O deputado federal Josias da Vitória é cotado para ser candidato ao Senado em 2022. O próprio Da Vitória não confirma isso. Mas esse tem sido um comentário corrente nos bastidores políticos, confirmado por algumas fontes da coluna, vinculadas principalmente à bancada do Espírito Santo no Congresso Nacional.
Especulações sobre esse tema também abarcam uma possível mudança de partido de Da Vitória: para viabilizar candidatura ao Senado, ele poderia trocar o Cidadania, sua atual legenda, pelo PSL. Cumpre sublinhar que Da Vitória desempenhou papel importante no movimento que colocou o controle do PSL no Espírito Santo, em março, nas mãos de um aliado dele: o deputado estadual Alexandre Quintino.
A influência recém-adquirida por Da Vitória no PSL já se expressou, por exemplo, na filiação do vereador de Cariacica Joel da Costa, que trocou precisamente o Cidadania pelo PSL, a fim de viabilizar candidatura a prefeito da cidade. Cabo da reserva da PMES (como Da Vitória), Costa é outro grande aliado do deputado federal, assim como Quintino (por sua vez, coronel da reserva da mesma corporação).
Da Vitória é o coordenador da bancada capixaba desde que chegou à Câmara Federal, em fevereiro de 2019. Antes disso, foi deputado estadual. Na legislatura passada, de 2015 a 2018, manteve-se fiel ao atual governador, Renato Casagrande (PSB), quando esse estava sem mandato. Ganhou pontos com Casagrande no retorno do socialista ao Palácio Anchieta.
Eventual candidatura do deputado ao Senado pelo Espírito Santo em 2022 não será nada fácil. Em primeiro lugar, nesse pleito, cada Estado só terá uma vaga de senador em disputa. Não se pode ignorar, naturalmente, a possibilidade de a atual senadora Rose de Freitas (Podemos), cujo mandato vai até janeiro de 2023, buscar a reeleição em 2022.
Além disso, outros pesos-pesados da política capixaba também são cotados para brigar por essa vaga, como o ex-governador Paulo Hartung (sem partido), o prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede), e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende.
Luciano, por sinal, não só é filiado ao Cidadania como é, há muitos anos, o principal líder do partido no Espírito Santo. Não há nenhuma indicação concreta de que, após o término do atual mandato, no fim deste ano, o prefeito se movimentará para construir candidatura ao Senado. Mas, supondo que isso se concretize, Da Vitória terá mais um motivo para trocar o Cidadania pelo PSL no momento certo: a próxima janela para deputados mudarem legalmente de partido, em março de 2022.
Até lá há muito chão a percorrer, mas, se ambos almejarem a mesma vaga, o Cidadania ficará apertado para Da Vitória.
DA VITÓRIA: "NÃO DEPENDE SÓ DA GENTE"
Por ora, Da Vitória desconversa. Em recente diálogo com a coluna sobre o tema, o deputado salientou que seu caminho natural é buscar, em 2022, a reeleição na Câmara Federal – ciente de que uma disputa majoritária não depende somente da vontade pessoal do interessado.
"O futuro pertence a Deus. A minha lógica é a reeleição. Qualquer outra candidatura não depende só da gente. A gente precisa ter projeto de grupo para disputar uma majoritária."
O deputado disse, ainda, não ter nenhuma intenção de deixar o Cidadania. Mas confirmou convite do PSL.
“Nem me passa pela cabeça trocar de partido. Estou muito confortável no Cidadania. Nessa eleição municipal de 2020, nós teremos um salto muito grande. Muitos candidatos vieram por minha causa para o partido. Já recebi, sim, convite para me filiar ao PSL. Mas tenho relação muito harmoniosa hoje com o Luciano e com o Gandini”, afirmou o coordenador da bancada federal capixaba, referindo-se ao deputado estadual Fabrício Gandini.
Gandini é o presidente regional do Cidadania e o pré-candidato do partido à sucessão de Luciano. Da Vitória ressalta que trabalhará pessoalmente pela sua vitória eleitoral em outubro.
“A prioridade do nosso partido é a reeleição em Vitória, e nosso candidato é Fabrício Gandini. Tenho feito todo o esforço para que Gandini possa ser um candidato competitivo e lograr êxito nessa eleição.”