Não bastou a condenação a 30 anos de reclusão do ex-soldado da PM Lucas Torrezani de Oliveira pelo assassinato do vizinho Guilherme José Rocha Soares durante um desentendimento no condomínio. A sentença também adicionou dois anos de detenção por ele ter feito uso indevido da condição de policial, na época do crime, ocorrido em Jardim Camburi, Vitória.
O abuso de autoridade não passou despercebido no julgamento, e isso tem um peso simbólico, determinando aquilo que a sociedade civil espera de seus agentes da lei: uma conduta ilibada, com ou sem a farda. A Polícia Militar já havia demonstrado isso ao expulsá-lo, agora foi a vez de a Justiça reforçar que não há espaço para quem age assim.
O comportamento de Lucas no condomínio, quando ainda integrava a corporação, era reprovável, como mostrou o depoimento da síndica, ao relatar um episódio de intimidação antes do crime. As reclamações de vizinhos sobre o barulho no hall do prédio, onde o então soldado costumava dar festas, eram frequentes.
O crime causou comoção, com imagens de câmera de videomonitoramento flagrando a frieza do ex-soldado após o tiro, ao aparecer bebendo diante do corpo do vizinho. Uma morte banal cometida por um homem que fez justamente o contrário do que deveria: em vez de proteger e garantir a ordem pública, que é função da Polícia Militar, tirou a vida de uma pessoa.
O pai da vítima, Glício Soares, em entrevista à TV Gazeta demonstrou alívio com o desfecho do julgamento. "É um processo que machuca a gente, macula a alma, então nós estávamos esperando o fim do processo, nós não nos preocupamos em nenhum momento com a sentença. Nós estamos satisfeitos com o fim do processo."
O ex-policial foi julgado pelo crime bárbaro que cometeu, mas a Justiça não deixou passar por menos o mau exemplo que precedeu o assassinato. Há outros casos envolvendo policiais militares que vão merecer tratamento similar, porque é preciso deixar muito explícito que determinados comportamentos são incompatíveis com o que se exige de um polícial. O abuso de autoridade pode ser o primeiro passo para uma tragédia.
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