Um dia após uma entrevista concedida a contragosto por um sisudo Casemiro, irritado com o teor das perguntas, ficou mais leve o ambiente na sala de conferências da Granja Comary. Os escolhidos de sexta-feira (29) para falar sobre a preparação do Brasil para a Copa do Mundo foram os sorridentes Matheus Cunha e Rayan, empolgados com sua primeira chance de jogar o torneio.
Se em seu terceiro Mundial o volante de 34 anos parece enfastiado com parte das responsabilidades, o meia de 27 e o atacante de 19 veem cada momento com olhos de menino. No caso de Rayan, ele é mesmo um menino, que ainda tem pequena experiência como jogador profissional e o total de 21 minutos em campo com a camisa da seleção brasileira.
"É desfrutar o que estou vivendo. É um momento de felicidade para mim e para minha família. Sou um menino que vem da comunidade e vai jogar uma Copa aos 19 anos. Estou muito feliz! Se Deus quiser, vamos trazer o hexa para o Brasil", afirmou o jovem, cria da Barreira do Vasco, na zona norte do Rio de Janeiro.
Após uma boa temporada no Vasco da Gama, o garoto chegou no início deste ano ao Bournemouth, clube modesto do forte Campeonato Inglês. Seu desempenho na Inglaterra o levou aos últimos amistosos antes da convocação. Ele entrou no fim da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia e convenceu o técnico Carlo Ancelotti.
Uma vez chamado, apresentou-se com seu semblante jovial. E passou parte dos primeiros dias de concentração empinando pipas no centro de treinamento da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em Teresópolis. "De dois anos para cá, muita coisa mudou para mim. Como falei, muito feliz. É desfrutar o momento e dar o meu melhor para ajudar o Brasil."
Matheus Cunha já é bem mais experiente. O meia-atacante saiu muito jovem do Brasil e passou por Suíça, Alemanha e Espanha até chegar à Inglaterra. Hoje, é peça importante do tradicional Manchester United e também da seleção é claramente um titular de Ancelotti, atuando como ponta de lança, perto do centroavante, ou pela esquerda no meio-campo.
O paraibano de João Pessoa, tal qual Rayan, ainda não tem uma Copa do Mundo no currículo, embora tenha uma medalha de ouro olímpica, obtida em 2021, no Japão. Ele chegou a ser chamado por Tite no ciclo para a edição de 2022 do Mundial, porém não foi incluído no grupo levado ao Qatar. Por isso, sua alegria é similar à do adolescente, com um toque de maturidade.
"Sinceramente, acho que existem dois Matheus. Aquela criança que não tem noção das consequências e só sonha, pensa que tudo é fácil. E outra pessoa depois de você conhecer a dificuldade que é alcançar esses sonhos. O futebol é uma ramificação da vida. Temos nossas dificuldades, mas tenho orgulho de chegar aonde cheguei", afirmou.