O acidente, por si só, já tinha sido chocante. Um engavetamento envolvendo sete veículos é uma cena que impressiona, sobretudo quando envolve veículos de grande porte. Olhando por alto, o acidente que deixou dois mortos no último domingo (24) na Rodovia do Contorno, em Cariacica, é mais um caso que mostra o quanto estamos perdendo para a violência no trânsito.
Fica mais triste ainda quando damos um zoom e nos aproximamos das vítimas: Michel dos Santos Bragança, de 44 anos, que morreu ao lado da mulher, Wagna Mateus, de 48 anos, era cadeirante, condição em que vivia desde 1998, após um acidente na mesma BR 101, mas em outro trecho, em Sooretama. Na ocasião, perdeu uma irmã.
A paraplegia não impediu que Michel tivesse uma vida de realizações: casou-se, teve dois filhos (que ficaram gravemente feridos no acidente), teve trabalho... mas a marca da violência estava presente em seu dia a dia e na ausência da irmã.
Responsabilizar o destino quando um outro acidente acabou tirando a sua própria vida é simplificar as coisas. O problema concreto é quem está irresponsavelmente na condução dos veículos, contribuindo para um trânsito cada vez mais caótico e mortal. É esse destino que precisa ser mudado, o que está nas mãos das pessoas.
O motorista da carreta, que teria causado o acidente, foi preso em flagrante, autuado por homicídio culposo. A Polícia Civil informou que houve indícios de condução incompatível com as condições da via no momento dos fatos.
O que está ao alcance do poder público é justamente isto: o encaminhamento à Justiça nos acidentes que já aconteceram e a fiscalização como estratégia de prevenção de novos acidentes. Além, é claro, de garantir a infraestrutura viária que promova a segurança. Cada condutor, contudo, tem o compromisso com a prudência, e isso inclui a manutenção do veículo que utiliza, para evitar que essas tragédias sigam acontecendo.
Quem dita os destinos no trânsito é quem está nele.
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