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Eleições 2020

Tabu em Vitória: desde 1985, Capital nunca elegeu um prefeito de direita

É também com essa escrita que Pazolini está lutando no 2° turno contra Coser. Já um outro tabu continua: prefeito que se reelege em Vitória nunca elege sucessor

Publicado em 16 de Novembro de 2020 às 18:00

Públicado em 

16 nov 2020 às 18:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Lorenzo Pazolini e João Coser
Lorenzo Pazolini e João Coser Crédito: Ricardo Medeiros e Facebook / Montagem: Vitor Vogas
Desde a eleição municipal de 1985 (ano que marca o fim definitivo da ditadura militar no Brasil), os cidadãos de Vitória nunca elegeram um prefeito de direita. A história prova isso. Ao longo desses 35 anos, a Capital só elegeu candidatos de esquerda ou centro-esquerda.
A tradição remonta à eleição de Hermes Laranja (MDB), em 1985. Depois, em 1988, elege-se Vitor Buaiz; em 1992, é a vez de Paulo Hartung, então no PSDB, vindo do MDB e, antes, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1996, triunfa Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que também tivera militância no PCB.
Depois, em sequência, vêm João Coser (PT) e Luciano Rezende (filiado ao então PPS, hoje Cidadania, partido que nasceu do PCB no início dos anos 1990). Luciano, nas origens políticas, também teve passagem pelo PT. Em 2016, derrotou o deputado Amaro Neto, político situado muito mais à direita.
Eventualmente, após o cumprimento do mandato, um ou mais desses nomes podem ter se deslocado mais para a direita, mas, enquanto foram prefeitos, eram políticos posicionados no campo esquerdo do espectro político.

OUTRO TABU JÁ SE REPETIU

Por falar em tabus políticos em Vitória, desde que a reeleição para cargos do Poder Executivo passou a ser possível no Brasil, durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso (para ele mesmo poder renovar seu mandato presidencial em 1998), mantém-se um tabu em Vitória: jamais o prefeito sentado na cadeira conseguiu eleger seu sucessor.
O prefeito pode até ser reeleito, mas, ao encerrar o segundo mandato, não consegue garantir o sucesso do seu candidato à sucessão. Foi assim com Luiz Paulo (PSDB), foi assim com João Coser (PT) e, agora, a história se repete com Luciano Rezende (Cidadania).
Em 2000, na primeira eleição municipal com a possibilidade de reeleição, o então prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), reelegeu-se. No pleito seguinte (2004), lançou o então deputado estadual César Colnago, do mesmo partido, para o suceder no cargo. Colnago perdeu, em 2º turno, para João Coser. Este reelegeu-se em 2008 e, quatro anos depois, viu Iriny Lopes, a candidata do PT, ficar logo no 1º turno. O pleito em 2012 foi vencido por Luciano Rezende, que derrotou Luiz Paulo no 2º turno.
Luciano então se reelegeu em 2016 e, agora, sem poder disputar um terceiro mandato seguido, lançou para ser seu sucessor o deputado estadual, presidente estadual de seu partido e aliado fiel de longa data, Fabrício Gandini (Cidadania). Mas Gandini ficou fora do 2º turno na Capital. Por muito pouco, chegou em 3º lugar, com 21,12% dos votos válidos, 0,7 ponto percentual atrás de João Coser.
Segue a “maldição”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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