Quatro empresários e dois profissionais de unidades de saúde foram presos, suspeitos de aplicarem, comercializarem e estocarem medicamentos irregulares e de custo elevado na Grande Vitória. Mandados de busca e apreensão e outro de prisão foram cumpridos em Vila Velha e na Serra, nesta quinta-feira (28), durante a Operação Efeito Colateral. Os nomes dos envolvidos não foram informados.
Segundo a Polícia Civil, uma dessas substâncias — a Retatrutida — utilizada para emagrecimento, porém, ainda não foi autorizada pelos órgãos competentes brasileiros, por ainda estar em fase de testes. As investigações apontaram que os envolvidos aplicavam as doses dos produtos até em farmácias e unidades de saúde.
"Todos eles vendiam os mesmos produtos, as mesmas marcas, faziam as mesmas publicações e tinham mais ou menos um mesmo modo de agir", disse o delegado Eduardo Passamani.
Os policiais também descobriram que os alvos praticavam a venda do serviço por meio das redes sociais, principalmente em grupos de conversa. Imagens mostram a divulgação feita por meio de stories e conversas por WhatsApp. (Veja abaixo)
Os policiais também buscam saber se todos os presos nesta quinta (28) trabalhavam de maneira conjunta.
Das quatro mulheres e dois homens presos, cinco foram em flagrante e um por meio de mandado de prisão — um homem de 36 anos que foi encontrado no bairro Central Carapina, na Serra. Ele é apontado pela polícia como o maior distribuidor de medicamentos irregulares no Espírito Santo e líder da organização criminosa. As investigações prosseguem em busca de mais detalhes sobre a atuação dele.
Na casa dele, foi encontrada uma arma regularizada, mas, por ser autuado pelo crime, o armamento foi recolhido pelos policiais. Passamani informou que ele disse que se considera o "maior distribuidor de medicamentos irregulares do Espírito Santo".
Já na residência de outro preso, foram encontrados medicamentos possivelmente furtados de unidades de saúde. "Além disso, o material se encontrava vencido", disse o delegado. Na casa de um funcionário de unidade de saúde também foram encontrados carimbos e atestados médicos não assinados.
A Polícia Civil informou que os presos podem pegar pena de 10 a 15 anos, por crimes relacionados à saúde pública, previstos no artigo 273, parágrafo primeiro B, do Código Penal.
Medicamentos vinham de país vizinho
De acordo com as investigações, os medicamentos vencidos vinham do Paraguai, passando pela fronteira brasileira no Estado do Mato Grosso. A polícia disse que os distribuidores capixabas tinham contatos de pessoas no país vizinho que faziam este transporte, mas, a corporação não deu mais detalhes sobre a rota para não atrapalhar as investigações.
A corporação destacou também que o uso desses medicamentos pode causar sérios riscos à saúde. "A utilização desses produtos pode ensejar gravíssimos prejuízos à saúde, como necrose e diversas outras reações que isso pode gerar", contou o delegado Jordano Bruno.
Operação foi deflagrada nesta quinta
As investigações começaram há cerca de seis meses. A operação foi conduzida pela Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), em ação integrada com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Cerca de 50 policiais participaram da operação, distribuídos em 15 viaturas.
Retratutida
A Retratutida é um medicamento que está em fase de testes. O material da substância que foi apreendido estava no formato de canetas emagrecedoras e ampolas. O uso ainda não foi autorizado pelos órgãos reguladores brasileiros.