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Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

Como é calculado o preço de uma criptomoeda e como acreditar nesse mercado?

Com as recentes quedas na cotação do Bitcoin, os investidores sempre se perguntam se há alguma razão para confiar nas moedas digitais

Vitória
Publicado em 03/02/2022 às 09h06

Quando, em outubro de 2008, foi divulgada a ideia do Bitcoin, criado por Satoshi Nakamoto — pseudônimo que até hoje esconde a verdadeira identidade da pessoa ou grupo responsável pelo feito — ninguém poderia prever a proporção que esse mercado tomaria, hoje avaliado em mais de 3 trilhões de dólares, e que atrai desde pequenos investidores até grandes agentes institucionais, como bancos, fundos e até governos. No entanto, é um mercado que, apesar de ganhos históricos estratosféricos, possui elevada volatilidade, e é sempre alvo de desconfiança de importantes nomes do mercado financeiro.

Afinal, o que faz o preço do Bitcoin e de outras criptomoedas? Quais são os seus fundamentos?

Criptomoedas cripto bitcoin ethereum
Criptomoedas: expansão desse mercado cria oportunidades, mas também traz dúvidas. Crédito: dulezidar / Getty Images

Talvez a grande evolução tecnológica trazida pelo Bitcoin seja o registro descentralizado, através da Blockchain, o que permite que as transações sejam registradas e certificadas sem a presença de um agente público centralizador. E dessa forma, não existe um garantidor da moeda, como um Banco Central, ou um Governo, que tradicionalmente são emissores de moeda e responsáveis por uma política monetária que proteja o seu valor.

Portanto, o que faz o preço das criptomoedas, ou criptos, é a livre oferta e demanda, o que é uma das explicações para tamanha volatilidade. No entanto, a crescente demanda pelo Bitcoin foi que levou a moeda ao atual valor de cerca de 40 mil dólares, e isso tem os seus motivos, ou os seus possíveis fundamentos.

1) UTILIDADE

O primeiro deles é a utilidade. Quando o Bitcoin foi criado, muita gente se perguntava pra quê isso servia. E no decorrer do tempo, as criptomoedas demontraram a capacidade de ofertarem trocas e transações muito rápidas, que não conhecem fronteiras, línguas ou países, inicialmente sem a limitação imposta pela regulação legal.

A utilidade das criptomoedas para o fechamento de transações rápidas e confiáveis é muito conhecida. Mas ainda assim, as criptos diferem entre si nesse aspecto, pois algumas servem a tipos de trocas específicas, como os empréstimos e financiamentos digitais e os NFTs, tão falados nos últimos tempos. De qualquer forma, é um fato que as criptomoedas se tornaram muito úteis para os mais diversos agentes, e para os mais diversos propósitos.

2) TECNOLOGIA

O segundo fundamento é a tecnologia. O valor tecnológico de cada criptomoeda está na rapidez, no registro simplificado e seguro, no consumo de energia necessário para a mineração (processo de validação das transações pelo qual se recebe uma recompensa), na facilidade do uso do protocolo, da diversidade de usos possíveis, e na leveza e fluidez na operacionalização.

Moedas mais rápidas, simples e confiáveis ganham pontos nesse aspecto.

3) REPUTAÇÃO

O terceiro fundamento é a reputação. Neste caso, o Bitcoin leva vantagem sendo a primeira, mais conhecida e procurada criptomoeda. Para muitas pessoas, Bitcoin e criptomoeda são sinônimos. A adesão de diversos investidores de grande porte, como Banco e fundos, a existência de derivativos em Bolsas, a extensa liquidez e aceitação geral ajuda a fazer a reputação das criptos e seu preço no mercado.

A segunda moeda com melhor reputação, e também com grande utilidade e capacidade tecnológica, é o sistema Ethereum, não por outro motivo a segunda moeda mais valorizada em termos de preço.

Portanto, este é um mercado em que se vê muito potencial, porque a utilidade, o desenvolvimento tecnológico e a reputação das criptomoedas continua em alta. Por ser um mercado descentralizado, e cuja demanda e oferta são livres e desprovidas de um lastro governamental ou institucional, sofrem com notícias, declarações de personalidades influentes e movimentos das chamadas “baleias”, os grande detentores de posições de criptomoedas.

Se uma grande empresa passa a aceitar Bitcoins para que se comprem carros, cresce a utilidade e a reputação, fazendo o preço subir. Se o consumo de energia em mineração incomoda Governos e provoca restrições legais, a tecnologia deixa uma fragilidade que pode ser uma ameaça para o preço.

A própria prevalência do Bitcoin, ou seja, o fato de que esta é a principal criptomoeda, traz benefícios (a máxima reputação pelo mercado) e ameaças (a perda da prevalência para outra criptomoeda), o que poderia fazer o preço do Bitcoin cair.

Sendo um ativo de essência tecnológica, a substituição de qualquer criptomoeda importante é um tanto difícil, mas plenamente possível. E por isso, é importante saber que o preço do Bitcoin é sempre baseado naquilo que alguém está disposto a pagar, e existem fundamentos para isso, mesmo que sejam um pouco diferentes como diferente é o mercado de criptomoedas.

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