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Salário: como saber se está ganhando mal e como pedir aumento

Entenda a diferença entre salário e remuneração e saiba como fazer a comparação com o mercado para identificar se está recebendo a quantia justa no emprego

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 04/10/2021 às 18h52
Especialistas alertam para necessidade de uso consciente do 13º salário
Especialista dá dicas de como identificar se o seu salário está de acordo. Crédito: Freepik

É natural que, à medida que o tempo passe, o empregado comece a se perguntar se está ganhando conforme a função que está desempenhando. Mas, como você pode se certificar de que o seu salário é incompatível com suas entregas realizadas? E caso, de fato, tudo indique haver um desequilíbrio, como pedir um aumento? Essas e outras questões foram debatidas na CBN Vitória nesta segunda-feira (4).

Na estreia do quadro CBN Vida Profissional, a comentarista Andréa Salsa, consultora de pessoas e gestão, mentora de líderes e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), respondeu a esses questionamentos em entrevista ao jornalista Mário Bonella. A especialista iniciou distinguindo termos como "salário" e "remuneração". "É necessário ampliar a visão sobre o salário", disse.

Segundo Andréa Salsa, antes de iniciar uma pesquisa para saber se está ganhando o mesmo que empregados de outras empresas, o trabalhador deve considerar os números além do contracheque. "É preciso considerar os benefícios, entre eles os tíquetes, planos de saúde e seus tipos, a participação nos lucros, os treinamentos pagos pelo empregador, entre outros critérios", afirmou.

Além dos benefícios mais facilmente perceptíveis, estão outros menos "tangíveis", entre eles:

  • O clima que o empregado encontra no local de trabalho; 
  • A relação entre as pessoas que exercem as mesmas funções e também a relação com os superiores;
  • A autonomia profissional;
  • A possibilidade de crescimento;
  • A jornada de trabalho (os horários são respeitados?); 
  • Os valores em comum entre empregados e empregadores;
  • O respeito aos direitos trabalhistas (FGTS, férias, décimo terceiro salário, entre outros);

DOIS CAMINHOS DE COMPARAÇÃO

Para a especialista, se mesmo após fazer uma lista de benefícios o profissional continuar acreditando que está sendo mal remunerado, há pelo menos dois caminhos:

  1. Pesquisa de guia salarial: em uma busca na internet, é possível encontrar padrões de mercado lançadas e entender os parâmetros. "Basta jogar no Google. As empresas fazem consultorias para saber os indicadores. O que vem nos guias é o porte da empresa, o cargo ocupado (se é júnior, pleno ou sênior), a quantidade de funcionários. Se o trabalhador estiver ganhando a partir de 25% a menos que a guia, é possível que esteja ganhando pouco. Normalmente os Recursos Humanos das empresas deixam isso acessível", refletiu Andréa. 
  2. Perguntar aos colegas: outro caminho é perguntar quanto o colega ganha, consciente de se ele ocupa função semelhante à desempenhada. "É preciso ter autocrítica para saber a quem perguntar. Esta pessoa traz as mesmas entregas? As funções estão no mesmo nível? E a relevância de cada profissional?", acrescentou.

COMO PROPOR A NEGOCIAÇÃO?

Para explicar como deve ser feita a negociação com os líderes para pedir aumento, Andréa Salsa cita o especialista em mediação William Ury, autor do livro "Como chegar ao sim". "O conceito básico, nessa hora, é definido pelo termo 'macna', ou seja: melhor alternativa em caso de não acordo. É preciso olhar o cenário", descreveu. Para isso, alguns pontos devem ser considerados:

  • Qual é a lista de atribuições que diferenciam este empregado: não basta saber que o salário está menor que o do colega, mas trazer o que está entregando de diferente;
  • O momento da organização: é preciso avaliar se a empresa está em um bom momento. Neste caso, se estão ocorrendo demissões, talvez seja melhor esperar um pouco;
  • Como está a empregabilidade: é antever o pior cenário. "Se for demitido ao pedir aumento, conseguirá outra oportunidade logo?", explica a especialista.

Ao analisar os pontos, caso fique evidente que não é o melhor momento para pedir uma melhor remuneração, o interessado deve agir com calma. Mas, se o resultado da equação é interessante, o profissional pode agir com maior assertividade.

Outras dicas importantes, segundo a especialista, são a de não ignorar a chefia direta e ir conversar com um superior distante, já que isso pode provocar um mal-estar, e ter cuidado com o tipo de abordagem para não parecer uma ameaça ou leilão (exemplo: a empresa X está me oferecendo mais). Também é importante posicionar o quanto o interessado tem sido relevante e como suas entregas têm sido feitas, além de observar o estado de humor da chefia no dia do pedido.

O LADO DO LÍDER

Para a pessoa que está do outro lado da negociação com o trabalhador, cabe a transparência. Segundo Andréa Salsa, é necessário equilibrar conhecimento, tempo e poder.

"O chefe deve contextualizar o porquê de não ser possível um aumento naquele momento, quanto tempo pode levar para ser viável e explicar ao proponente porque ele deveria continuar trabalhando na empresa mesmo sob estas circunstâncias. Um bom livro para tratar dessa conversa é o 'Você pode negociar qualquer coisa', do autor Helder Correia", afirmou a professora.

Por fim, a especialista explicou que o líder não deve conceder aumento apenas na hipótese do profissional pedir. Inclusive, o plano ideal é que seja oferecido aumento quando houver um diferencial que o justifique, para reter o funcionário. "É possível e recomendável antecipar o reconhecimento, isso engaja ainda mais o colaborador", concluiu.

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