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“Desbolsonarização”

Por combinação de fatores, Bolsonaro vai de mal a pior em Vitória

Na capital do Espírito Santo, presidente encontra seu pico de reprovação entre as maiores cidades do ES. O líder da corrida à prefeitura é petista; o mais rejeitado, bolsonarista. Isso dois anos após presidente ter ganhado de lavada a eleição na cidade

Publicado em 06 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

06 nov 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Bolsonaro está muito mal avaliado, no momento, pelos eleitores de Vitória
Bolsonaro está muito mal avaliado, no momento, pelos eleitores de Vitória Crédito: Amarildo
Na eleição presidencial de 2018, se o município de Vitória representasse todo o Brasil, Jair Bolsonaro teria sido eleito no 1º turno, com mais da metade dos votos válidos. Na capital capixaba, ele alcançou 53,3% dos votos válidos já no 1º escrutínio. Haddad (PT) não passou de 18%. Essa lavada dada pelo candidato de extrema-direita no petista suscitou questionamentos. Será que um resultado tão amplo foi fruto de uma eleição muito atípica, altamente polarizada e regida pela rejeição ao outro? Ou teria Vitória realmente se provado um reduto “conservador”, primordialmente de direita, que dali para a frente se consolidaria como um “colégio eleitoral bolsonarista”?
Dois anos depois, graças à série de pesquisas Ibope/Rede Gazeta sobre as eleições municipais no Espírito Santo, é possível vislumbrar uma resposta. A segunda tese não demonstra sustentação. De modo geral, nas sete maiores cidades do Estado, a avaliação do trabalho de Bolsonaro está ali, mediana, melhor em alguns municípios (como Colatina e Cachoeiro), pior em outros. Mas o que mais chama a atenção é que, em nenhuma outra cidade capixaba, o presidente é tão mal avaliado quanto em nossa Capital.
E mais: a segunda pesquisa da série do Ibope em Vitória, publicada na última terça-feira (3), traz um espantoso pico de reprovação a Bolsonaro na capital capixaba: mais da metade dos entrevistados (precisamente, 51%) avaliam o presidente como ruim ou péssimo, enquanto apenas 28% o consideram bom ou ótimo.
O dado se destaca ainda mais porque, na primeira rodada da série Ibope/Rede Gazeta – que passou por sete municípios –, Vitória já era a cidade onde Bolsonaro enfrentava a pior avaliação: na primeira pesquisa, publicada em 13 de outubro, 44% dos entrevistados na Capital o classificaram como ruim ou péssimo. Ou seja, o que já não era bom para ele ficou ainda pior e, num intervalo de três semanas, as avaliações negativas do presidente em Vitória passaram de 44% para 51%.
Quando comparamos os números dos levantamentos realizados nos outros municípios capixabas, percebemos que estamos diante de um fenômeno muito específico de Vitória.
Entre os dias 15 e 25 de outubro, nesta ordem de publicação das pesquisas, a soma de ruim e péssimo na avaliação do presidente Bolsonaro representou, respectivamente: 36% em Vila Velha; 28% em Cariacica; 33% na Serra; 25% em Cachoeiro; 30% em Colatina; e 33% em Linhares.
Portanto, em nenhuma outra cidade mapeada na série, a reprovação a Bolsonaro chegou nem perto dos 44% e, posteriormente, dos 51% registrados em Vitória. O mais próximo a isso foram os 36% de reprovação em Vila Velha. O capixaba em geral pode não estar exatamente muito satisfeito com a presidência do militar reformado, mas Vitória é, visivelmente, um ponto fora da curva.

OUTRAS NOTÍCIAS RUINS PARA ELE

Para completar, outros dados extraídos da última pesquisa Ibope/Rede Gazeta – estes relativos à eleição para prefeito da cidade – mostram que o cenário de dois anos atrás, com toda aquela rejeição à esquerda e aquela adesão a Bolsonaro, não é mais o mesmo na capital capixaba. Na intenção de voto estimulada, quem lidera a corrida eleitoral é o ex-prefeito João Coser, do PT, com 26%.
Já no quesito rejeição, a de Coser continua elevada: ele não receberia o voto dos mesmos 35% que marcaram essa resposta no levantamento do dia 13 de outubro. Por outro lado, Coser agora não é mais o candidato mais rejeitado à prefeitura. Esse “título” tão desfavorável passou para o deputado estadual Capitão Assumção (Patriota), que atingiu incríveis 41% de rejeição na pesquisa da última terça-feira.
Ora, e quem é Capitão Assumção senão o candidato a prefeito de Vitória mais aproximado e identificado ideologicamente com Bolsonaro? A identidade é tão grande que Assumção chega a utilizar a foto do presidente, no lugar da foto do seu vice, em seu material de campanha.
Por esses e alguns outros elementos que podemos colher da série Ibope/Rede Gazeta, é possível teorizar: uma eleição municipal não necessariamente está interligada aos resultados da eleição presidencial seguinte e, daqui a dois anos, ao tentar a reeleição, pode até ser que Bolsonaro volte a se sair bem em Vitória (dependendo muito dos adversários), mesmo que não repita o desempenho de 2018; hoje, porém, é incontestável que o presidente vai muito mal, de modo muito específico, na capital do Espírito Santo.
Aparentemente, podemos dizer que, dois anos e uma pandemia após a eleição passada, a cidade de Vitória se desbolsonarizou. Ou, no mínimo, está passando por um processo de desbolsonarização.
Constatado e sublinhado o fenômeno, a grande questão que fica é: por quê? Por que essa altíssima rejeição a Bolsonaro, maior que a média nacional e até que a média estadual, está se verificando de modo tão específico no município de Vitória? O que existe na Capital que é específico da Capital e que não se observa nos outros municípios de médio a grande porte do Estado?
São as questões que buscaremos responder aqui numa vindoura coluna.

REPETIZOU?

O fato de Vitória estar se “desbolsonarizando” não quer dizer, necessariamente, que a cidade esteja se “repetizando”. Um ótimo termômetro disso será o desempenho de João Coser no 1º turno, daqui a dois domingos, e especialmente no 2º turno (caso o petista passe de fase).

CALMA! HÁ CONTROVÉRSIAS…

Em todo caso, julgo pertinente uma última observação. É preciso ter muito cuidado, relativizar bastante e pôr um grande asterisco sobre a tese de que o eleitor de Vitória (e até o do Espírito Santo) é, fundamentalmente, um eleitor “conservador” e “de direita”, como se isso fosse uma característica atávica dos capixabas.
Se assim realmente fosse, por que os eleitores de Vitória teriam elegido Vitor Buaiz, nos anos 1980, como um dos primeiros prefeitos petistas de uma capital no país, e por que teriam escolhido Coser duas vezes seguidas, em 2004 e em 2008? Até o fim de 2012, a cidade era governada pelo PT. Em perspectiva histórica, isso é um piscar de olhos no tempo.

NAS ÚLTIMAS DÉCADAS, DIREITA NÃO SE VIU

Além do mais, desde o fim do regime militar (em 1985), podemos dizer que Vitória, a bem da verdade, nunca teve um prefeito que pudesse efetivamente ser considerado de direita. Todos, sem exceção, eram (ou são) políticos posicionados do centro para a esquerda do espectro partidário e ideológico: Vitor, Paulo Hartung, Luiz Paulo, Coser e Luciano Rezende.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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