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Queda no preço do gás deve destravar R$ 38 bilhões em projetos no ES

Queda no preço destravará investimentos em indústrias

Publicado em 03/07/2019 às 22h50
Plataforma de produção de óleo e gás no Sul do ES. Crédito: Divulgação
Plataforma de produção de óleo e gás no Sul do ES. Crédito: Divulgação

O Espírito Santo pode destravar em menos de cinco anos cerca de US$ 10 bilhões em investimentos, aproximadamente R$ 38 bilhões, com a redução de até 40% no preço do gás. A quebra do monopólio do transporte e da distribuição vai contribuir para deixar o Estado mais competitivo e atrair novos empreendimentos que usam o gás como insumo.

Haverá espaço para novas plantas siderúrgicas, para a indústria química, para negócios vinculados à celulose e também ao setor de geração de energia.

As estimativas de negócios, feitas pelo secretário de Estado de Desenvolvimento, Heber Resende, têm relação com o plano do governo federal de abrir o setor de gás à concorrência no Brasil. Hoje, o segmento é concentrado na Petrobras e em suas subsidiárias.

Segundo o secretário, as modificações propostas pelo novo mercado de gás colocam o Espírito Santo na rota da expansão da produção do combustível e também na ampliação da infraestrutura, com a instalação, por exemplo, de novos gasodutos e de unidades de tratamento.

Conforme o Gazeta Online antecipou, só nessas essas obras podem ser aplicados R$ 6,1 bilhões, de acordo com estudos do governo federal. “Um primeiro investimento pode ser a construção de uma rota de gás offshore, vindo da Bacia de Campos para escoar o gás produzido no mar. Esse gasoduto poderá feito pela empresa produtora ou mesmo por outros investidores, como fundos de pensão e agências de investimento”, explica Resende.

Outra obra possível é a construção de novas unidades de processamento. “O gás sai dos reservatórios carregado de gotículas de petróleo. Precisa passar por uma unidade de tratamento para ser secado. Está aí uma possibilidade de investimento”, diz ao acrescentar: “Além desses novos empreendimentos, muitas empresas atuais vão poder expandir. Hoje, elas não aumentam suas produções porque não contam com gás suficiente, já operam dentro da capacidade”.

Um segmento com potencial para diversificar sua atuação é o de celulose. “É uma área que necessita de muita energia. Com maior oferta e menor preço do gás, as empresas desse setor poderão apostar em uma fábrica de papel.”

TERMELÉTRICAS

A principal alteração no setor de gás será a permissão de outras petroleiras ou mesmo de importadoras usarem os dutos de transporte, hoje em mãos da Petrobras. As produtoras terão direito agora de vender o combustível diretamente para grandes indústrias.

Hoje, as offshore são obrigadas a vender o que produzem para a Petrobras. Com a criação da figura do consumidor livre, poderão fazer contratos diretamente com as indústrias, pagando tarifas para ter acesso à rede.

Entre os setores que serão beneficiados pelo choque de energia barata - como o Ministério da Economia tem chamado a reestruturação - é o de termelétricas.

No Estado, há propostas de construção de ao menos seis térmicas, algo que até agora não poderia ser viabilizado. Para ter direito de vencer os leilões para a geração de energia, as companhias precisam ter garantia de que vão receber gás, algo que não ocorre hoje.

Outra novidade é a abertura do mercado para a importação de gás, o que vai gerar oportunidade para a instalação de terminais de regaseificação. Existem propostas para o Porto Central, em Presidente Kennedy, receber o empreendimento.

SIDERURGIA

A confirmação das mudanças no setor de gás deve contribuir para que os empreendedores toquem os investimentos de forma paralela à abertura do mercado de transporte e distribuição. O que vai favorecer o Espírito Santo é o início da operação de novos poços a partir de 2022, que poderão contar com um navio-plataforma (FPSO) de gás.

O diretor de Infraestrutura da ONG Espírito Santo em Ação, Fábio Brasileiro, explica que a energia é uma variável importante na matriz de custo da indústria de transformação. Ele diz que se o preço do gás cair ao mesmo nível dos custos internacionais, o país e o Espírito Santo passam a ser interessantes para os investidores.

“O aço, a pelota de minério e até produtos agrícolas passam a ficar mais competitivos. A situação para o Estado será ainda mais favorável se a construção do ramal ferroviário até Anchieta se concretizar, assim como os empreendimentos portuários planejados”, destaca.

De acordo com Brasileiro, no setor siderúrgico, por exemplo, o Estado poderá receber alguma planta de HBI, uma commodity produzida com minério de ferro, porém com maior valor agregado.

O coordenador do Fórum de Petróleo e Gás, da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira, também concorda que haverá espaço para uma indústria com foco na produção de um ferro mais puro.

OUTRAS INDÚSTRIAS 

Para Vieira, com o gás mais barato – o governo federal estima que a tarifa caia em dois anos –, a construção de um polo gás-químico, que já foi cogitada porém não vingou, poderá voltar às pautas de discussão.

Outra chance para o Estado é ganhar uma indústria de esmagamento de soja. Em vez de exportar o grão in natura, o Espírito Santo poderá beneficiá-lo e gerar ICMS.

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