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Hotel Canto do Sol vai fechar as portas em Vitória

Estabelecimento deve reabrir apenas em 2017, após reforma e se a crise econômica passar

Publicado em 14/07/2015 às 00h47
Atualizado em 22/10/2020 às 15h55

Por muitos anos, o Hotel Canto do Sol, na Praia de Camburi, destacava-se por sua imponência. Era um dos mais altos edifícios da Orla de Vitória, foi sinônimo de luxo e prosperidade. Quem passava pela região se surpreendia pela grandiosidade do empreendimento, que até o início deste século tinha como área mais de 26 mil metros quadrados.

Os anos se passaram, e o mercado de hotelaria ganhou novos empreendimentos, mais modernos, que, aos poucos, tiraram espaço do tradicional hotel.

No próximo mês, após 32 anos desde a inauguração, o Canto do Sol fechará as portas por tempo indeterminado. A princípio, a suspensão das atividades fazia parte de um projeto de reforma e adequação do edifício. Mas, com a crise financeira que tem atingido o setor de hotelaria em todo o país, os planos mudaram.

A obra, a primeira que ocorreria ao longo da trajetória do empreendimento, estava marcada para este ano, confessa um diretor do hotel, que não quis se identificar. Com a voz embargada e os olhos marejados, esse representante da companhia afirma que a empresa vai esperar o país mudar de rumo econômico para investir na modernização da estrutura. “Esperamos que até 2017 a economia volte ao normal. Quando ela for recuperada, vamos reabrir as portas. Até lá, a ideia é reformar o edifício aos poucos”.

A reestruturação do hotel custará entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões. “É indicado que no máximo em 20 anos os hotéis sejam reformados. Essa reciclagem do Canto do Sol virá com mais de 12 anos de atraso. Teremos que trocar tudo no estabelecimento, de elevadores a móveis para atender melhor ao consumidor. Em termos de construção, o prédio é o melhor de Vitória, mas obviamente ele precisa ser renovado“.

Nas décadas de 80 e 90, o Canto do Sol chegou a ser um dos mais importantes da Capital, mas o avanço do mercado imobiliário em Jardim Camburi também pressionou mudanças no hotel. Hoje, parte do local, cerca de 15 mil metros quadrados onde ficava o famoso espaço de lazer, abriga cinco torres de um condomínio residencial.

O Canto do Sol também sofreu impactos financeiros com o fim do Fundap. Voltado para o setor de turismo de negócios, desde a extinção do antigo modelo de benefícios fiscais, o hotel viu a ocupação cair em até 10%.

Com a crise que atravessa o Brasil e também o Espírito Santo, com a redução das prospecções de novos negócios, a queda na hospedagem foi de mais de 50% no país, afirma o diretor do hotel. “A baixa ocupação é propício à reforma. Porém, vivemos um momento em que não podemos apenas querer fazer algo. Dependemos da situação do mercado”, diz.

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Trajetória

1983

Em 1983, nascia o Hotel Porto do Sol, na Praia de Camburi, que se tornou um dos principais empreendimentos hoteleiros do Estado.

1999

O hotel foi vendido e mudou o nome para Canto do Sol.

2009

Parte do terreno (15 mil metros quadrados) foi disponibilizada para a construção de cinco torres em um condomínio residencial.

Estrutura

Instalações

Hoje, o hotel tem 1 suíte presidencial com 120 metros quadrados, quatro suítes executivas duplex com 50 metros quadrados cada uma e 164 apartamentos. Todos os quartos ficam de frente para o mar.

Projeto

Além de reformar o hotel, a ideia é que parte do terreno que fica atrás do edifício, com 4 mil metros quadrados, abrigue um centro de convenções.

Área ociosa pode virar centro de convenções

Apesar de planejar a reabertura do Canto do Sol para 2017, a empresa dona do empreendimento também vai estudar outras possibilidades de investimento. Se a reforma realmente acontecer, o grupo HP Hotéis deve dar andamento a um projeto de construção de um centro de convenções de quatro andares e de 16 mil metros quadrados numa área atrás do hotel.

“Antes que o condomínio fosse construído, meu sonho era fazer o espaço de eventos, mas não levei o projeto para frente devido ao centro de convenções que ficaria no espaço da Infraero”, explica o diretor da HP.

A empresa também não descarta vender o terreno ou mesmo o hotel para algum investidor. “Nosso plano é ainda reformar o local, mas se propostas boas aparecerem podemos rever o projeto”, afirma o diretor.

Com o fechamento do Canto do Sol, apenas 30% dos 68 funcionários do hotel serão aproveitados pelo Grupo HP em outros hotéis da rede, como o Aruan, Vitória Palace e Camburi Praia Hotel.

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