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Análise

Novo governo e o mercado: o início que assusta

Dos 116 mil pontos do fechamento do Ibovespa em 3 de outubro, primeiro dia após as eleições, aos 105 mil pontos do fechamento de ontem, o mercado está dando o seu recado ao novo governo

Publicado em 05 de Janeiro de 2023 às 09:35

Públicado em 

05 jan 2023 às 09:35
Lélio Monteiro

Colunista

Lélio Monteiro

Não somente o Ibovespa, mas também o dólar e os juros surpreenderam o mercado no primeiro dia útil após as eleições do segundo turno. No dia 3 de outubro, o Ibovespa subiu e fechou em 116 mil pontos, atingindo a máxima intraday de 120.751 pontos no dia 21 de outubro, período em que juros longos e dólar chegaram a cair, demonstrando como o fim da incerteza das eleições, mesmo que o resultado não seja o que o mercado financeiro quer, pode trazer algum alívio aos mercados.
Desde então, o humor dos investidores tem se invertido. Os juros longos dispararam em 11 de novembro, e não se recuperaram mais, depois do discurso de que a responsabilidade fiscal não seria uma preocupação primária do Governo, e ficaria em segundo plano. A deterioração do índice Ibovespa e do dólar tem ocorrido de forma gradual, e vem demonstrando que o mercado está cada vez menos satisfeito com os primeiro sinais do novo governo.
Congresso Nacional e o Palácio do Planalto
Congresso Nacional e o Palácio do Planalto Crédito: Ricardo Stuckert
O índice Ibovespa, composto por algumas das empresas que mais geram empregos no país, antecipa de uma forma bastante precisa o crescimento esperado para o futuro da economia brasileira. Sendo assim, é preciso entender o que preocupa o mercado e os investidores.

Responsabilidade fiscal em segundo plano

A aprovação da PEC da Transição com quase 200 bilhões fora do teto é um grande problema, mas há outros maiores. A regra do Teto de Gastos, mesmo desgastada, é uma âncora fiscal importante, há quase um consenso entre Executivo e Legislativo de que haverá uma nova regra a ser criada já no próximo ano.
Ao mesmo tempo, o mercado ficou preocupado com a nomeação de Fernando Haddad como ministro da Fazenda, um quadro histórico do PT muito ligado ao “desenvolvimentismo” e a um Estado mais intervencionista. No entanto, Haddad vem adotando, neste primeiro momento, um discurso moderado, prometendo zerar o déficit fiscal ainda em 2023 com corte de gastos.

Gestão das estatais

A interrupção dos programas de privatização de empresas públicas já seria um baque nos preços, mas a intenção de usar empresas de economia mista (que tem acionistas privados) para atender a interesses do Governo, mesmo que prejudique o lucro das companhias, gera calafrios no mercado.
No caso do Banco do Brasil, a principal preocupação é a utilização da instituição para a concessão de crédito sem base técnica, de forma a “induzir” o mercado a abaixar o spread, em conjunto com a Caixa Econômica Federal (que é 100% pública).
No caso da Petrobras, o receio é a pressão de setores da esquerda para que os preços praticados pela companhia sejam descolados do mercado internacional.
É preciso lembrar que tanto no caso da Petrobras como nos bancos públicos, as estratégias mencionadas já foram utilizadas anteriormente pelo PT e trouxeram impactos negativos no lucro das companhias. Por isso as ações dessas empresas estão sofrendo tanto na Bolsa, carregando o índice para baixo, principalmente no caso da Petrobras.
Cabe lembrar que as estatais brasileiras tiveram lucros recordes neste ano de 2022, que podem superar 250 bilhões.

Inflação e taxa de juros

A aprovação da PEC da Transição, junto com a intenção de afrouxar as regras fiscais, já foram motivo de preocupação do Banco Central em relação ao estímulo à inflação. Estamos vindo de um período de inflação alta em todo o mundo, e por isso estamos com uma Selic alta. Juros maiores podem ajudar a conter a inflação, mas têm efeito de desaceleração na economia.
Caso a inflação continue alta, recebendo força adicional pelo aumento dos gastos públicos, a taxa Selic pode demorar mais a cair. Neste caso, o mercado se defende com o aumento dos juros longos, levando à piora no custo de financiamento no país e impactando negativamente os preços das ações na Bolsa.

Desencontros e demora na formação do governo

A demora em divulgar o primeiro escalão foi a maior dos últimos governos, concluindo-se o processo apenas em 29 de dezembro. A dificuldade é acomodar uma base política grande e diversa, absorvendo ideias que podem vir inclusive de espectros ideológicos antagônicos.
Nesta última semana, o tom dos discursos foi o desencontro. Houve até casos de ministros anunciando projetos e iniciativas pessoais e sendo desmentidos por outros integrantes do governo. No fim, parece que tudo vai passar por Lula, mas até lá, fica claro que ainda falta alinhamento.
Em resumo, o período de transição de governo é sempre difícil e doloroso, ainda mais quando há alternância de poder. A Bolsa costuma não ter boa performance nesse período.
No entanto, o início deste governo tem trazido preocupações adicionais e feito com que a incerteza sobre o que vai acontecer volte a dar o tom. Para abandonar a cautela, o mercado vai esperar uma visão mais clara e previsível do que vem à frente.

Lélio Monteiro

Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

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