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Bruno Funchal, ex-Fazenda do ES, será o novo secretário do Tesouro

O economista foi anunciado para o cargo ocupado por Mansueto de Almeida. Ele assume a função em 31 de julho

Publicado em 15/06/2020 às 14h28
Atualizado em 15/06/2020 às 17h54
Bruno Funchal é diretor da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia
Bruno Funchal é diretor da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia. Crédito: Tati Beling/Assembleia Legislativa

O ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo, Bruno Funchal, será o novo secretário do Tesouro Nacional no lugar de Mansueto de Almeida. O anúncio oficial foi feito às 16h13 no site do Ministério da Economia. Segundo o órgão, Funchal assumirá o cargo definitivamente em 31 de julho.

Conforme mostrou A Gazeta, Funchal era um dos quatro nomes cotados para assumir a função. Acabou sendo o nome escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, devido a sua participação em medidas importantes nos últimos meses.

Ex-secretário de Fazenda do Espírito Santo, Funchal foi elemento importante na construção do novo pacto federativo e ainda atuou na conciliação entre governo e Congresso na construção do projeto de socorro aos Estados e municípios. 

A proposta inicialmente aprovada pela Câmara e que depois foi reconstruída no Senado chegou a ser chamada de a "mãe de todas as bombas fiscais." Segundo interlocutores, Funchal teve papel importante para "desarmar" o problema.

A escolha de Funchal sinaliza a postura do ministro Paulo Guedes de conseguir dialogar com o Congresso em assuntos que tenham peso fiscal.

Como diretor de programa na secretaria especial de Fazenda, ele também participou da elaboração do Plano Mais Brasil, conjunto de medidas anunciadas por Guedes em novembro do ano passado para ajustar as contas públicas.

O plano inclui, por exemplo, a liberação de dinheiro parado em fundos públicos e aumento de repasses para estados e municípios desde que os entes também se esforcem para controlar as despesas.

No Estado, Funchal foi secretário da Fazenda do Espírito Santo de fevereiro de 2017 a dezembro de 2018, no gestão de Paulo Hartung (sem partido). Entrou no lugar de Ana Paula Vescovi que saiu também da mesma pasta para atuar no posto que Funchal vai ocupar no Ministério da Economia.

O novo secretário do Tesouro terá a missão de manter o rigor de Mansueto nas contas públicas no pós-pandemia, em linha com a filosofia de Guedes, calçada na austeridade fiscal.

"Em 2017 e 2018, Funchal foi secretário de Fazenda do Espírito Santo e um dos responsáveis pelo processo de ajuste das contas públicas. Estava no cargo quando o estado foi o único que recebeu nota A do Tesouro Nacional. Desde o início do governo Jair Bolsonaro, ele integra a equipe da Secretaria de Fazenda como diretor de programa e trabalha pelo ajuste fiscal do país. Foi um dos técnicos responsáveis para elaboração do projeto do Pacto Federativo", disse o Ministério da Economia em nota.

Funchal que é professor da Fucape, em Vitória, e tem especialização em macroeconomia, é formado em economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e PhD pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e com pós-doutrado pelo Instituto Nacional de Matematica Pura e Aplicada (Impa). 

MANSUETO NEGA SAÍDA DE GUEDES

Após anunciar sua saída do cargo até agosto, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, negou nesta segunda-feira, 15, a possibilidade de o ministro da Economia, Paulo Guedes, também deixar o governo. "Não tem essa possibilidade não. O ministro Guedes tem valores claros e convicção do que precisa ser feito", afirmou, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

Segundo Mansueto, Guedes segue muito animado com a perspectiva de crescimento do País na retomada após a crise atual. "A cada batalha, parece que ele renova o espírito de luta. O ministro acredita que o Brasil pode decolar. A cada dia que acham que Guedes está cansado ele volta com novas ideias e muita empolgação para mudar o País, lutando por reformas no governo", acrescentou.

Na entrevista, Mansueto repetiu seus alertas sobre o crescimento do endividamento público decorrente da crise da pandemia de covid-19 e voltou a defender a votação de reformas econômicas no segundo semestre, com destaque para as reformas administrativa e tributária.

Questionado sobre a possível privatização do Banco do Brasil, ele lembrou que a instituição não está na lista de estatais a serem vendidas pelo governo, embora o presidente do banco, Rubem Novaes, defenda essa ideia. "O BB não está na lista de privatização, mas o banco precisa se reinventar. Se houver esse consenso no futuro, não vejo problema em se privatizar o BB. Se o banco é público ou privado não me interessa, o importante é termos juros baixos em um ambiente competitivo", completou.

Desde o ano passado, Mansueto já dava sinais de que gostaria de sair do governo, mas foi convencido a permanecer por mais tempo.

No fim de 2019, Guedes chegou a dizer que negociava internamente para tentar segurar o secretário no cargo por pelo menos mais um ano. Ele também sugeriu que o secretário comandasse o Conselho Fiscal da República, órgão que seria criado com a aprovação das propostas do pacto federativo. Sem votação do Congresso, o órgão ainda não foi criado.

Nas últimas semanas, porém, Mansueto retomou as tratativas com o ministro para que fosse possível uma transição para sua saída.

Neste domingo (14), a decisão de Mansueto de deixar o cargo foi confirmada. O secretário disse à Folha que agora seria o momento adequado porque está se iniciando uma nova fase para a gestão econômica, com medidas para a recuperação da atividade.

"Ou saía agora, ou não saía, porque é preciso que seja o mesmo secretário acompanhando esse novo momento", disse Mansueto. O secretário comanda o Tesouro desde abril de 2018. Assumiu a função no último ano do governo Michel Temer (2016-2018). Antes, foi secretário de Acompanhamento Econômico e de Acompanhamento Fiscal do então Ministério da Fazenda, na gestão Henrique Meirelles (2016-2018).

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Com informações de agências

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