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Retomada da economia eleva expectativa com dividendos

Retomada da economia eleva expectativa com dividendos

Empresas sólidas, com endividamento baixo, são boas pagadoras, dizem analistas. Energia e telefonia estão entre as principais apostas

Publicado em 22 de janeiro de 2018 às 12:44

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Bolsa de Valores. (Divulgação)

A expectativa de que a recuperação da economia continue ganhando fôlego traz boas perspectivas para o mercado de ações brasileiro. Afinal, as empresas devem voltar a registrar lucro, depois de uma série de resultados ruins durante a recessão — e isso significa retomar o pagamento de dividendos. O banco Itaú, por exemplo, estima que o valor nominal dos dividendos de todas as empresas listadas no Ibovespa, o principal índice da B3, será 14% maior este ano em relação a 2017.

— O lucro das empresas tende a subir com a atividade econômica dando sinais de melhora e, especialmente em 2018, o cenário é mais favorável ao crescimento das empresas. As melhores pagadoras de dividendos são justamente as mais maduras, que não precisam reinvestir grande parte de seu lucro. Por isso, podem distribuí-lo — explica Carlos Soares, analista da Magliano Corretora, destacando ainda que, por serem mais consolidadas, tais empresas são menos voláteis.

De acordo com a Lei das Sociedades Anônimas, toda empresa tem de distribuir pelo menos 25% de seu lucro aos acionistas. Algumas, porém, oferecem bem mais. O pagamento pode ser feito de duas maneiras: por meio de dividendos, que são isentos do Imposto de Renda, ou em juros sobre capital próprio, sujeitos à alíquota de 15%.

Alguns setores são conhecidos como bons pagadores de dividendos, como, por exemplo, energia e telefonia. Como prova disso, a Vivo está entre as dez maiores estimativas de pagamento para este ano, segundo projeções da XP Investimentos. Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores, lembra que os papéis da empresa são menos voláteis.

EXPECTATIVA COM PETROBRAS

Para ser uma boa pagadora de dividendos, é preciso ser uma empresa sólida, que não precisa fazer grandes investimentos e que tem um caixa líquido, sem dívidas. No entanto, pode-se encontrar alguns pontos fora da curva: empresas que em um determinado ano se tornam destaque na previsão de pagamento de dividendos.

Um exemplo é a Eztec, de construção civil. Historicamente, não é uma boa pagadora. Mas, no ano passado, a forte crise no setor deixou a empresa com um significativo estoque de terrenos. Assim, a Eztec se viu com muito dinheiro em caixa e sem necessidade de reinvestir imediatamente.

Uma das formas de identificar as empresas que pagam bons dividendos é o chamado dividend yield, calculado com base no preço do papel e no lucro por ação da companhia. O percentual obtido indica o rendimento em relação à ação.

Para a Eztec, a Economatica estima, este ano, que o dividend yield deve ficar em 17,38%, contra 24,04% em 2017.

— É lógico que ela tem um risco maior, porque é bem mais volátil que Vivo e Grendene, por exemplo. Mas, pontualmente, ela se torna uma opção — diz Sandra.

A Petrobras, a maior empresa do país, não vem distribuindo dividendos desde 2014, em razão da crise financeira gerada pelos casos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato e da mudança de cenário no setor de petróleo. Havia uma expectativa que a estatal registrasse lucro em 2017, o que poderia beneficiar os acionistas. Mas, após o anúncio de que vai pagar US$ 2,9 bilhões para encerrar uma ação aberta por investidores que compraram títulos da companhia em Nova York, parte dos analistas passou a avaliar a hipótese de que a empresa tenha prejuízo. Isso porque a Petrobras informou que o valor vai ser provisionado no balanço do quarto trimestre de 2017.

Assim, como a estatal pode ficar mais de três anos sem distribuir dividendos, alguns advogados acreditam que os acionistas donos de papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) passariam a ter direito a voto. Há, por outro lado, advogados que afirmam que a questão é polêmica, pois a Lei do Petróleo veda esse tipo de direito às PNs.

Mas, apesar das incertezas, o analista da XP Investimentos Marco Saravalle acredita que a Petrobras pode vir a ser uma boa aposta:

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— A partir do ano que vem, a empresa poderia voltar a pagar entre R$ 0,60 e R$ 0,70 de dividendo por ação.

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