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"Momento é de pacificar"

Líderes do agronegócio pedem cautela com relação à China

Após crise diplomática causada por postagem do ministro da Educação, para autoridades do setor afirmam que Brasil não ganha nada com críticas desnecessárias

Publicado em 06 de Abril de 2020 às 22:31

Redação de A Gazeta

Publicado em 

06 abr 2020 às 22:31
Bandeira da China
Bandeira da China Crédito: Pixabay
Lideranças do agronegócio brasileiro afirmaram nesta segunda-feira (6), que é preciso ter cautela na forma como o País trata a China, o principal destino das exportações agropecuárias e um dos parceiros comerciais mais importantes. Segundo reportagem publicada pelo jornal Estadão, é consenso entre as autoridades ouvidas que o momento é de cautela e de pacificação diante das incertezas causadas pelo avanço da pandemia do coronavírus.
"Nossa preocupação nesse momento é de pacificar e manter as boas relações. Não queremos briga, precisamos dar suporte ao governo para atravessar crise. Estamos muito preocupados e precisamos de cautela", afirmou o ex-ministro da Agricultura Neri Geller, hoje deputado federal pelo PP-MT. No Mato Grosso, 8 em cada 10 sacas de soja - a principal commodity agrícola exportada pelo País - têm como destino a China. Diante da tendência de redução de consumo e de desaceleração econômica, Geller e outras lideranças pedem serenidade.
Em 2019, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 96,7 bilhões – a China foi responsável por 35% das compras. No fim de semana, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, insinuou que os chineses se beneficiaram da crise do coronavírus e postou imagens do personagem Cebolinha na muralha da China trocando 'L' pelo 'R', em alusão a como os chineses falam. Depois, apagou a postagem. A Embaixada da China no Brasil respondeu que as publicações eram "completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China".
"Sou muito realista: não devemos insultar ninguém. E não podemos misturar comércio com política, precisamos de uma posição mais sadia, mais madura", afirmou ao Estadão o também ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, hoje presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho).
"Já temos tantos problemas, não precisa criar mais um. O Brasil não ganha nada com isso, só perde", concorda Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira. Na prática, no entanto, Pedro de Camargo acredita que os chineses não devem retaliar os produtos brasileiros devido ao pragmatismo e à visão de longo prazo.
"Eles estão vendo que essas bobagens não têm apoio do Brasil, tem sempre havido uma reação forte, e eles entendem que o Brasil é mais que esse governo. Mas, claro, pode criar uma certa má vontade, deixarem de ajudar em algum momento", avalia.
O presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz, também não vê retaliações e minimiza a disputa política. Ele comenta que a relação China-Brasil é forte e afirma que os chineses conhecem a produção brasileira e confiam na qualidade dos produtos nacionais. "Não nos preocupamos com isso, o momento é de instabilidade e qualquer vírgula pode acirrar os ânimos. Mas somos produtores de matérias-primas para as proteínas animais, não vejo outros mercados que possam atender nesse momento. Mesmo diante dessa situação, continuaremos no campo produzindo", comenta.

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