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Movimento político

Assessor de Contarato, ex-deputado Roberto Carlos retorna para o PT

Após passagem pela Rede, ex-deputado volta para reorganizar PT na Serra, disputar uma vaga na Assembleia e apoiar candidatura de Lula à Presidência. Aliado de Audifax, ele diz que ex-prefeito quer ser candidato a governador, mas só se tiver parcerias

Publicado em 25 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

25 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Roberto Carlos de volta ao PT
Roberto Carlos de volta ao PT Crédito: Amarildo
O ex-deputado estadual Roberto Carlos Teles Braga, atualmente filiado à Rede Sustentabilidade, vai voltar a se filiar ao PT com os objetivos de tornar a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2022 e reorganizar o partido, hoje quase uma nulidade, no município da Serra. As informações são confirmadas pelo próprio ex-deputado, que, desde 2019, é assessor de gabinete do senador Fabiano Contarato (Rede).
Após sua breve passagem de quatro anos pela Rede, as raízes petistas de Roberto Carlos falaram mais alto. Mais especificamente, sua volta ao antigo partido tem tudo a ver com a possível candidatura do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto no ano que vem, após ter tido os direitos políticos reabilitados pelo STF.
Segundo o ex-deputado, no 1º turno da eleição presidencial, a Rede deve fazer parte de uma frente formada principalmente por partidos de centro-esquerda, que devem se reunir em torno da candidatura de Ciro Gomes (PDT) ou de alguma outra, como a de Luciano Huck (sem partido). Mas a sigla de Marina Silva não apoiará a eventual candidatura de Lula nessa etapa do processo. Já o próprio Roberto Carlos prefere seguir com Lula desde o início, “com todo o respeito e carinho pela figura da Marina Silva”.
“Hoje, avalio que o melhor nome para a conjuntura política que o Brasil encontra é o do ex-presidente Lula. É o melhor nome para as eleições de 2022. Defendo que ele volte à Presidência, mais experiente e sem cometer os mesmos erros que foram cometidos no passado. Se ele puder ser candidato, será o meu candidato”, carimba Roberto Carlos.
“Estou divorciando o projeto nacional do estadual. Nacionalmente, a Rede não vai marchar com o PT no 1º turno da eleição à Presidência, e isso me divorcia dessa posição. Pelo que estou interpretando, a chance de a Rede avançar numa aliança com o PT no 1º turno é muito pequena. No 2º turno, pode até acontecer”, analisa o ex-parlamentar, que comemora a anulação das sentenças contra Lula na Lava Jato, por decisão tomada pelo STF no início deste mês.
“Sou totalmente favorável ao combate à corrupção e acho que o Brasil tem que avançar nessa questão, mas hoje está claro que houve certo direcionamento da Lava Jato em relação ao ex-presidente Lula.”

POR QUE SAIU?

Professor de Geografia, Roberto Carlos foi vereador da Serra de 2005 a 2010, ano em que se elegeu deputado estadual. Ficou na Assembleia Legislativa por um mandato, de 2011 a 2014. Nesse período, exerceu os cargos de 1º e de 2º secretário da Mesa Diretora (gestões Rodrigo Chamoun e Theodorico Ferraço). Todos os seus mandatos foram exercidos pelo PT.
Em 2014, ele chegou a disputar o cargo de governador pelo Espírito Santo. Numa eleição polarizada entre o então governador Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (que venceria o pleito, pelo MDB), Roberto Carlos atingiu votação muito modesta: não chegou a dois dígitos. Foi uma candidatura já lançada com a consciência de que não tinha chances, com o intuito de dar palanque para a candidatura de Dilma Rousseff no Espírito Santo (até porque Casagrande apoiou Marina Silva, enquanto Hartung ficou com Aécio Neves).
O ex-deputado conta que sua desfiliação do PT, paradoxalmente, se deu exatamente por causa de sua candidatura a governador.
“Naquele momento, eu cumpri um papel partidário, mas percebi que, internamente, nem todos abraçaram aquela candidatura. E aquilo desgastou a relação. Fiz, então, a opção de ir para um partido do campo progressista, que é a Rede, em 2017.”

