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“Janela de contratações”

Partido de Luciano Rezende quadruplica número de prefeitos no ES

E mais: a família Vidigal pode se dar bem eleitoralmente, se Marcelo Santos permanecer no PDT. Entenda

Publicado em 20 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 abr 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Gandini, Luciano e Da Vitória contabilizam o número de prefeitos do seu partido, o Cidadania
Gandini, Luciano e Da Vitória contabilizam o número de prefeitos do seu partido, o Cidadania Crédito: Amarildo
O Cidadania foi um dos partidos que mais se deram bem no período da “janela de contratações de prefeitos com mandato”. Encerrada a temporada de filiações de pré-candidatos que pretendem disputar a eleição municipal de outubro, o partido de Luciano Rezende quadruplicou o número de prefeitos filiados no Espírito Santo.
Na última sexta-feira (17), ressaltamos que o Republicanos, partido do deputado federal Amaro Neto, saltou de um para sete prefeitos. O desempenho do Cidadania (ex-PPS) foi parecido: passou de dois para oito, mantendo Luciano Rezende (Vitória) e Juninho (Cariacica) e filiando outros seis prefeitos (todos do interior).
O detalhe que chama a atenção é a presença de três prefeitos das regiões Norte e Noroeste do Estado nesse rol de recém-filiados ao Cidadania. É a terra do deputado federal Josias da Vitória. Filiado ao partido desde 2018, o deputado teve participação pessoal na atração dos novos quadros. Alguns decidiram transferir-se para o Cidadania por causa dele.
Agora, estes são os prefeitos do ES no time do Cidadania:
1. Christiano Spadetto (Conceição do Castelo) – ex-MDB
2. Ninho (Dores do Rio Preto) – ex-PDT
3. Céia Ferreira (São Gabriel da Palha) – ex-Solidariedade
4. Arnobio Pinheiro (Pinheiros) – ex-Republicanos
5. Paulinho Mineti (Venda Nova do Imigrante) – ex-PROS
6. Robinho Parteli (Vila Valério) – ex-PTN
7. Juninho (Cariacica)
8. Luciano Rezende (Vitória)
Reeleitos em 2016, Juninho e Luciano não podem concorrer a um novo mandato neste ano. Os demais (ou seja, todos os novos “contratados”) chegaram ao cargo na eleição municipal passada, em 2016, e podem concorrer à reeleição em outubro.
Outro ponto a destacar é que o PSB, principal parceiro do Cidadania hoje na política estadual, também “tomou anabolizante” no período de filiações, como já registramos aqui: o partido do governador Renato Casagrande passou de quatro para nove prefeitos no Estado.
Isso significa que a aliança PSB/Cidadania, hoje no poder no Espírito Santo, saltou, no total, de 6 para 17 prefeitos com mandato. Juntos, os dois partidos quase triplicaram o número de prefeituras sob o seu comando em solo capixaba.
Em 2016, nas urnas, Cidadania (2) e PSB (5) fizeram, juntos, 7 prefeitos no Estado: 9% das prefeituras.
Hoje, estão à frente de 21,8% das prefeituras. Arredondando, após as recentes filiações, de cada cinco prefeitos no Espírito Santo, um é do PSB ou do Cidadania.
O presidente do Cidadania no Espírito Santo é o deputado estadual Fabrício Gandini, pré-candidato a prefeito de Vitória apoiado por Luciano Rezende.

MARCELO SANTOS E VIDIGAL

O deputado estadual Marcelo Santos quer sair do PDT e até acionou o TRE para se desfiliar do partido sem risco de perder o mandato na Assembleia Legislativa. Ele e o deputado federal Sérgio Vidigal, eminência do PDT no Espírito Santo, tiveram em 2019 um desentendimento político, aparentemente incontornável.

MARCELO SANTOS E OS VIDIGAIS

Mas, pensando friamente, é interessante constatar que Vidigal talvez tivesse a ganhar politicamente se lançasse Marcelo como candidato a prefeito de Cariacica pelo PDT. O próprio Vidigal deve se candidatar à Prefeitura da Serra; seu filho, Eduardo Vidigal, deve ser candidato a vereador no mesmo município. E sua esposa, Sueli Vidigal, hoje suplente de deputada estadual, poderia subir para a Assembleia Legislativa.

PODERIA PEDIR MÚSICA NO “FANTÁSTICO”...

Se os três membros da família tiverem êxito, Vidigal pode fazer um “hat trick” (três gols na mesma partida) e pedir música para o Tadeu Schimdt em outubro, no “Fantástico”. Mas essa conta não é tão simples. O ex-prefeito e o filho dele só dependem de si mesmos. Mas Sueli é a 2ª suplente da coligação que, em 2018, reuniu PDT, PSD, DEM e PPL.

DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL...

Essa coligação elegeu três deputados: Theodorico Ferraço (DEM), Enivaldo dos Anjos (PSD) e Marcelo Santos (PDT). Para Sueli herdar a vaga, dois deles têm que interromper o mandato pela metade. Enivaldo é pré-candidato a prefeito de Barra de São Francisco. É preciso que ele vença a disputa em seu município e que Marcelo se eleja prefeito de Cariacica (pelo PDT). Difícil, mas não impossível... Mais difícil é Marcelo permanecer no PDT.

PARA CONSTAR

O primeiro suplente da mesma coligação é o ex-deputado Luiz Durão (PDT).

FILHO DE VIDIGAL NO GOVERNO

Desde janeiro de 2017 (metade do governo passado de Paulo Hartung), Sérgio Eduardo Corrêa Vidigal ocupa o cargo comissionado de gerente de prospecção de negócios da Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa). De acordo com o Portal da Transparência do governo do Estado, ele recebeu, no mês passado, a soma de R$ 13.276,04 brutos. Com descontos, salário líquido de R$ 9.750,49.

O APOIO DOS VIDIGAIS

Sérgio Vidigal apoiou Hartung na campanha de 2014, e o PDT participou de seu governo. Em 2018, o deputado apoiou Casagrande. E o PDT segue no governo.

Cena Política: o "PSL Nutella"

Na “Era Bolsonaro”, o Partido Social Liberal foi um partido de extrema direita. Mas, com a saída do clã Bolsonaro, isso mudou no plano nacional e também no estadual. No dia 3 de abril, o secretário de Serviços de Vitória, Nathan Medeiros (ex-PSB), que nem de direita é, filiou-se ao PSL, para ser vice na chapa pela Prefeitura de Vitória liderada pelo deputado Fabrício Gandini (Cidadania), que nem de direita é. Gandini é aliado do prefeito Luciano Rezende e do governador Renato Casagrande (PSB), que nem de direita são... “É o PSL Nutella”, resumiu, entre risos, um dirigente partidário. Faz sentido!

Nova cara

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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