Árbitro capixaba com maior número de atuações nacionais e internacionais, especializado em gestão esportiva,e que atuou em dez finais do Campeonato Capixaba, além de partidas das séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro.

Banido do futebol, ex-árbitro relembra jogo no ES e critica VAR

Edílson Pereira de Carvalho foi um dos envolvidos na “Máfia do Apito”, em 2005

Publicado em 10/02/2026 às 10h37
Edílson Pereira de Carvalho
Edílson Pereira de Carvalho. Crédito: Arquivo Pessoal

Figura central de um dos episódios mais marcantes — e controversos — da história recente do futebol brasileiro, Edílson Pereira de Carvalho viveu os dois extremos da arbitragem nacional. Árbitro internacional a partir do ano 2000, por indicação de Armando Marques, então presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, ele construiu uma carreira de destaque, apitando partidas de alto nível no Campeonato Brasileiro, no Campeonato Paulista e em competições continentais como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana.

Entre os jogos mais emblemáticos de sua trajetória estão as duas partidas das semifinais da Copa Libertadores de 2000, no clássico entre Corinthians e Palmeiras, confrontos que ajudaram a consolidar seu nome entre os principais árbitros do país naquela virada de século. Talentoso e em ascensão, Edílson atingiu o auge da carreira justamente no início dos anos 2000, período em que passou a figurar com frequência em jogos decisivos.

No entanto, a mesma trajetória que o levou ao topo acabou abruptamente interrompida. Envolvido no esquema de manipulação de resultados que ficou conhecido como a “Máfia do Apito”, em 2005, Edílson Pereira de Carvalho ingressou no submundo das apostas esportivas em um cenário ainda incipiente no Brasil. O episódio resultou em seu banimento do futebol e marcou definitivamente sua história dentro do esporte.

Em uma entrevista, eu conversei com o Edílson Pereira de Carvalho e ele analisa de forma crítica o atual cenário da arbitragem brasileira e aponta as contradições do uso do VAR. O ex-árbitro também comenta a presença das casas de apostas no futebol e relembra passagens marcantes da carreira, como os jogos apitados no Espírito Santo. Ao falar sobre a vida após a “Máfia do Apito”, o ex-árbitro adota um tom pessoal e reflexivo, reconhece erros, relata as consequências que carrega até hoje e revela como busca viver em paz, mais de duas décadas depois do episódio que mudou para sempre sua trajetória no futebol.

Confira a entrevista com Edílson Pereira de Carvalho

Edílson Pereira de Carvalho
Edílson Pereira de Carvalho. Crédito: Arquivo Pessoal

Wallace Valente: Qual a sua impressão sobre a arbitragem brasileira atualmente?

Edilson Pereira: Minha impressão poderia ser bem melhor do que antes quando eu apitava, pois hoje temos muito mais tecnologia. Porém, infelizmente, está dificultando quase a mesma coisa. Pois, deveria ser melhor, mas não é.

Wallace Valente: Na sua opinião, com a chegada do VAR, está mais fácil ou mais difícil apitar futebol?

Edilson Pereira: Sobre o VAR, como eu disse antes, essa tecnologia avançada para os árbitros de hoje, deveria ajudar muito mais, mas... Deixa muitas e muitas dúvidas, dentro e fora de campo, difícil até de enumerar. Mas, temos que conviver com elas, gostando ou não.

Wallace Valente: O que você acha sobre a entrada das casas de apostas como patrocinadoras do futebol brasileiro?

Edilson Pereira: Sobre as bets, bom, infelizmente elas deram margens para desconfiança dos torcedores. Acho que somente isto. Para os que gostam de apostar em sites de futebol e em seus times preferidos é um meio de ganharem ou perderem dinheiro. Simples assim.

Wallace Valente: Você já apitou aqui no Espírito Santo e conheceu nossas praias e a moqueca capixaba? O que achou?

Edilson Pereira: Apitei, sim, duas vezes, Serra e Fluminense pela Série C do Campeonato Brasileiro, em 1999. Foi um grande prazer conhecer, na minha vida de arbitragem, esta cidade maravilhosa, e principalmente a famosíssima e deliciosa moqueca capixaba. Também a conheci a Praia da Costa. Linda demais.

Wallace Valente: Fale um pouco da sua vida atualmente, após tudo que se passou em relação à chamada "Máfia do Apito".

Edilson Pereira: Hoje, após 21 anos daquele lamentável episódio em minha vida, vivo tranquilo com minha esposa, afinal das contas sou idoso, de 64 anos, e tenho comigo uma frase importantíssima: “Tudo passa nesta vida, coisas boas ou ruins”. Errei, sim, mas infelizmente não se pode voltar atrás. Vivo com este erro pelo resto da minha vida. Ainda sofro com este erro e também já sofri muito mais, anos atrás. Mas, tudo passa!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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