Quem se sentiria seguro ao saber que quatro policiais são suspeitos de terem sido corrompidos pelo tráfico? É uma pergunta retórica, que por si só mostra porque são necessárias investigações rigorosas quando há desconfiança sobre a atuação de agentes da lei: é a credibilidade da própria polícia que está em jogo.
Nesta semana, mais um policial civil do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) do Espírito Santo foi preso na Operação Turquia, que apura um esquema de desvios de drogas apreendidas para traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que atuam na Ilha do Príncipe, em Vitória. Esse policial já havia sido afastado na primeira fase da operação, realizada em novembro passado. Ele está entre os quatro policiais que tinham se tornado réus em ação penal no mês seguinte. Um deles foi afastado das funções no início de março.
É esse tipo de ação integrada que impede que os maus policiais sigam colocando em risco a população e os próprios colegas ao se aliarem a traficantes por ambições ou quaisquer motivos escusos. A Operação Turquia foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco/ES) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/ES) e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
É assustador que policiais designados para combater o tráfico de drogas, o epicentro da violência no país, se vejam envolvidos com criminosos, em um momento no qual se faz necessário total empenho para o combate ao crime organizado. Policiais que se tornam braços operacionais de facções, participando de estratégias criminosas e permitindo o acesso de criminosos ao aparato estatal, colocando a vida de outros policiais e de testemunhas em risco.
Esses quatro policiais sob a lupa da Justiça devem ter acesso à ampla defesa garantido, como está cristalizado em nossa legislação. Mas diante da dúvida, eles perdem a fé pública atribuída aos agentes estatais. É importante que se afastem de suas funções até mesmo por questões de segurança. E, caso atrapalhem o andamento das investigações, que sejam mesmo presos.
O rigor deve cercar qualquer investigação que tenha policiais como alvo, para que a população siga confiando no trabalho da polícia. Não pode haver sombras nessa relação, em nenhuma hipótese. Não há espaço para dúvidas ou desconfianças sobre o comportamento de quem escolhe caminhar ao lado da lei.
LEIA MAIS EDITORIAIS
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.