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Mudanças no setor de gás natural vão estimular investimentos no ES

Fim do monopólio e abertura do setor devem fazer preços caírem e mercado crescer

Unidade da Petrobras para tratamento e processamento de gás natural de Cacimbas, em Linhares. Crédito: Petrobras/divulgação
Unidade da Petrobras para tratamento e processamento de gás natural de Cacimbas, em Linhares. Crédito: Petrobras/divulgação

Uma ampla mudança que está sendo estruturada no mercado de gás natural brasileiro deve beneficiar o Espírito Santo. Trata-se de uma abertura do setor, com fim dos monopólios, queda no preço do insumo e expansão da malha que deve fazer o Brasil dobrar o mercado de gás em 10 anos. Para o Estado, que é um dos maiores produtores do país, a expectativa é que esse consumo tenha crescimento ainda maior e, com isso, atraia investimentos e estimule a geração de empregos para os capixabas.

Essa é a expectativa do secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, que esteve no Estado ontem participando de um seminário da Federação das Indústrias (Findes) que discutiu o processo de modernização do setor de gás natural. Entre os fatores que devem projetar o Estado, ele elencou a criação da nova companhia estadual de distribuição de gás encanado e a possível descoberta de novas reservas.

“A chamada Bacia do Espírito Santo tem um potencial grande para gás que ainda não foi totalmente descoberto, e acho que ainda vai ser uma revelação que a gente vai ter. Temos terminais de importação para entrar em operação em todo país, inclusive no Estado. Temos área de Sudene e estamos na frente de Minas, numa posição geográfica bem favorável.

, isso além das plantas de Cacimbas e Anchieta, com a possibilidade de agregar valor na celulose e na siderurgia, por exemplo, e até fazer um polo gás-químico”, disse.

Com essas potencialidades aliadas às mudanças que o Ministério projeta, segundo Félix, o mercado de gás do Estado pode mais do que dobrar de tamanho. “Em 10 anos o Brasil deve dobrar o tamanho do mercado do gás. O Espírito Santo pode mais do que dobrar esse mercado”, afirmou o secretário ao ressaltar que o gás mais abundante significa mais competitividade para as empresas, viabilizando investimentos.  

Concretizados esses cenários, projetos importantes para a infraestrutura do Estado devem ser beneficiados, como o Porto Central, em Presidente Kennedy, e o da Petrocity, em São Mateus. “O Estado tem muitos projetos estratégicos que estão nascendo e que o planejamento do gás começa a se encaixar neles”, afirmou Márcio Félix.

Nesse contexto, a companhia estadual de gás, em processo de criação pelo governo do Estado em sociedade com a BR Distribuidora, deve já nascer sendo competitiva, segundo o secretário. “Será uma companhia que vai se valorizar muito, inclusive em seu valor de mercado. Acho que várias empresas que produzem gás terão interesse em se associar aqui para colocar projetos que ancorem o consumo de gás”.

CONCORRÊNCIA

Para esses ganhos, no entanto, é preciso que a modernização do setor se concretize. E a principal mudança para isso seria através da promoção da concorrência, com o fim do monopólio da Petrobras, que domina toda a cadeia produtiva do gás no Brasil, desde a produção até o transporte ao consumidor.

Essa concorrência deve ser estimulada através de leilões e desinvestimentos da Petrobras. “Certamente haverão mais empresas produzindo gás no Brasil, e a competição vai levar a uma queda de preços. Hoje toda a infraestrutura de produção de gás em mar é da Petrobras, então será uma mudança significativa”, pontuou Félix, que frisou que isso será bom para o Estado: “O Espírito Santo tem uma vantagem competitiva a ser utilizada e o gás vai ser o grande incentivo fiscal alternativo que teremos para atrair investimentos, um importante indutor de investimentos para cá”.

Uma das expectativas, na avaliação do secretário, é aumentar a cobertura da rede de gás, inclusive levando o insumo para mais residências. Hoje no país apenas 7% das casas possuem gás canalizado. “Temos uma verdadeira meta olímpica que é aumentar isso, mas não tem como fazer em áreas mais rarefeitas de população”.

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