Representado pelo Fórum de Entidades e Federações (FEF), o
setor produtivo capixaba decidiu se posicionar em relação às eleições deste ano
no Espírito Santo. Não a favor de um ou outro candidato, mas em defesa de valores
e premissas que considera fundamentais para a preservação do que tem dado certo
e para que o Estado continue no caminho do desenvolvimento econômico
sustentável.
Com esse objetivo, as entidades empresarias reunidas no
fórum divulgaram, nesta segunda-feira (27), um manifesto intitulado “O futuro
do Espírito Santo exige compromisso”.
O Espírito Santo aprendeu, nas últimas décadas, que desenvolvimento não acontece por acaso. Ele é resultado de escolhas coletivas, compromisso institucional e capacidade de planejamento.”
Manifesto, Fórum de Entidades e Federações
Essa é a primeira vez que o FEF assume um posicionamento mais “externo”, dirigido à sociedade capixaba, a respeito do processo eleitoral, com uma forte estratégia de comunicação. Em eleições anteriores, o fórum se restringiu a uma agenda mais interna, incluindo sabatinas com os candidatos. Desta vez, além do manifesto lançado nesta segunda, haverá podcasts, entrevistas e publicação de artigos.
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O posicionamento do fórum é institucional, apartidário e
visa acima de tudo contribuir para o fortalecimento do debate eleitoral.
No manifesto, o setor produtivo capixaba “vem a público
apresentar sete pilares que considera fundamentais para o debate eleitoral,
para serem assumidos como compromisso pelas lideranças eleitas, contribuindo
para a construção de uma agenda de desenvolvimento para o Espírito Santo”. São
eles:
1. Planejamento de longo prazo e continuidade das políticas de Estado;
2. Educação, qualificação profissional, promoção da qualidade de vida e
inclusão produtiva;
3. Competitividade, infraestrutura, segurança para o ambiente de negócios
e a sociedade;
4. Inovação, sustentabilidade, desenvolvimento regional e turismo
sustentável;
5. Governança, transparência e segurança institucional;
6. Segurança pública, prevenção da violência e fortalecimento
institucional;
7. Saúde integral e qualidade de vida.
O FEF reúne o movimento empresarial ES em Ação (formado
atualmente por 48 empresas mantenedoras) e as federações da indústria (Findes),
do comércio (Fecomércio), dos transportes (Fetransportes) e da agricultura (Faes).
Juntos, esses setores empregam mais de 730 mil pessoas.
Sem tomar partido na corrida ao Palácio Anchieta, o fórum
decidiu se posicionar desta vez em razão do cenário especial que caracteriza as
eleições de 2026 no Espírito Santo.
O ano de 2002 foi o marco inaugural da “virada de página”
vivida pelo Estado, então capturado pela ação do crime organizado, que se
infiltrara e se espalhara nos Poderes e instituições públicas estaduais. Articulada
em torno do Fórum Reage Espírito Santo, a sociedade capixaba se organizou para
lutar contra esse estado de coisas. Foi nesse contexto histórico que nasceram o
Movimento ES em Ação e o Fórum de Entidades e Federações (FEF).
Teve início, então, um processo de moralização e recuperação
das instituições democráticas capixabas.
“A nossa história recente é uma história de mobilização e
superação que precisa ser relembrada sempre, em benefício das futuras gerações”,
lê-se no manifesto.
“O Estado passou por uma profunda crise institucional há
cerca de 30 anos e se recuperou a partir de 2002, com a mobilização da
sociedade organizada, de lideranças políticas, empresariais e religiosas,
focadas em restabelecer a normalidade democrática. Dessa mobilização nasceram e
se fortaleceram instituições comprometidas com o desenvolvimento do Espírito
Santo, entre elas o Movimento Empresarial Espírito Santo - ES em Ação e o Fórum
de Entidades e Federações - FEF.”
O texto ainda recorda que, naquele momento, estivemos à
beira de uma intervenção federal, “em função da degradação de nossas
instituições”.
O então presidente, FHC, negou o pedido de intervenção, o
que levou o ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, a pedir demissão. No mês
seguinte, porém, o Governo Federal enviou ao Espírito Santo uma Missão Especial
de Combate ao Crime Organizado, para investigar a infiltração de grupos
criminosos e a impunidade nas instituições públicas do Estado.
Essa época, felizmente, passou.
Manifesto, Fórum de Entidades e Federações
Desde então, o Estado foi governado por apenas dois homens
públicos, que se alternaram no Palácio Anchieta ao longo de 24 anos: Paulo
Hartung e Renato Casagrande, cada um com três mandatos exercidos. É um caso sem
par no Brasil. Não há outra unidade da federação que, nesse recorte de tempo,
só tenha tido dois governadores eleitos pelo voto popular.
