O governo Casagrande já trata o lockdown na Grande Vitória como uma possibilidade real e se prepara para a necessidade de decretar essa medida drástica no mês de junho – a princípio, por um período de três semanas –, visando conter a velocidade de expansão do novo coronavírus nas cidades com mais altas taxas de contágio, para que o sistema hospitalar não entre em colapso. Por ora, não há decisão tomada nesse sentido, mas, internamente, já há preparativos em curso para o caso de confirmação desse cenário, mais forte a cada dia.
Tanto que, até a próxima sexta-feira, secretários de Estado devem se reunir com representantes das federações que respondem pelo setor produtivo do Espírito Santo, justamente com o objetivo de discutir eventuais medidas de enrijecimento das regras de isolamento social no mês de junho e prevenir os empresários sobre um possível decreto de lockdown.
Para essa reunião, serão convidados representantes da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), da Fecomércio, da Fetransportes e do movimento empresarial Espírito Santo em Ação. Uma fonte da coluna explica que a ideia é preparar o setor produtivo, com antecedência, para a possível necessidade de paralisação total das atividades, de modo que todos tenham tempo de se preparar adequadamente para a chegada desse momento.
Como dissemos acima, por enquanto o lockdown é tratado pelo governo como uma hipótese, mas uma hipótese cada dia mais plausível. E, caso a medida venha a se provar necessária, o setor produtivo não pode ser pego de surpresa.
Se as coisas chegarão ou não a esse ponto, vai depender, basicamente, do êxito ou não do governo em expandir, no curtísismo prazo, a oferta de leitos para tratamento de pacientes com Covid-19. “Hoje, se não tivéssemos perspectiva alguma de expansão da oferta de leitos, diria que o lockdown seria necessário já nos próximos dias”, diz uma fonte com conhecimento de causa.
O que vai orientar as próximas decisões do Palácio Anchieta é a nova matriz de risco, um sistema criado pelo governo que fornece à Sala de Situação uma série de dados e indicadores sobre a evolução do surto em cada município do Espírito Santo e sobre as respostas do Estado no enfrentamento à propagação da doença e no tratamento dos pacientes infectados que precisem de internação.
O elemento mais importante para a tomada das próximas decisões é a taxa de ocupação dos leitos de UTI destinados exclusivamente para pacientes com a Covid-19 no Espírito Santo – somando-se os leitos disponíveis na rede pública estadual com aqueles adquiridos pelo governo na rede particular.
O “número mágico” é 90%. Esse é o “limite de alerta” adotado pelo governo. Se, nos próximos dias, a taxa de ocupação dos leitos de UTI para a Covid-19 ultrapassar essa barreira crítica em determinados municípios, o sistema hospitalar entra em risco de colapso, e o governo será então impelido a adotar medidas mais rígidas de isolamento social naquelas cidades – entre elas, não se descarta a mais severa, que é o possível lockdown.
Conforme mostrou reportagem de A Gazeta publicada no último domingo (24), com base em dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes com a doença, na Grande Vitória, atingiu 88,58% no final da tarde daquele dia (48 horas antes da publicação desta coluna). Ao todo, dos 359 leitos disponíveis para o tratamento da Covid-19, apenas 41 ainda estavam vazios para receber pacientes infectados pelo novo coronavírus.