos e roubos tanto no transporte dos medicamentos quanto nas próprias farmácias. As canetas, já faz algum tempo, viraram um problema de segurança pública, justamente por sua popularidade.
É bom ver que as autoridades estão no encalço dessas quadrilhas, desarticulando as redes que fazem esse comércio ilegal acontecer. É um trabalho que será permanente, porque o consumo deve seguir crescendo.
E é nesse ponto que a situação pode começar a se reverter: esse medicamentos devem ser usados com prescrição médica e adquiridos por meios legais. A quebra de patentes da substância usada em medicamentos como Ozempic e Wegovy já deve começar a baratear o acesso, o que é importante para conter esse mercado ilegal.
O uso de canetas emagrecedoras contrabandeadas deixa de ser uma solução para virar um risco real à saúde.
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