Os representantes do FEF entendem que, em parceria com a
sociedade civil organizada, ambos deram sua contribuição nesse processo de resgate
que proporcionou ao Espírito Santo um quadro de credibilidade institucional,
estabilidade política, equilíbrio fiscal, crescimento econômico e melhoria dos
indicadores sociais.
A preocupação dos representantes do FEF também é valorizar e
manter o legado do próprio movimento empresarial nessa história, entendendo que
a citada “virada de página” foi construída a várias mãos: o resgate do Espírito
Santo foi possível não apenas pela ação de governos, mas graças à ampla participação
da sociedade civil organizada e a um bom ambiente de diálogo do público com o
privado. O fórum quer que isso se mantenha.
“Aquele Estado que viveu uma grave crise representa hoje,
após sucessivos governos, um modelo nacional de planejamento e gestão fiscal,
com investimentos públicos em infraestrutura e em políticas sociais, alcançando
melhoria em todos os indicadores de educação, saúde, segurança e qualidade de
vida. A mobilização da sociedade deu certo. Hoje somos uma referência para o
Brasil. Chegamos até aqui priorizando estabilidade institucional, continuidade
em políticas de Estado e visão suprapartidária”, diz o manifesto.
Agora, provavelmente, esse ciclo chega ao fim,
conforme registrado no manifesto. “Esse ciclo histórico chega agora a um marco
nas eleições de outubro, e é preciso saber valorizar as nossas conquistas, para
garantir o desenvolvimento do Espírito Santo e o bem-estar da população nos
próximos anos.”
Casagrande será candidato a senador. Hartung não dá sinais
de que possa voltar a concorrer ao governo – embora seu partido, o PSD, acene
com essa possibilidade.
Se Hartung não for candidato, esta será a primeira vez, em
quase um quarto de século, que nem ele nem Casagrande estarão na disputa pelo
Executivo estadual e que o Espírito Santo elegerá, nas urnas, um governador que
não seja um dos dois.
Independentemente de quem for o próximo governante escolhido
em outubro, o FEF espera dele o compromisso com as sete premissas listadas
acima. Defende, ainda, que o próximo governo se comprometa em seguir o Plano ES
500 Anos, com governança prevista na Lei Estadual nº 12.375/2025 (e
participação assegurada às entidades que compõem o fórum). Nos termos do
manifesto:
“A construção desse planejamento envolveu uma ampla mobilização social: foram ouvidas, ao todo, cerca de 1,7 mil pessoas de 230 instituições, garantindo legitimidade, pluralidade e credibilidade ao processo. É essa interação entre diversos setores, com base no diálogo e na transparência, que assegura um ambiente favorável aos negócios, atraindo investimentos e gerando empregos e oportunidades para os capixabas, num cenário promissor para os próximos anos.”
Mas esse cenário não
está contratado: ele é uma construção diária.
Manifesto, Fórum de Entidades e Federações
A ideia do movimento é atrair entidades da sociedade civil,
além do setor empreendedor.
“Convidamos as demais entidades comprometidas com o
desenvolvimento do Estado e toda a sociedade capixaba a participar desse
debate. As eleições são uma oportunidade para refletirmos sobre o futuro que
queremos construir e sobre o compromisso de preservar e aperfeiçoar as
conquistas alcançadas pelo Espírito Santo. O desenvolvimento é uma construção
coletiva e permanente, que depende da participação consciente de cada cidadão.”
Sem perder de vista o conjunto de conquistas do passado, o movimento empresarial espera que o próximo ciclo tenha “um sarrafo ainda mais alto”, na definição de um empresário
envolvido na mobilização, que prefere não se identificar.
Abaixo, reproduzimos na íntegra o manifesto, ao qual tivemos acesso em primeira mão.
“O futuro do Espírito Santo exige compromisso”
O Espírito Santo aprendeu, nas últimas décadas, que desenvolvimento não acontece por acaso.
Ele é resultado de escolhas coletivas, compromisso institucional e capacidade de planejamento.
A nossa história recente é uma história de mobilização e superação que precisa ser relembrada
sempre, em benefício das futuras gerações.
O Estado passou por uma profunda crise institucional há cerca de 30 anos e se recuperou a partir
de 2002, com a mobilização da sociedade organizada, de lideranças políticas, empresariais e
religiosas, focadas em restabelecer a normalidade democrática. Dessa mobilização nasceram e se
fortaleceram instituições comprometidas com o desenvolvimento do Espírito Santo, entre elas o
Movimento Empresarial Espírito Santo - ES em Ação e o Fórum de Entidades e Federações - FEF.
