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Dependência

Maioria das cidades capixabas depende de repasses para se manter

57 municípios do Estado tiveram mais de 80% da receita em 2018 vinda de transferências do Estado e da União

Publicado em 20 de Maio de 2019 às 19:24

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

20 mai 2019 às 19:24

A maioria dos municípios do Espírito Santo é dependente de repasses do Estado e da União para conseguirem se manter. Em 2018, essas transferências somaram 82,4% da arrecadação total das cidades capixabas, uma relação de dependência que fica ainda mais grave em tempos de crise nas contas federais, o que faz os repasses serem reduzidos.

Segundo dados do portal CidadES do Tribunal de Contas do Estado (TCE), 57 das 78 prefeituras capixabas tiveram mais de 80% da receita provenientes de transferências, sobretudo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), da União; e da distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), do Estado. 

Com isso, a receita própria das cidades representou apenas 16,11%, em média, do total arrecadado.

CIDADES MAIS DEPENDENTES

As cidades com maior relação de dependência são:

- Divino de São Lourenço (só 4,88% das receitas foram próprias)

- Vila Pavão (5,39%)

- Ponto Belo (5,48%)

- Alto Rio Novo (5,64%)

CIDADES MENOS DEPENDENTES

Já nas cidades maiores, a arrecadação de impostos municipais teve mais peso na receita total. As menos dependentes de transferências foram:

- Vitória (com 49,22% da arrecadação sendo própria)

- Vila Velha (46,43%)

- Aracruz (38,93%)

CENÁRIO NÃO É EXCLUSIVO DO ESPÍRITO SANTO

O secretário-geral de Controle Externo do Tribunal de Contas, Rodrigo Lubiana, ressaltou que esse cenário de dependência não é exclusivo do Estado e que ele se dá sobretudo pela relação de concentração da receita pública pela União e Estados.

Secretário geral de Controle Externo do TCES, Rodrigo Lubiana Crédito: Sérgio Simas | TCES

"São nos municípios que a grande maioria das políticas públicas são realizadas e que são prestados os serviços ao cidadão, mas há uma concentração da arrecadação nos Estados e na União e isso é mal distribuído. Essa é a discussão da necessidade de uma novo Pacto Federativo, com uma fatia maior desses impostos indo para os municípios", disse.

Outro ponto é a existência de cidades que não possuem condições de se manterem por serem extremamente pequenas e com baixa atividade econômica.

Lubiana ressaltou que essa relação de dependência tem piores consequências na crise, já que Estado e União arrecadam menos e consequentemente repassam menos. "Se a crise se agravar, isso piora mais, pela dependência. Uma melhora na arrecadação federal, com a aprovação das reformas e a valorização do barril de petróleo deve dar um fôlego a essas cidades porque as transferências devem aumentar".

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