No compasso dos avanços tecnológicos está também o oportunismo de criminosos, sempre atentos ao que pode facilitar suas ações. Qualquer novidade criada para auxiliar o trabalho humano pode ser rapidamente sequestrada e desfigurada por quem pratica malfeitos. E como a velocidade do crime é quase sempre maior do que a da legalidade, o enfrentamento se torna um desafio, mas enquadrar com o peso da lei essas mentes criminosas é o que pode desestimular essas aventuras.
Chamou atenção na semana passada a operação realizada em 11 estados, o Espírito Santo entre eles, para desbaratar uma quadrilha investigada por desenvolver, produzir e comercializar armas fabricadas com impressoras 3D, mostrando como as novas tecnologias abrem um horizonte de possibilidades criminosas.
A formação de um arsenal é parte tão fundamental para o fortalecimento das organizações criminosas que há um ecossistema de desenvolvimento e compartilhamento de know-how no uso de impressoras 3D para esse fim, um esquema que conta com um jovem engenheiro capixaba como um dos cabeças. Mas essas investigações em nível nacional mostraram que a resposta policial pode ser veloz, quando há integração e uso de inteligência. Isso será cada vez mais exigido, para que a polícia não seja surpreendida com novas modalidades criminosas e consiga se antecipar a elas.
A Inteligência Artificial é outro exemplo de ferranta que já vem dando dor de cabeça. O golpe do falso advogado, que já fez mais de mil vítimas no Espírito Santo, usa dessa facilidade para simular voz e até a imagem dos profissionais, tornando o golpe ainda mais convicente. O potencial de uso criminoso das tecnologias existentes e das que ainda vão surgir é sem limites e vai exigir cada vez mais frentes multidisciplinares de combate. Não pode haver espaço para esses criminosos agirem.
O crime não espera a polícia se preparar para ele, e é por isso que ela vai ser cada vez mais exigida, com necessida de atualização, qualificação e integração permanente. O Congresso também precisa ser ágil para interceder com novas proposições legislativas, casos elas sejam necessárias. A lei precisa acompanhar essas mudanças, porque esses criminosos que surfam nas novas tecnologia precisam ser enfrentados com eficiência. A polícia deve ser tão rápida quanto eles.
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