É importante relembrar que, naquele tempo, estivemos à beira de uma intervenção federal, em função da degradação de nossas instituições. Essa época, felizmente, passou.
Aquele Estado que viveu uma grave crise representa hoje, após sucessivos governos, um modelo nacional de planejamento e gestão fiscal, com investimentos públicos em infraestrutura e em políticas sociais, alcançando melhoria em todos os indicadores de educação, saúde, segurança e qualidade de vida.
A mobilização da sociedade deu certo. Hoje somos uma referência para o Brasil. Chegamos até aqui priorizando estabilidade institucional, continuidade em políticas de Estado e visão suprapartidária.
Esse ciclo histórico chega agora a um marco nas eleições de outubro, e é preciso saber valorizar as nossas conquistas, para garantir o desenvolvimento do Espírito Santo e o bem-estar da população nos próximos anos.
Atualmente, o Estado funciona com base em um planejamento estratégico de longo prazo, em processo iniciado com o ES 2025, que evoluiu para o ES 2030 e hoje é norteado pelo Plano ES 500 Anos, com governança prevista na Lei Estadual nº 12.375/2025.
A governança do plano prevê a participação de representantes do setor produtivo, do setor público, da sociedade civil e da academia, contemplando instituições como o ES em Ação, as Federações das Indústrias e do Comércio, o Instituto Jones dos Santos Neves, Ufes e Ifes, além do próprio governo do Estado, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público e organizações do terceiro setor, entre outros.
A construção desse planejamento envolveu uma ampla mobilização social: foram ouvidas, ao todo, cerca de 1,7 mil pessoas de 230 instituições, garantindo legitimidade, pluralidade e credibilidade ao processo.
É essa interação entre diversos setores, com base no diálogo e na transparência, que assegura um ambiente favorável aos negócios, atraindo investimentos e gerando empregos e oportunidades para os capixabas, num cenário promissor para os próximos anos.
Mas esse cenário não está contratado: ele é uma construção diária.
Por isso, o setor produtivo capixaba, representado pelo Fórum de Entidades e Federações (FEF) - que reúne as principais entidades representativas do setor empreendedor do Estado, como as Federações das Indústrias (FINDES), do Comércio, Serviços e Turismo (FECOMÉRCIO), de Transportes (FETRANSPORTE), da Agricultura e Pecuária (FAES) e o ES em Ação - vem a público apresentar sete pilares que considera fundamentais para o debate eleitoral, para serem assumidos como compromisso pelas lideranças eleitas, contribuindo para a construção de uma agenda de desenvolvimento para o Espírito Santo.
São eles:
1 - Planejamento de longo prazo e continuidade das políticas de Estado, para garantir segurança institucional, previsibilidade e desenvolvimento sustentável para as próximas gerações.
2 - Educação, qualificação profissional, promoção da qualidade de vida e inclusão produtiva. Para preparar as pessoas para a economia do futuro e ampliar oportunidades de geração de emprego, renda e empreendedorismo.
3 - Competitividade, infraestrutura, segurança para o ambiente de negócios e a sociedade. Para ampliar investimentos, reduzir gargalos e fortalecer a capacidade do ES de gerar desenvolvimento sustentável.
4 - Inovação, sustentabilidade, desenvolvimento regional e turismo sustentável. Para posicionar o ES diante das transformações tecnológicas, climáticas e econômicas do mundo contemporâneo.
5 - Governança, transparência e segurança institucional. Para fortalecer a confiança nas instituições, a qualidade da gestão pública e a cooperação entre sociedade, setor produtivo e poder público.
6 - Segurança pública, prevenção da violência e fortalecimento institucional. Para ampliar a integração entre inteligência, tecnologia e políticas de inclusão, garantindo um ambiente seguro para o desenvolvimento social e econômico.
7 - Saúde integral e qualidade de vida. Para fortalecer políticas de promoção da saúde, ampliar o acesso regionalizado aos serviços, incorporar inteligência e inovação na gestão e contribuir para o bem-estar da população e o desenvolvimento sustentável do Estado.
Esperamos, com esse posicionamento, contribuir para um debate público qualificado no processo eleitoral, mirando sempre a estabilidade institucional e o desenvolvimento econômico e social, em benefício da melhoria de vida da população.
Convidamos as demais entidades comprometidas com o desenvolvimento do Estado e toda a sociedade capixaba a participar desse debate. As eleições são uma oportunidade para refletirmos sobre o futuro que queremos construir e sobre o compromisso de preservar e aperfeiçoar as conquistas alcançadas pelo Espírito Santo. O desenvolvimento é uma construção coletiva e permanente, que depende da participação consciente de cada cidadão.
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