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Árbitro capixaba com maior número de atuações nacionais e internacionais, especializado em gestão esportiva,e que atuou em dez finais do Campeonato Capixaba, além de partidas das séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro.

O que está por trás das goleadas incríveis ocorridas na Copa São Paulo

Valendo-se do sonho de famílias e jovens atletas, empresários "vendem" a ilusão de que colocarão os jogadores em grandes vitrines do futebol nacional

Publicado em 09/01/2022 às 14h18
Flamengo
O Forte Rio Bananal estreou sendo goleado por 10 a 0 pelo Flamengo na Copa São Paulo. Crédito: Gilvan de Souza / Agencia O Dia

Ainda em férias da nossa coluna sobre arbitragem enquanto as competições profissionais estão paradas, temos a bola rolando na tradicional Copa São Paulo, que se tornou, há muitos anos, um campeonato de muita relevância no futebol brasileiro, revelando vários craques.

Em relação à arbitragem, a competição também é um ótimo laboratório feito pela Federação Paulista para descobrir e revelar novos árbitros para as competições de futebol profissional. Mas chama a atenção o que estamos vendo nos resultados de alguns jogos, onde os placares passam dos nove a zero (9x0), dez a zero (10x0), doze a zero (12x0), algo inaceitável em uma competição minimamente equilibrada entre times que se preparam para a disputa.

O Forte Rio Bananal foi uma dessas presas fáceis contra o Flamengo (RJ), quando perdeu por um surreal inacreditáveis 10x0. Mas o que leva a isso? Alguns pensam ser a diferença técnica entre as equipes, outros falam do peso da camisa e coisas assim.

A realidade dos bastidores, entretanto, denuncia e aponta para um bando de aproveitadores que usa os sonhos dos pais e dos meninos para faturarem alto com isso. Há relatos de "empresários" que pegam de quatro a dez mil reais de cada pai com o conto encantado de que esses jovens poderão ser levados para grandes times do futebol brasileiro e mundial, vendendo uma ilusão que move o imaginário das famílias.

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As derrotas vergonhosas, causadoras de prejuízo à imagem do futebol local, no caso o capixaba, são consequências de times formados sem nenhuma preparação física, técnica ou tática para uma disputa desse nível. O interesse desse tipo de gente não é o resultado em campo, mas fora dele, enquanto enchem os bolsos do dinheiro alheio e enganam pessoas de bem, além de manchar a imagem de quem se esforça para fazer futebol de forma séria aqui no Espírito Santo.

A Federação de futebol que se empenha para ajudar as equipes capixabas nessas competições certamente vai detectar e jogar duro para barrar práticas desse tipo daqui para frente.

Escrevo isso muito chateado e com conhecimento de causa, pois disputei a Copa São Paulo em 1985 no juniores da Desportiva Ferroviária e vencemos o mesmo Flamengo por um a zero (1x0), assim como vários jogadores daqui foram lá e fizeram muito bonito. Não tem essa desculpa de time grande quando o trabalho é sério. A diferença é que naquele tempo o time era muito bem treinado e aproveitador não tinha vez.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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