Publicado em 19 de julho de 2019 às 17:15
- Atualizado há 6 anos
Dois funcionários do Hospital Meridional Praia da Costa, em Vila Velha, passaram mal e foram isolados após realizaram os primeiros atendimentos aos três tripulantes resgatados do navio AP DUBRAVA. Segundo a médica pneumologista Kristiane Soneghet, eles apresentaram dores de cabeça e náuseas e um deles teve dores abdominais. Eles continuam em isolamento por orientação da Vigilância Sanitária. >
Segundo o hospital, os funcionários, que fazem parte da equipe de enfermagem, apresentaram mal-estar após contato com os tripulantes. Eles teriam sido os primeiros a prestar atendimento as vítimas, segundo a pneumologista Kristiane Soneghet. Ela acredita que os sintomas sejam consequência do contato com o gás que os tripulantes tiveram. >
Os dois funcionários, apesar de já estarem bem e sem sintomas, segundo o hospital, foram isolados por orientação do Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (CIEVS). "Quando acontecem casos assim, tem todo um protocolo para que o funcionário fique em isolamento, sendo monitorado", disse Kristiane. >
Veja a nota na íntegra do hospital:>
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O Grupo Meridional confirma que dois funcionários do Meridional Praia da Costa apresentaram, inicialmente, sintomas brandos e leve mal-estar após contato com os tripulantes, mas já se encontram integralmente bem e sem quaisquer sintomas. Eles e os tripulantes estão em isolamento por orientação do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde) até que a investigação seja concluída.>
Ainda nesta sexta-feira, um dos funcionários teve alta. A previsão é de que o segundo funcionário seja liberado neste sábado (20).>
ENTENDA O CASO>
Dois tripulantes morreram e outros três passaram mal após um vazamento de gás no Navio Mercante "AP DUBRAVA", com bandeira das Ilhas Marshall. A embarcação transportava malte e, com o acidente, teve que atracar em Vitória. A suspeita da médica pneumologista Kristiane Rocha Moreira Soneghet é de que os tripulantes tenham se intoxicado com gás sulfídrico decorrente de decomposição de matéria orgânica durante uma limpeza na tubulação do navio. >
PEDIDO DE SOCORRO>
De acordo com a Marinha do Brasil, os membros da embarcação pediram socorro no final da tarde de quarta-feira (17), quando o navio estava a 160 milhas náuticas da costa do Espírito Santo — cerca de 296 quilômetros.>
O serviço de Busca e Salvamento da Marinha foi acionado para prestar o socorro, dando início a uma operação que contou com o apoio de uma aeronave da Marinha e da Capitania dos Portos do Espírito Santo.>
RESGATE>
Já na manhã desta quinta-feira (18), foi realizado o resgate de três tripulantes com um helicóptero da Marinha. Eles foram conduzidos para tratamento em hospitais de Vila Velha e de Cariacica. Os corpos dos dois mortos permaneceram no navio até o início desta tarde. O navio partiu de San Lorenzo, na Argentina, e tinha como destino Las Palmas, na Espanha.>
PERÍCIAS>
Como o acidente aconteceu em alto-mar, as perícias foram realizadas pela Polícia Federal. Por meio de nota, a superintendência do órgão informou que a Delegacia de Plantão foi informada e determinou o envio de equipe de policiais federais ao Porto de Vitória para se inteirar dos fatos e realizar os exames periciais. >
ATRACAÇÃO NO PORTO>
A embarcação atracou por volta das 17h45 desta quinta-feira (18) no berço 101 do Cais Comercial de Vitória, onde deve permanecer por três dias.>
ESTADO DE SAÚDE DOS TRIPULANTES>
Dois tripulantes com quadro clínico de inalação de monóxido de carbono estão no Meridional Praia da Costa, em Vila Velha. Eles estão estáveis, conscientes, na UTI, fazendo oxigenoterapia e sessões de hiperbárica. Já o terceiro tripulante, que com o estresse da situação também passou mal, está internado no Hospital Meridional em Cariacica. Ele teve a suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) descartads após a realização de exames e segue estável e consciente.>
DML>
Por volta das 20 horas os corpos foram levados para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, onde passarão por necropsia para identificar a causa da morte. Quatro dos homens que passaram mal inalaram o gás tóxico; o quinto trabalhador ficou em estado de choque.>
ESTAVAM LIMPANDO TUBULAÇÃO>
A empresa dona do DP DUBRAVA afirmou em comunicado a mercado financeiro que os tripulantes afetados após o suposto vazamento de gás realizavam uma atividade conhecida como flushing (limpeza de redes de tubulação).>
"ATIPICO", DIZ ESPECIALISTA>
De acordo com o especialista marítimo portuário Luigi Goulart Viana, a limpeza de tubulação de um navio graneleiro durante a navegação é atípica. Manutenções como essas ocorrem, normalmente, em embarcações de combustível.>
INFORMAÇÕES SOBRE O NAVIO E O ACIDENTE>
Nome do navio: AP DUBRAVA, construído em 2015>
Empresa dona da embarcação: Atlantska Plovidba>
Bandeira: Ilhas Marshall>
Origem: San Lorenzo na Argentina>
Destino: Las Palmas, território espanhol localizado nas Ilhas Canárias.>
Local onde estava na hora do acidente: 160 milhas náuticas da costa capixaba, cerca de 296 km>
Número de mortos: 2 - nomes e nacionalidades não divulgados>
Número de socorridos: 3. Dois inalaram gás e o terceiro foi socorrido em estado de choque.>
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