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Max Gehringer: "Jovens não estão preparados para o mercado de trabalho"

Em evento no Espírito Santo, consultor falou à reportagem e destacou a importância de ter um plano B como alternativa para o caso de uma demissão

Publicado em 19/09/2019 às 14h07
Atualizado em 20/09/2019 às 04h02

Os jovens não estão preparados para entrar no mercado de trabalho, por não estarem acostumados a seguirem hierarquias. A afirmação é do consultor e administrador Max Gehringer, que esteve nesta quinta-feira (19)  no Espírito Santo para participar da 33ª edição da Super Feira Acaps Panshow.

Segundo ele, há alguns anos as pessoas eram preparadas para o primeiro emprego, o que hoje não ocorre. “Muitos têm um propósito e estão mais interessados se as empresas têm planos semelhantes aos deles”, afirmou.

Ele conversou com o Gazeta Online sobre as novas gerações no mercado de trabalho, as transformações do mundo moderno e a necessidade dos profissionais terem um plano B. Confira:

Quais as maiores dificuldade dos jovens no mercado de trabalho?

Antigamente, os jovens se preparavam para entrar no mercado de trabalho. Hoje, eles têm um propósito, pensam no que querem para suas vidas e para suas carreiras. Em resumo, esses profissionais buscam por empresas que tenham planos semelhantes aos seus.

Ao chegar no ambiente corporativo, os jovens passaram a encontrar algo que não tinham antes como disciplina e hierarquia.

Uma grande transformação começou no ambiente acadêmico. Só para se ter uma ideia, a partir da década de 1990 os preços das universidade baixaram e muitos deles passaram a ter condições de fazer um curso superior. Com isso, a maioria desses universitários seriam os primeiros da família a ter um diploma. Essa foi uma mudança.

Outra alteração foi sentida nas escolas de ensino fundamental e médio. Há alguns anos, nos colégios a autoridade dos professores era respeitada, bem como a disciplina. Hoje, isso acabou. O aluno não pode nem sequer ser reprovado ou ser chamado a atenção, por exemplo. Caso contrário, os pais vão até o colégio para reclamar com a diretoria.

E o que isso pode prejudicar quem começa a trabalhar?

A nova juventude não aprendeu o que é hierarquia e disciplina e acaba entrando no mercado com outra mentalidade. Esses jovens, ao começar a trabalhar, vão se deparar com o que não estavam acostumados. Nas empresas, há chefes que precisam dar satisfação a outros chefes e necessitam entregar resultados.

E quem não segue essas regras ou não faz as tarefas direito é substituído.

É aí que entra a dificuldade no primeiro emprego, pois disciplina e a hierarquia passam a ser fundamentais. A conclusão é de que os jovens não foram preparados para um caminho diferente do que eles estão acostumados em casa ou na escola.

Quais as dificuldades das empresas na hora de contratar esses profissionais?

Os empresários estão com dificuldade de encontrar bons profissionais, que estejam disponíveis e engajados o tempo todo. Eu tenho uma amiga que há 15 anos contrata temporários para trabalhar no Natal. No ano passado, ela não conseguiu preencher as vagas. Os jovens desistiram das vagas porque precisariam trabalhar à noite ou carregar peso.

Eles conversam um com o outro e as coisas se espalham muito rápido nas redes sociais. Com o tempo, todos estão pensando a mesma coisa. Além disso, esses profissionais estão cada vez mais exigentes. Essas são algumas dificuldades encontradas para contratar e até manter pessoas nas equipes.

Percebo que eles não aprenderam a ter chefes, a serem cobrados. Para eles, trocar de emprego deixou de ser um problema. Conheço jovens que em cinco anos trabalharam em oito companhias diferentes.

Por ano, 2 milhões de jovens entram no mercado de trabalho. Cerca de 80% deles vão trabalhar em empresas e não estão preparados para o primeiro emprego e sim para que gostariam de ter.

Com o passar dos anos, muitas profissões se transformaram. Como se preparar para isso?

No início da era industrial, os trabalhos eram mais braçais. Hoje não é mais e a tecnologia é a grande responsável por isso. Quando a internet surgiu na década de 90, falei para um corretor que no futuro ele não precisaria mais levar o cliente até o local e que tudo poderia ser feito pelo computador. E é isso que acontece hoje em dia.

Tudo é uma questão de tempo. A dica é estar preparado para as mudanças e algumas delas serão feitas por esses jovens.

O que os jovens querem do mercado de trabalho?

Eles avaliam o porquê querem entrar em determinada empresa, o que interessa a eles e até no que podem contribuir. Cada profissional precisa ter em mente o motivo que o leva a trabalhar.

No meu caso, precisei começar a trabalhar para ajudar em casa. Todo mundo tem um propósito e, no caso dos jovens, eles ainda estão cheios de sonhos.

Qual a dica que o senhor daria para quem está no mercado de trabalho?

Tenha um plano B. Faça um curso técnico ou superior e aulas de inglês. Essa alternativa pode ser levada em paralelo à atividade principal. Isso vai ajudar a diminuir a frustração na hora de encarar uma demissão.

Todo mundo tem um talento que vem desde a infância e que as pessoas reconhecem como sendo bom. Isso poderá ser uma carreira a ser seguida. Tenho uma amiga que sempre fez bolos muito bons. Quando o marido perdeu o emprego, ela começou a produzir e hoje é dona da maior franquia de bolos do país.

 

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