AUDIFAX A GOVERNADOR

“No Espírito Santo, ou o Audifax é candidato a governador, ou ele vai fazer uma construção política com o Renato Casagrande.”
Esta é a projeção feita por Roberto Carlos sobre o próximo passo eleitoral do ex-prefeito da Serra, de quem é amigo e ainda correligionário (Audifax é o principal líder da Rede Sustentabilidade no Espírito Santo). Os dois, inclusive, tinham uma conversa marcada para esta quinta-feira (25).
O ex-deputado relata que Audifax está conversando com todo mundo, inclusive com o governador Renato Casagrande (PSB) – como já mencionamos aqui –, para decidir o seu futuro. Conta, ainda, que o desejo pessoal do ex-prefeito é ser candidato a governador em 2022, mas que essa decisão ainda demanda tempo, até porque pode ser influenciada pela conjuntura eleitoral nacional: na disputa pela Presidência, o PSB de Casagrande e a Rede de Audifax podem acabar compondo a mesma frente partidária.
“Eu sinto que o Audifax tem disposição para ser candidato a governador. Se a gente fosse analisá-lo como um jogador, ele atua melhor numa posição de Executivo do que de Legislativo.
"Se você me perguntar qual é o desejo do Audifax, o desejo dele é ser candidato a governador. Mas é preciso ver também como isso ficará nacionalmente. Por exemplo, o PSB está na construção do Ciro, então pode ser que PSB e Rede fiquem juntos na mesma construção. Eu não sei como ele vai resolver isso. É claro que a Rede não vai engessá-lo. Se ele quiser ser candidato ao governo, ele será."
Roberto Carlos Teles Braga - Aliado de Audifax e ex-deputado estadual
Ainda de acordo com Roberto Carlos, Audifax tem externado a aliados que não será candidato a governador se estiver politicamente isolado, sem apoios importantes: “Ele tem dito: ‘Uma coisa é você disputar eleição aqui na Serra sozinho. Outra coisa é você disputar eleições estaduais sozinho’. Não tem perna. Teria que fazer alianças. Então te diria que hoje a tendência é que ele seja candidato a governador, mas, isolado, ele não virá”.

PT NA SERRA

Na última eleição, o PT não fez nem um vereador sequer nas 23 cadeiras disponíveis na Câmara da Serra. Na eleição a prefeito, não teve candidato próprio. Ensaiou lançar a candidatura de Fernanda Souza, mas, na hora H, optou por uma aliança branca com o então deputado Sérgio Vidigal (PDT), que venceu o pleito e retornou à prefeitura após oito anos.
Na legislatura anterior, de 2017 a 2020, o PT só teve um dos 23 vereadores. E, numa piada pronta, ainda se chamava Aécio: Aécio Leite.
Roberto Carlos quer voltar ao PT também com a missão de reestruturar o partido na cidade.

A aproximação de Contarato com o PT

Independentemente da filiação, Roberto Carlos seguirá como assessor de gabinete de Fabiano Contarato. Ele já avisou ao senador sobre sua saída da Rede: “Nenhum problema”. O assessor define o chefe como “um político nitidamente de centro-esquerda e com um grau elevadíssimo de independência”. Para Roberto Carlos, seu retorno ao PT pode aproximar Contarato do partido de Lula:

“Acho que facilita. O Contarato tem um mandato muito identificado com bandeiras históricas que o PT defende: a redução das desigualdades, o respeito à diversidade. Na pandemia, a posição dele sempre foi muito clara em defesa da ciência, da vacinação e do distanciamento social. Ou seja, ficou muito nítido que a posição política dele é uma posição progressista.”

No Espírito Santo, PT e Rede encontram algumas afinidades dentro dessa zona que eles chamam de “progressista”. Nas últimas eleições municipais, as duas legendas estiveram juntas nas disputas pelas prefeituras de Vila Velha e de Cachoeiro de Itapemirim (com votações muito ruins em ambos os casos).

Recentemente, o próprio Contarato expressou sua simpatia política por Lula. No dia em que as condenações do ex-presidente foram anuladas pelo STF, o senador publicou em uma rede social que o presidente Jair Bolsonaro não vencerá a eleição do ano que vem por W.O.

“Facilita”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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