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Bancos mudam regras para facilitar o crédito imobiliário

Caixa apresentou um novo modelo de financiamento no qual leva em conta o IPCA e juros a partir de 2,95% ao ano

Publicado em 19/08/2019 às 14h41
Atualizado em 25/08/2019 às 00h55
  . Crédito: Divulgação
. Crédito: Divulgação

Mudanças no crédito imobiliário reduzem os juros cobrados pelos bancos e facilitam o financiamento da casa própria. Em um movimento iniciado pela Caixa Econômica Federal, bancos alteraram as formas de cobrança dos juros. O mesmo já foi feito pelo Banco do Brasil e poderá atingir outras instituições bancárias.

Na Caixa, foi criada uma nova modalidade de empréstimo, que leva em consideração o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e juros que variam de 2,95% a 4,95% ao ano. Como o IPCA está em 3,8%, os juros totais variam de 6,75% a 8,75% ao ano.

Mesmo considerando que o novo modelo pode reduzir os juros, especialistas consideram o IPCA mais instável que a TR utilizada atualmente. O modelo de financiamento utilizando a Taxa Referencial não deixará de existir, cabendo ao cliente optar por um modelo ou pelo outro.

Os contratos poderão ter prazo de até 360 meses e valor máximo financiado de 80%. Para obter o financiamento, o cliente só poderá ter, no máximo, 20% de renda comprometida - hoje, o percentual é de 30%. Ou seja, a nova linha será oferecida a quem tem mais folga no orçamento e, portanto, risco menor de dar calote.

Hoje, o mercado funciona numa lógica diferente com bancos fixando um juro nominal no cálculo das prestações, que são revisadas apenas pela Taxa Referencial (TR). O novo sistema será anunciado nesta terça-feira (20) pela Caixa, mas o Bradesco já admite também adotar a regra. Outros bancos, entre eles o Banestes, afirmam que estão avaliando a adoção das alterações.

VANTAGENS E RISCO

Para especialistas, a alteração trará vantagens para o mutuário que vai pagar uma baixa taxa fixa e pegará uma inflação abaixo da meta. Com a reforma da Previdência e o avanço de outras reformas, existe a expectativa de uma maior estabilidade do IPCA.

Para o economista Antônio Marcus Machado, a medida tende a ser boa para quem conseguir fazer contratos curtos, com duração de 5 a 6 anos. "Nesse prazo, a economia brasileira deve permanecer estável e os juros não devem variar muito. Mas não conseguimos fazer essa previsão para os próximos 20 ou 30 anos. Nesse prazo, o risco dos juros subirem e o contrato não ser vantajoso é grande", explicou.

Ainda assim, Antônio Marcus acredita que a medida ajudará a aquecer o mercado imobiliário. "Essa medida, junto com a possibilidade da utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para pagar até 80% da prestação do imóvel tendem a melhorar a economia neste setor", avaliou.

BANCO DO BRASIL

Logo após a Caixa anunciar suas mudanças, o Banco do Brasil informou que passa a oferecer aos clientes a opção do financiamento imobiliário com juros diferenciados por prazo de operação. Com a mudança, válida para as linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Carteira Hipotecária (CH), as taxas de juros passam a considerar o prazo da operação escolhido pelo cliente, ou seja, quanto menor o prazo, menor será a taxa. Com isso, a menor taxa de financiamento imobiliário no BB passa a ser 7,99% ao ano.

Agora, as novas faixas de prazo são as seguintes:

· 60 meses – taxa a partir de 7,99% a.a. + TR

· De 61 a 118 meses - taxa a partir de 8,05% a.a. + TR

· De 119 a 178 meses - taxa a partir de 8,10% a.a. + TR

· De 179 a 238 meses - taxa a partir de 8,15% a.a.+ TR

· De 239 a 298 meses - taxa a partir de 8,24% a.a. +TR

· De 299 a 358 meses – taxa a partir de 8,29% a.a. +TR

· De 359 a 418 meses - taxa a partir de 8,45% a.a. + TR

PLANEJAMENTO

O presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Eduardo Araújo, orienta que o consumidor planeje junto com a família a compra. "É preciso conversar com os familiares, colocar as contas na mesa, não contrair compromissos financeiros maiores do que o valor da prestação do imóvel. Todo financiamento tem que ser visto com muita cautela, mas a tendência é que o custo do financiamento diminua."

O diretor da Alphamar Investimentos e professor da Fucape, Fernando Galdi, considera a medida positiva. "Essa nova modalidade faz com que a pessoa fique pagando proporcionalmente o que está sendo acordado na assinatura do contrato. Porque a taxa na correção varia ao longo do tempo, mas se leva em conta a inflação oficial do país", comenta. 

ADESÃO

Além da Caixa, mudança com a nova modalidade de crédito atrelada ao IPCA já está sendo estudada por outros bancos. O Bradesco disse que deve operar com essa nova linha e que está avaliando as condições. Já o Banestes, o Itaú Unibanco e o Santander afirmaram que estão avaliando a medida. 

Apesar dos especialistas apontarem que os juros do financiamento de imóveis no país devem cair, o consumidor que não tem o salário corrigido pela inflação precisa ficar atento, segundo Galdi. Pois corre-se o risco das parcelas subirem mais do que o consumidor esperava.

SETOR APROVA INICIATIVA

O setor imobiliário aprovou a iniciativa da Caixa e acha que a mudança pode estimular o mercado, como destaca o presidente da Associação Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Sandro Carlesso.

"A gente está em um momento importante para os clientes porque as facilidades para compra do imóvel aumentaram, seja por redução da taxa de juros, seja pela nova forma que o governo deve anunciar amanhã. A gente vem de um período em que os clientes não estavam fechando negócio por insegurança, pela taxa de juros que estava mais alta. Com essas mudanças, as pessoas devem voltar para o mercado, aumentando o volume de venda."

A MUDANÇA

Caixa Econômica Federal

Nova linha

O financiamento habitacional na caixa tem um novo modelo disponível. Os valores serão vinculados ao IPCA e juros que variam de 2,95% a 4,95% ao ano. O prazo máximo para o financiamento são 360 meses e a quota máxima de financiamento é de 80%.

Banco do Brasil

Novas taxas

Agora o banco possui taxas que variam de acordo com o tempo de duração do contrato. Elas começam em 7,99% ao ano + TR - para contratos com duração de 60 meses -, chegando a 8,45% ao ano + TR para contratos com duração entre 359 e 428 meses.

Outros bancos

Banestes

O banco capixaba diz que observa a demanda de crédito habitacional em sua rede de agências, para oferecer produtos competitivos a seus clientes e que realiza estudos para adoção de outros indexadores para correção das prestações.

Bradesco

O banco deve operar com esta nova linha atrelada ao IPCA e diz que está avaliando as condições.

Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco respondeu que está estudando as condições das medidas que estão sendo discutidas para traçar qual caminho vai seguir.

Santander

O Santander afirmou que está avaliando a medida, de relacionar a correção do crédito imobiliário ao IPCA.

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