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'Herança maldita'

Haddad diz que governo Bolsonaro 'estuprou' as contas públicas

Ministro da Fazenda defende que gestão anterior tentou inviabilizar governo Lula pelo estrangulamento do orçamento
Agência FolhaPress

Publicado em 

06 fev 2026 às 15:35

Publicado em 06 de Fevereiro de 2026 às 15:35

BRASÍLIA - O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, disse nesta sexta-feira (6) que o governo Jair Bolsonaro (PL) promoveu uma "espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada." Para o chefe da equipe econômica de Lula 3, o PT deveria tirar proveito e explicar o que foi herdado da gestão anterior.
"[São] Eles que têm que temer discutir economia com a gente, porque eles não têm argumento para defender o que eles fizeram, não têm", disse, em evento durante as comemorações dos 46 anos do PT, em Salvador (BA).
Na avaliação de Haddad, a estratégia do governo Bolsonaro era deixar uma armadilha que inviabilizasse a gestão Lula, repetindo um argumento que tem defendido em entrevistas, o de que a atual situação fiscal deficitária são consequência de uma "herança maldita" da gestão anterior.
O ministro da fazenda, Fernando Haddad
Haddad diz que oposição terá trabalho para criticar economia no governo Lula Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
Ele citou a flexibilização de acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), a postergação do pagamento de precatórios, o aumento de repasses ao Fundeb (Fundo de Manutenção da Educação Básica) e o reajuste do Auxílio Brasil (programa depois incorporado ao Bolsa Família), que não estavam no Orçamento.
O relato de Haddad quanto ao quadro em 2023, quando assumiu a Fazenda, serviu também de ponte para uma defesa da política econômica de sua pasta desde então, que por diversas vezes foi alvo de críticas dentro do PT. Haddad era acusado de promover um "austericídio".
Medidas como a PEC da Transição e depois a lei complementar que criou o arcabouço fiscal foram, segundo o ministro da Fazenda, necessárias para evitar a total paralisia do governo ainda no primeiro ano de gestão.
"Vejo muitas pessoas legitimamente questionando. Estou dizendo que podemos discutir, mas foi o acordo possível para você superar o teto de gastos, que já tinha sido desmoralizado", afirmou. "E a gente substituiu com um Congresso no qual a gente tem, se tanto, 30% dos votos, e tinha que ter uma votação expressiva, quórum qualificado."
Haddad também defendeu medidas que, segundo ele, sequer haviam sido tentadas em governos anteriores, como a volta do voto de desempate no Carf, a tributação de offshores e de fundos familiares fechados. "Eu podia ficar a tarde só falando o que nós aprovamos", disse. "Não é valentia de minha parte, se não fizesse, a gente chegava até aqui."
O ministro da Fazenda também defendeu a queda nos juros básicos, a Selic, para menos de 10%. A Selic está em 15% ao ano, e o Copom (Comitê de Política Econômica) indicou que deve dar início a um ciclo de cortes.
"Temos que ir para juro de um dígito e nunca mais pensar em juros de dois dígitos no Brasil. Nós podemos crescer, ter um crescimento mínimo garantido."

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