Publicado em 30 de agosto de 2019 às 23:09
O avanço da reforma da Previdência no Congresso Nacional fez disparar o número de pedidos de aposentadoria no Brasil, com aumento de 54% de junho para julho deste ano. Foram 235,5 mil pedidos em julho, 82,5 mil a mais do que os 153 mil registrados. Os dados são de um levantamento do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). >
Julho foi o mês em que a Câmara dos Deputados aprovou a reforma previdenciária no primeiro turno. Foi também o período também com maior quantidade requerimentos de aposentadoria em 2019: 106,3 mil solicitações por idade e 129,1 mil por tempo de serviço. Os dados foram divulgados pelo Portal G1. Para o INSS, esse aumento se deve à ampliação dos serviços digitais para pedir o benefício.>
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No entanto, especialistas relatam que muitas dessas solicitações são de pessoas que têm medo de ter um benefício menor após as mudanças no regime previdenciário.>
CÁLCULO DA APOSENTADORIA>
Uma das mudanças que causam apreensão na reforma proposta pelo governo Bolsonaro é sobre o cálculo da aposentadoria. Atualmente, o sistema usa a média das 80 maiores contribuições para calcular o valor a ser pago para o aposentado. Com a reforma, passa-se a levar em conta todas as contribuições, incluindo as menores.>
"Ou seja, após a reforma, quem entrar com o pedido pode perder parte do valor em função desse cálculo que pega a média de 100% das contribuições. O que eu percebo é uma procura maior para darem entrada na aposentadoria desde que a reforma passou a andar com mais consistência na Câmara dos Deputados", comenta o advogado Geraldo Benício, especialista em Direito Previdenciário.>
Caso o aposentado opte pelo benefício através do fator previdenciário, o ideal, porém, é que ele busque ajuda para calcular se vale apenas usar o índice que reduz o valor da aposentadoria conforme menor for o tempo de contribuição.>
No fator previdenciário, é necessário ter 30 anos de contribuição para mulheres e 35 para homens, sem idade mínima. No entanto, o índice utilizado no cálculo do benefício vem do cruzamento da idade, do tempo de contribuição e da expectativa de sobrevida.>
Se o cidadão preencheu os requisitos para conseguir o benefício pela fórmula 86/96, que é a soma da idade e o tempo de contribuição, com tempo mínimo exigido, o ideal é que ele entre com o pedido, ressalta o advogado.>
Benício orienta que o contribuinte tenha em mãos todos os comprovantes de contribuição, principalmente aqueles que são de antes de 1997. "O INSS de 97 para trás não tem esses dados registrados. Se o trabalhador não tiver o carnê que ele pagou, a carteira de trabalho, ele vai perder esse período dele", alerta o advogado.>
OUTRA PROPOSTA>
No Espírito Santo, em 2017, os requerimentos de aposentaria alcançaram 59 mil em todo o ano, batendo 2016, que teve 48 mil. Naquela época, corria na Câmara uma outra proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo do então presidente Michel Temer. A tramitação do texto, no entanto, suspensa pelo governo em 2018 e rejeitada pelos parlamentares.>
A reportagem buscou a previdência regional para saber os dados do Estado em julho deste ano, mas foi informada de que não há levantamento local mês a mês. Até junho de 2019, antes da reforma, foram feitos 26 mil requerimentos de aposentadoria.>
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