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Vitor Vogas

Trégua em Vitória: vereadores aprovam LDO enviada por Cris Samorini

Após duas sessões seguidas derrubadas e marcadas por boicote à votação, projeto importantíssimo para a prefeitura passou sem dificuldades, após presidente da Casa arquivar pedido da prefeitura contra o Professor Jocelino

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 15:50

Públicado em 

27 jul 2026 às 15:50
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Plenário da Câmara de Vitória
Plenário da Câmara de Vitória CMV

Em sinal de trégua, numa sessão marcada por clima bem pacífico, o plenário da Câmara de Vitória aprovou, na manhã desta segunda-feira (27), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada pela prefeita Cris Samorini (PP).


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O projeto de lei foi aprovado sem dificuldades, pelo placar de 15 votos a 4. Os únicos votos contrários partiram de Ana Paula Rocha (PSol), Karla Coser (PT), Professor Jocelino (PT) e Pedro Trés (PSB), vereadores de oposição.


A LDO é um projeto essencial por fixar as bases para que a Prefeitura de Vitória possa elaborar a Lei Orçamentária Anual (LOA) do município para 2027. Esse será o primeiro orçamento inteiramente planejado e executado pela gestão Cris Samorini.


Contudo, na semana passada, por duas sessões consecutivas, a votação da LDO foi alvo de um boicote quase generalizado dos vereadores. Isso por conta da tentativa da Prefeitura de Vitória de cassar o mandato do oposicionista Professor Jocelino (PT).


No último dia 13, a prefeitura mandou para a Câmara uma espécie de notícia de fato contra Jocelino, pedindo ao presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos), que ele mesmo requeresse à Corregedoria a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar em face do vereador petista. 


A própria prefeitura não tem tal prerrogativa, de acordo com o Regimento Interno da Câmara, por isso o pedido foi terceirizado a Goggi. 


A prefeitura alegou que Jocelino abusou de suas prerrogativas parlamentares ao usar a tribuna da Câmara e suas redes sociais para associar o Executivo de Vitória a um esquema de fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) na Operação Colossus, deflagrada dias antes.


Assinado pelo procurador-geral da prefeitura, Tárek Moussalem, o pedido da prefeitura foi lido por Goggi no expediente da sessão da última terça-feira (21). No mesmo dia, estava pautada a votação da LDO.


Tomados de espanto pela inédita iniciativa da prefeitura contra um vereador, os parlamentares em peso esvaziaram a sessão, derrubada por falta de quórum. A tensão levou o presidente a esbravejar e proferir alguns palavrões, captados pelos microfones da Mesa Diretora, logo após ter declarado encerrada a sessão.


No dia seguinte (22), a LDO voltou a ser pautada na ordem do dia. Goggi chegou ao plenário informando aos pares sua decisão de arquivar o pedido contra Jocelino, em vez de encaminhá-lo à Corregedoria, como desejava a prefeitura.


Mesmo assim, em nova rebelião, os vereadores novamente derrubaram o quórum. Nada foi votado nessas duas sessões.


Nesta segunda-feira (27), na primeira sessão ordinária após o pico de tensão, o ambiente em plenário estava bem mais tranquilo – até porque Goggi de fato formalizou o arquivamento do pedido contra o vereador do PT, na última sexta-feira (24).


Dessa vez, a LDO foi votada normalmente, com a aprovação de seu texto integral. Todas as emendas propostas por vereadores foram rejeitadas em plenário. 


Só vereadores de oposição votram a favor das emendas. No momento, a prefeitura mantém uma base suficientemente numerosa na Casa para aprovar o que for de seu interesse e rejeitar o que não for, nas votações plenárias. 

Trégua, enfim, na Câmara de Vitória. 

Os motivos oficiais do arquivamento

No despacho protocolado na última sexta-feira, o presidente da Câmara justificou assim a decisão de arquivar o pedido de representação contra Jocelino:


“No caso concreto, a proposição não foi subscrita por qualquer parlamentar, tampouco por partido político com representação nesta Casa. Também não houve, após a leitura, adesão ou adoção expressa da peça por legitimado, de modo que permanecem ausentes os pressupostos subjetivos e formais indispensáveis à instauração do processo disciplinar previsto na Resolução nº 2.070/2023”.


Em outras palavras, ninguém com legitimidade para tanto, vereador ou partido político, abraçou a causa da prefeitura. Esta não tem legitimidade para representar contra um vereador junto à Corregedoria da Câmara. Mas ninguém, nem o presidente, dispôs-se a fazer isso por ela.


Goggi acrescentou:


“Consigne-se, expressamente, que o presente arquivamento possui natureza exclusivamente formal e regimental e não encerra qualquer juízo de valor sobre os fatos narrados, sobre a atuação do parlamentar mencionado ou sobre a procedência das imputações. Não impede, igualmente, que os legitimados do art. 24 da Resolução nº 2.070/2023, mediante manifestação própria e observância dos requisitos aplicáveis, adotem as providências que entenderem cabíveis.”


Traduzindo: ao decidir não dar prosseguimento ao pedido de representação apresentado pela prefeitura, o presidente não está avaliando a conduta do Professor Jocelino, somente reconhecendo que ninguém quis representar contra ele. Mas isso não impede que, futuramente, vereador ou partido com representação na Câmara decida tomar semelhante iniciativa.

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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