Se você é daqueles que acredita que correr em jejum auxilia no emagrecimento, melhora a saúde e ajuda na evolução da corrida, muita atenção. A corrida em jejum pode até ser uma estratégia interessante, mas está longe de ser determinante nesses processos.
“Mais importante do que realizar o treino sem comer, são fatores como a qualidade da alimentação, a adequação da ingestão energética ao longo do dia, o nível de condicionamento físico e o planejamento do treinamento”, destaca a nutricionista Nathália Delvaux.
A nutricionista Letícia Azen reforça que a estratégia de correr em jejum não deve ser considerada um requisito obrigatório para emagrecer, melhorar a saúde ou até mesmo a performance na corrida.
Mais importante do que fazer a atividade sem comer é priorizar outros fatores como a qualidade da alimentação, a adequação da ingestão energética, além do descanso e do sono
Leticia Azen Nurtricionista
Quem optar pela estratégia da corrida em jejum deve se atentar a dois pontos: intesidade do treino e o horário. Segundo Nathália, o ideal é fazer corridas leves, em intensidade baixa ou moderada, e de preferência no período da manhã, ou seja, seguido do jejum noturno, fazendo com que o organismo se adapte à proposta.
Ainda assim, o desempenho nesse tipo de treino não depende exclusivamente do período em jejum. A preparação nutricional feita horas antes é determinante nesse processo. “O jantar da noite anterior é fundamental. Uma refeição equilibrada, composta por carboidratos de qualidade, proteínas, gorduras saudáveis e vegetais, contribui para a reposição dos estoques de glicogênio muscular e hepático, favorecendo uma melhor disponibilidade energética para o treino do dia seguinte, além de auxiliar nos processos de recuperação e adaptação ao exercício”, comenta a nutricionista Nathália.
A corrida em jejum estimula o organismo a utilizar a gordura como fonte de energia durante o exercício. Por isso, desperta o interesse de muitos corredores. Fato é que uma maior queima de gordura ao longo da atividade física não significa que haverá maior perda de gordura corporal ao longo do tempo.
As evidências mostram que, quando o gasto e a ingestão calórica são semelhantes, indivíduos que correm em jejum não apresentam vantagens consistentes em termos de redução de gordura corporal quando comparados àqueles que correm alimentados
Nathália Delvaux Nutricionista
Ainda que a prática da corrida em jejum possa ser uma ferramenta útil em determinadas situações, seus benefícios devem ser analisados em um contexto geral, passando por qualidade de alimentação, plano alimentar e constância nas atividades físicas. Esses aspectos causam um impacto muito maior na composição corporal, saúde e desempenho esportivo.
Os riscos de correr em jejum
Apesar de se tratar de uma estratégia viável e interessante em certas ocasiões, os riscos da corrida em jejum existem. Algumas variáveis podem influenciar nos riscos, como intesidade dos treinos, duração das atividades, grau de adaptação da pessoa e estado nutricional.
“Um dos principais pontos de atenção é a queda de desempenho, especialmente em treinos mais intensos, como tiros, intervalados, longões e competições, que dependem fortemente dos estoques de glicogênio muscular. Nesses casos, a menor disponibilidade energética pode comprometer a potência, a velocidade, a capacidade de sustentar o esforço e a qualidade do treinamento”, destaca Nathália.
E não para por aí. Algumas pessoas ainda podem apresentar sintomas de hipoglicemia como tontura, fraqueza, tremores, sudorese excessiva, dificuldade de concentração e sensação de desmaio. Por isso, é fundamental procurar um profissional antes tomar quaisquer decisões que possam impactar na saúde e qualidade de vida.
“Essas manifestações tendem a ocorrer com maior frequência em indivíduos não adaptados à estratégia, após períodos prolongados sem se alimentar ou em pessoas com alterações no controle glicêmico, como o diabetes”, destaca a nutricionista Letícia Azen.