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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Casagrande: “Torço para que Erick siga na presidência da Assembleia”

Governador admite que “compartilhou” seu 1° governo com grupo de Paulo Hartung. Conta o princípio de aproximação com Audifax Barcelos. E revela a primeira missão dada a Gilson Daniel como novo secretário de Governo

Publicado em 01/03/2021 às 02h04
Casagrande abençoa Erick
Casagrande abençoa Erick. Crédito: Amarildo

Em entrevista exclusiva à coluna, concedida neste domingo (28), o governador Renato Casagrande (PSB) compara sua atual administração com a anterior (de 2011 a 2014). Com inédita franqueza, admite que “compartilhou” seu 1º governo com o grupo de seu antecessor, Paulo Hartung, com quem firmou acordo em 2010 para chegar ao Palácio Anchieta sem a concorrência do então vice-governador, Ricardo Ferraço (hoje grande aliado seu).

O governador também comenta seu princípio de reaproximação política com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), potencial concorrente eleitoral dele no ano que vem. Revela a primeira missão repassada a Gilson Daniel (Podemos) como seu novo secretário de Governo. E afirma que torce pela permanência de Erick Musso (Republicanos) na presidência da Assembleia Legislativa, diante do risco de o STF anular a reeleição do deputado.

Confira abaixo, na íntegra, a segunda parte da entrevista de Casagrande:

O senhor já afirmou (na primeira parte da entrevista) que essa reforma do secretariado agora não tem componente partidário. Mas podemos dizer que tem um componente político-eleitoral, quer dizer, o governo pretende “politizar” mais as pastas a fim de dar maior visibilidade às ações do governo?

O componente político, tem. O eleitoral, não tem esse objetivo imediato. Pode ser… “pode ser”, não. Os resultados de governo ajudam os candidatos que estão vinculados ao projeto. Em 2022, o projeto que eu lidero terá candidato a governador, terá candidato a senador ou candidata, terá chapas de deputados federais, chapas de deputados estaduais… Então, os resultados de governo ajudarão, sim, esse projeto político que eu lidero no Estado. Quem vai ser candidato a governador, quem vai ser candidato a senador, isso é o processo que vai dizer. O governo está com muitos resultados, muitas entregas… Vocês até fazem hoje [domingo] uma avaliação que traduz mais ou menos, com fidelidade, o que a gente está fazendo.

O senhor confirma então essa conclusão, que é a síntese da reportagem da minha colega Natalia Devens, sobre uma mudança de perfil do seu primeiro governo para o governo atual?

De 70% a 80%, sim. Mas avalio que o meu governo passado foi de muitas entregas. Sou um governador que gosta de produzir, que gosta de fazer entregas. E nós fizemos muitas entregas. Grandes projetos de mobilidade que nós preparamos de 2011 a 2014 só não saíram do papel completamente porque o governo seguinte não deu sequência aos projetos, está certo? Mas, para você amadurecer um projeto grande, você precisa de tempo, projeto executivo, licitação, licenças ambientais… Quatro anos são insuficientes.

E, na sua autoavaliação, qual é a principal mudança de característica do primeiro para o segundo governo?

Este governo é um governo que não tem um “compartilhamento”, está certo? O primeiro governo foi um governo compartilhado com o movimento do Paulo Hartung, tá certo? Esse governo é um governo que tem muito mais meu jeito, minhas características e meu perfil. O governo passado, por entendimento que fizemos em 2010, foi um governo de muitos resultados, mas conduzido de forma compartilhada.

Então o senhor sente que esse, na verdade, é seu primeiro governo "100% seu"?

Eu não posso dizer que um governo em que sou governador não é 100% meu, tá certo?

Mas com plena autonomia para imprimir seu estilo?

Não tem agora o compartilhamento que eu tive no primeiro governo. Então esse governo agora é um governo de fato com características que se identificam muito mais comigo, tá certo? Isso na política. Nas realizações, a gente teve muitas realizações. Nesse eu vou ter mais do que no governo encerrado em 2014. Mas, na política, este governo tem mais minha identidade política do que o primeiro.

Está na sua mente ser candidato à reeleição no ano que vem?

Parece brincadeira, mas nós, concretamente, ainda não paramos para conversar sobre isso. Mas candidatura não é uma obrigação. Eu já fui duas vezes governador do Estado. Então não tem obrigação de uma candidatura. Ainda não fizemos uma reflexão sobre isso.

O senhor conversou recentemente com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, pouco antes do carnaval. O senhor pode me contar qual foi a pauta discutida entre vocês?

Eu me coloquei à disposição dele, para a gente continuar dialogando sobre o projeto de 2022, sobre a vida dele, o que ele vai fazer, o projeto dele. Ele falou que ia conversar com as pessoas um pouco e quer continuar conversando. Não foi nenhuma conversa de encaminhamento de alguma proposta. Foi mais mesmo uma conversa de aproximação e tivemos uma discussão boa.

Sobre a Amunes, que o senhor chegou a mencionar: em 31 de março, teremos a eleição que renovará o comando da mais importante entidade de representação dos prefeitos e municípios do Estado, atualmente presidida por Gilson Daniel. São cotados os prefeitos Victor Coelho (PSB, Cachoeiro), Fabrício Petri (PSB, Cachoeiro) e Luciano Pingo (Republicanos, Ibatiba), além do ex-prefeito Barrigueira Lubiana (PSB, Nova Venécia).O senhor vai trabalhar pessoalmente na montagem de uma chapa e tem algum nome de sua preferência?

Não tenho nome de preferência não, até porque tenho boa relação com todos os nomes que estão aí se colocando, e todos eles têm relação com o governo. Então não entrarei diretamente nesse processo. Acho que o Gilson, como secretário de Governo, vai acompanhar isso de perto para mim.

Será uma das primeiras missões do novo secretário de Governo?

Será.

No dia 1º de fevereiro, o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), elegeu-se para um terceiro biênio no cargo após selar um acordo com o senhor. Agora existe a possibilidade de essa “re-reeleição” ser anulada, por decisão do STF, que também pode determinar a realização de nova eleição da Mesa Diretora, sem a candidatura de Erick. Como o senhor avalia isso e como ficará seu acordo com Erick e o Republicanos caso se confirme essa reviravolta?

Isso foge ao nosso controle. Mas minha relação com Erick hoje está muito boa e torço para que as coisas continuem como estão, porque isso dá estabilidade política ao Estado. Uma decisão como essa geraria instabilidade política.

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