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Investimentos

Você sabe o que é Growth Investing?

Entenda a estratégia de investir em empresas que prometem crescer acima da média

Publicado em 02 de Junho de 2026 às 08:16

Públicado em 

02 jun 2026 às 08:16
Vicente Duarte

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Vicente Duarte

Growth Investing é uma forma de investir que busca empresas com grande potencial de crescimento no futuro. Na bolsa, isso significa comprar ações de companhias que podem aumentar suas receitas, seus lucros e seu valor de mercado em ritmo superior ao da média das demais empresas.


A ideia parece simples: se uma empresa cresce muito, suas ações também podem se valorizar. Mas, na prática, essa estratégia exige cuidado. O investidor growth normalmente aceita pagar um preço mais alto hoje porque acredita que os resultados futuros da empresa vão compensar esse valor. É como investir em um pequeno negócio promissor: talvez ele ainda não dê tanto lucro agora, mas pode se tornar muito maior nos próximos anos.

O desafio do Growth Investing é identificar empresas com crescimento real antes que o mercado reconheça esse potencial
O desafio do Growth Investing é identificar empresas com crescimento real antes que o mercado reconheça esse potencial Imagem gerada pelo ChatGPT

Empresas de tecnologia, saúde, energia limpa, inteligência artificial e plataformas digitais costumam aparecer nesse tipo de análise. Muitas vezes, elas reinvestem quase tudo o que ganham para crescer mais rápido, abrir novos mercados, desenvolver produtos ou conquistar clientes. Por isso, nem sempre distribuem dividendos ou apresentam lucros altos no presente.


A Morningstar, referência em análise de investimentos, classifica empresas growth como aquelas com expectativa de crescer mais rapidamente do que outras companhias do mesmo porte. Mas isso não significa que qualquer empresa “moderna” ou “da moda” seja um bom investimento. Crescimento precisa aparecer em números: aumento de vendas, melhora de margens, ganho de mercado e capacidade de transformar inovação em resultado.


Esse é o ponto crítico. Growth Investing não é comprar uma boa história. É avaliar se a promessa de crescimento tem base real. Uma empresa pode falar de tecnologia, disrupção e futuro, mas continuar queimando caixa, acumulando prejuízos e dependendo de capital novo para sobreviver. Neste caso, o investidor pode estar pagando caro por uma expectativa frágil.


A Research Affiliates, casa de pesquisa especializada em estratégias de investimento, chama atenção para esse risco ao diferenciar crescimento real de simples glamour de mercado. Em períodos de euforia, investidores tendem a comprar empresas que já subiram muito, acreditando que continuarão subindo. O problema é que preço alto demais reduz a margem de segurança e aumenta o risco de frustração.


Um exemplo simples ajuda: imagine uma padaria de bairro que fatura R$ 50 mil por mês e cresce de forma constante, abrindo novas unidades com lucro. Agora imagine outra empresa que promete virar uma grande rede nacional, mas ainda não provou que consegue vender com margem positiva. As duas podem crescer, mas o risco é muito diferente.

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Nos últimos anos, esse debate ficou ainda mais forte com a valorização de empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial. Algumas realmente mudaram seus mercados. Outras apenas pegaram carona em uma narrativa poderosa. Para o investidor comum, separar uma coisa da outra é essencial.


No fundo, Growth Investing é apostar no futuro, mas sem abandonar a razão. O investidor precisa perguntar: essa empresa tem mercado grande, vantagem competitiva, boa gestão e capacidade de transformar crescimento em lucro? Se a resposta for sim, pagar mais caro pode fazer sentido. Se a resposta depender apenas de entusiasmo, o risco é grande.


Depois de entender o Value Investing, que procura empresas abaixo do valor real, o Growth Investing mostra o outro lado da bolsa: empresas que talvez pareçam caras hoje, mas podem ser baratas se crescerem muito amanhã. A diferença entre oportunidade e exagero está na qualidade da análise.

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Vicente Duarte

Graduado em Economia pela Ufes, com MBA em Gestao Financeira e Controladoria pela FGV e MBA em Digital Business pela USP. Atua ha 15 anos no mercado financeiro e atualmente e diretor do Banestes.

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