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Análise

2022 será lembrado como um período difícil para a economia

A notícia boa é que, o pouco de uma possível melhora desse cenário, será importante para mitigar os solavancos em 2023

Publicado em 02 de Janeiro de 2023 às 09:27

Públicado em 

02 jan 2023 às 09:27
Luiz Alberto Caser

Colunista

Luiz Alberto Caser Luiz Alberto Caser
Escrevo este artigo na sexta-feira (29/12). Hoje, é o último pregão do ano de 2022. Sendo assim, vamos supor que o Ibovespa encerre os negócios de forma estável. Se isso se confirmar, o principal indicador do mercado acionário brasileiro terá registrado um ganho de 5,2% no ano de 2022. Olhando apenas esse número, parece um desempenho fraco. Contudo, nada mais distante do que a realidade.
O ano que se encerra foi um divisor de águas em, pelo menos, dois pontos relevantes:
O primeiro, tange aos movimentos dos bancos centrais que, em mais de três décadas, optaram por contrair a política monetária em vez de simplesmente deixar que os aumentos de produtividade reduzissem os custos estruturais da economia e baixassem a inflação. Esse foi o comportamento praticamente uniforme das autoridades monetárias desde os anos 1990. E isso deixou os investidores mal-acostumados.
2022 será lembrado como um ano difícil para a economia
2022 será lembrado como um ano difícil para a economia Crédito: Pixabay
Qualquer crise era, de um modo ou de outro, um ponto de compra. Bastava comprar e ter paciência, e o tempo faria qualquer aposta render mais que os juros referenciais. Isso acabou e as coisas voltaram ao “normal”. Ou, melhor dizendo, ao que valeu durante todo o século passado.
Não há garantias de que uma determinada ação sempre vá superar os ganhos da renda fixa. Ao contrário, em situações de capital mais escasso e caro, apenas bons gestores e bons modelos de negócio vão recompensar o investidor.
O segundo motivo é um drástico retrocesso na globalização. Ou, dito de outra forma, a volta das nações como entidades políticas e militares. A invasão russa à Ucrânia, que começou como uma campanha relâmpago em março e agora se arrasta por quase um ano, foi a primeira ofensiva militar na Europa desde 1945.
Nos últimos 77 anos, guerras foram assuntos de cantos remotos do mundo. E do outro lado da Ásia, o governo em Pequim vem elevando sistematicamente o tom com relação a Taiwan. Ainda não há nenhuma indicação de que o endurecimento da retórica possa levar à guerra.
O assunto aqui é econômico, não militar. Mesmo assim, a ofensiva russa foi acompanhada de sanções econômicas, que vão além das fronteiras da Rússia e passam pelo mercado global de petróleo. Ou seja, guerra faz preço no mercado e vai continuar fazendo.
Por tudo isso, o ano de 2022 será lembrado como um período difícil. A notícia boa é que, o pouco de uma possível melhora desse cenário, será importante para mitigar os solavancos em 2023.

Luiz Alberto Caser

Luiz Alberto Caser Luiz Alberto Caser

Formado em Administração, com MBA em Finanças pelo IBMEC e pós-MBA em Inteligência de Mercado pela FGV. Credenciado junto à CVM como Agente Autônomo de Investimentos na Valor Investimentos desde 2007. Tornou-se sócio da empresa em 2011, sendo responsável a partir daí também por projetos de Planejamento Estratégico, Marketing, Educação e Gestão de Pessoas. Atualmente é também professor em programas de pós-graduação e palestrante de temas relacionados a finanças e investimentos.

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